Arquitetura e eficiência no foodservice com Diris Petribú

Mauro Costa • 9 de abril de 2026

Projetar um espaço de alimentação vai muito além da estética.


Envolve decisões que impactam diretamente a operação, a produtividade, a segurança dos alimentos e a sustentabilidade do negócio.


Em um cenário de custos elevados e alta exigência por eficiência, o papel da arquitetura ganha ainda mais relevância ao integrar layout, equipamentos, fluxo e experiência do cliente.


Nesta entrevista, a arquiteta Diris Petribú, profissional membro da FCSI The Americas e cofundadora do StudioIno, compartilha sua visão sobre os desafios e caminhos para projetos mais eficientes no foodservice.


Com mais de dois mil projetos realizados em diferentes segmentos, ela aborda temas como dimensionamento de espaços, uso de tecnologia, novos modelos produtivos e a importância de pensar o negócio de forma integrada desde o início.


Hoje muitos estabelecimentos priorizam a estética. Até que ponto isso pode comprometer a funcionalidade e a eficiência dos espaços?


A estética é, sem dúvida, um elemento fundamental em qualquer projeto de restaurante, mas jamais deve comprometer a funcionalidade.


Um bom projeto é aquele que equilibra conforto, bem-estar, eficiência operacional e identidade visual.


De nada adianta um ambiente agradável, bonito, se os fluxos são inadequados ou se o espaço não oferece a experiência do cliente e da equipe.


Com o custo do metro quadrado mais alto, como evitar desperdício de espaço que não gera valor para o negócio?


O projeto tem que ser inteligente, racional e fazer uso de tecnologia para ajudar nos processos.


Isso significa eliminar desperdícios, otimizar fluxos e utilizar tecnologia como aliada.


Quando o layout é bem planejado, conseguimos racionalizar espaços e fluxos dentro de uma operação.


Dessa forma, reduzimos áreas improdutivas, melhorar a eficiência da operação e gerar valor real para o negócio. 


Como equilibrar área de produção, atendimento e demanda de clientes em um projeto?


Depende de vários fatores, como um bom briefing do cliente e a definição de cardápio. 


Cada projeto é único e precisa ser analisado de forma específica.


O dimensionamento correto nasce da compreensão profunda da operação


Qual deve ser a prioridade do investimento na cozinha em um projeto de alimentação?


O investimento na área de produção é um fator primordial para o sucesso da operação.


Uma cozinha bem estruturada impacta diretamente a produtividade, a segurança alimentar, o trabalho da equipe e a eficiência energética. 


Equipamentos como forno combinado e ultracongelador ainda são diferenciais ou já são essenciais na operação?


Hoje, esses equipamentos deixaram de ser um diferencial e se tornaram essenciais.


Eles garantem padronização, eficiência, segurança alimentar e melhor controle dos processos produtivos.


Como o uso de Speed Ovens na frente de loja impacta layout e atendimento?


Os Speed Ovens agilizam todo processo e dão mais velocidade ao atendimento.


Além disso, eles eliminam o desperdício, pois podemos manter os alimentos refrigerados ou congelados e a regeneração é feita conforme a demanda. 


Em nossos projetos de loja, o uso desses equipamentos já faz parte do planejamento.


Modelos como cook and chill estão ligados à demanda por produtividade e novos canais de venda?


Este processo, produção antecipada, viabiliza a operação e a distribuição por vários canais.


Com isso, conseguimos reduzir o estresse da operação, melhorar o planejamento, aumentar o controle de qualidade e reduzir desperdícios, tornando o processo mais seguro e previsível. 

 

Como desenvolver uma identidade arquitetônica própria sem cair em padrões repetitivos?


Para criar uma identidade própria, é fundamental conhecer profundamente o cliente, suas expectativas, seu público e seu nível de investimento.


Cada negócio tem características únicas e a criatividade do projetista é essencial para traduzir essa essência em um espaço autêntico, evitando soluções repetitivas.


Por que é tão importante integrar produto, operação, fluxo produtivo, equipamentos e atendimento no desenvolvimento de um projeto?


Um negócio de alimentação precisa ser pensado de forma integrada.


A arquitetura sozinha não sustenta a operação.


Uma boa estrutura física, a localização, o fluxo produtivo, o conforto do salão, o cardápio, a apresentação dos pratos, a hospitalidade do atendimento, treinamento dos funcionários são alguns dos elementos nesse conjunto de fatores.


O sucesso está no equilíbrio entre estes fatores.


Qual é o papel da arquitetura no atendimento às exigências da vigilância sanitária e segurança dos alimentos?


A responsabilidade do projetista é muito grande.


O papel da arquitetura é garantir que o espaço atenda integralmente às normas de segurança alimentar, de segurança de trabalho e de acessibilidade.


Um projeto bem desenvolvido facilita o cumprimento das normas.


Como o Studio Ino conduz seus projetos e orienta clientes sobre operação e investimento?


O primeiro passo é sempre conhecer profundamente o cliente.


Realizamos pesquisas, conversamos com os envolvidos, entendemos o público e acompanhamos a operação de perto.


Acreditamos que um bom projeto é construído em conjunto e trabalhado por uma equipe multidisciplinar.


Como a atuação na FCSI influencia seus projetos e a orientação aos clientes?


Esta organização é muito importante para troca de experiências, atualização constante e educação continuada.


Para me tornar membro profissional, passei por avaliações técnicas e de gestão.


Além disso, o FCSI possui um forte código de ética, que orienta nossa atuação profissional e eleva o nível dos projetos desenvolvidos. 


Quais são os erros mais comuns em novos negócios ao projetar a operação?


Os erros mais frequentes estão relacionados a inadequações na avaliação ponto, no dimensionamento dos espaços e no entendimento dos fluxos.


Essas falhas comprometem a eficiência da operação.


Sobre Diris Petribú


Diris Petribú é arquiteta, FCSI Professional Member The Americas, diretora e cofundadora do StudioIno, estúdio de arquitetura e design reconhecido por seus projetos no setor de alimentação.


Também é cofundadora do Hub Foodservice, uma cozinha colaborativa localizada em São Paulo.


Especialista em sistemas de alimentação coletiva, é formada pela Universidade Federal de Pernambuco e possui especialização na França.


Ao longo da carreira, já desenvolveu mais de 2 mil projetos de restaurantes e cozinhas profissionais, atendendo diferentes segmentos, como lojas de alimentação, terminais rodoviários, aeroportos, escolas, hospitais, hotéis e operações corporativas.


Entre seus clientes estão empresas como IMC, Starbucks, GRSA/Compass Group, Deca, Sky Chefs, BASF, Enotel, Royal Palm, Transamérica Comandatuba e Rede Sarah Kubitschek, entre outros.


Contato:


Site: studioino.com

E-mail: contato@studioino.com.br

Instagram: https://www.instagram.com/studioino/


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