Alimentos ultraprocessados: o que são e por que evitar

Prática • 9 de março de 2026
Alimentos ultraprocessados organizados em prateleiras de supermercado, com grande variedade de produtos industrializados embalados e prontos para consumo.

Os alimentos ultraprocessados estão cada vez mais presentes na alimentação cotidiana.


A praticidade, a longa durabilidade e o preparo rápido explicam sua ampla adoção.


Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a composição desses produtos, o valor nutricional e os efeitos do consumo frequente na saúde individual e coletiva.


Para compreender esse cenário de forma completa, é essencial entender o que caracteriza os ultraprocessados, como eles se diferenciam dos alimentos in natura e processados, qual o papel dos aditivos, das gorduras, dos açúcares e do sódio e como esse consumo evolui no Brasil e no mundo.


O que são alimentos ultraprocessados?


Alimentos ultraprocessados são produtos formulados industrialmente a partir de substâncias extraídas ou derivadas de outros alimentos, como óleos, gorduras, amidos, proteínas isoladas e açúcares.


Esses componentes são combinados com aditivos utilizados para modificar sabor, aroma, cor, textura e durabilidade.


Em geral, passam por diversas etapas industriais, apresentam baixo teor de ingredientes naturais e são prontos para consumo ou aquecimento rápido.


Qual a diferença entre alimentos in natura, processados e ultraprocessados?


A diferença está no nível de transformação industrial.


Alimentos in natura


São obtidos diretamente de plantas ou animais, sem modificações após colheita, pesca ou abate.


Mantêm sua composição original, como frutas, verduras, legumes, ovos, leite e carnes frescas.


Alimentos processados


Resultam da adição de ingredientes simples, como sal, açúcar ou óleo, a alimentos in natura.


O alimento original permanece como principal ingrediente.


Exemplos incluem queijos, legumes em conserva, frutas em calda e pães com poucos ingredientes.


Alimentos ultraprocessados


Passam por múltiplos processos industriais, utilizam muitos ingredientes e aditivos e apresentam pouca ou nenhuma semelhança com o alimento original.


Quais são exemplos de alimentos ultraprocessados?


Entre os exemplos mais comuns estão:


  • Refrigerantes e bebidas artificiais
  • Salgadinhos de pacote
  • Biscoitos recheados
  • Macarrão instantâneo
  • Embutidos como salsicha, mortadela e nuggets
  • Cereais matinais açucarados
  • Sobremesas industrializadas


Quais aditivos são mais usados nos ultraprocessados?


Os principais grupos de aditivos incluem corantes artificiais, aromatizantes artificiais, realçadores de sabor, conservantes, emulsificantes, espessantes, estabilizantes e edulcorantes artificiais.


Esses compostos garantem padronização sensorial, estabilidade e maior vida útil.


Por que os aditivos podem ser danosos em excesso?


O consumo frequente pode causar desconfortos gastrointestinais, reações em pessoas sensíveis e alterações na microbiota intestinal.


Muitos aditivos intensificam sabor e aroma, estimulando o consumo repetido e dificultando a percepção de saciedade.


Qual o papel das gorduras adicionadas nos ultraprocessados?


As gorduras adicionadas elevam o valor energético dos produtos.


Quando consumidas em excesso, estão associadas ao ganho de peso, alterações no colesterol e maior risco de doenças cardiovasculares.


Por que os açúcares adicionados merecem atenção?


Açúcares adicionados são comuns em bebidas, biscoitos, cereais e sobremesas industrializadas.


O consumo elevado favorece picos glicêmicos, aumento do apetite por alimentos doces, resistência à insulina, cáries e maior risco de diabetes tipo 2.


Como o sal e o sódio impactam a saúde?


O sódio é amplamente utilizado para conservação e intensificação de sabor.


Em excesso, está associado ao aumento da pressão arterial, retenção de líquidos e maior risco de doenças cardiovasculares e renais.


Muitos ultraprocessados concentram grande parte da ingestão diária recomendada em poucas porções.


Por que a combinação de gorduras, açúcares e sódio é crítica?


A combinação desses componentes torna os alimentos altamente palatáveis, favorecendo o consumo frequente e em grandes quantidades.


Esse padrão dificulta o controle da ingestão e contribui para dietas pobres em fibras, vitaminas e minerais.


Consumo de ultraprocessados no mundo


O consumo de alimentos ultraprocessados cresce de forma consistente em diferentes regiões do mundo, especialmente em países de alta renda.


Dados oficiais do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) mostram que, nos Estados Unidos, esses produtos representaram 55% das calorias totais consumidas pela população com 1 ano ou mais entre 2021 e 2023.


Entre crianças e adolescentes, a participação chegou a 61,9%, enquanto entre adultos foi de 53%.


Revisões científicas publicadas em periódicos como o The BMJ e relatórios da Organização Mundial da Saúde indicam que esse avanço está relacionado à urbanização, às mudanças no sistema alimentar global e à ampla disponibilidade de produtos prontos para consumo.


O crescimento também é acelerado em países de renda média, ampliando a preocupação com impactos em saúde pública.


A OMS acompanha o tema como prioridade dentro das estratégias de prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.


Consumo de ultraprocessados no Brasil


No Brasil, a principal fonte de dados é a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017–2018, conduzida pelo IBGE.


Análises publicadas na Revista de Saúde Pública indicam que os alimentos ultraprocessados corresponderam a 19,7% das calorias totais consumidas por brasileiros com 10 anos ou mais.


A evolução histórica mostra crescimento contínuo.


Nas compras de alimentos para consumo no domicílio, a participação de ultraprocessados passou de 12,6% em 2002–2003 para 18,4% em 2017–2018.


Esses números colocam o Brasil abaixo de países como Estados Unidos e Reino Unido, mas revelam tendência de alta relevante, especialmente entre adolescentes e nas regiões Sul e Sudeste.


O acompanhamento desses indicadores é fundamental para debates sobre políticas públicas, educação alimentar e segurança dos alimentos no país.


Ultraprocessados e escolhas alimentares


Os alimentos ultraprocessados se diferenciam de forma clara dos alimentos in natura e processados pelo alto nível de industrialização e pela composição rica em aditivos, gorduras adicionadas, açúcares e sódio.


Dados nacionais e internacionais mostram que o consumo desses produtos segue em expansão, o que reforça a importância da informação e da análise crítica das escolhas alimentares.


Compreender essas diferenças contribui para decisões mais conscientes e alinhadas à qualidade da alimentação no longo prazo.


Veja também nosso conteúdo sobre como montar um prato nutricionalmente equilibrado.