Tacacá: cultura e sabor diretamente de Belém do Pará

O tacacá é um prato tradicional da culinária amazônica e representa bem a diversidade de ingredientes presentes na gastronomia brasileira.
Muito comum no Norte do país, faz parte do cotidiano e da identidade alimentar da região.
A preparação reúne tucupi, goma de tapioca, camarões secos e jambu, combinação que resulta em sabores e sensações características.
Não perca esta leitura e aprenda mais sobre esta receita.
O que é o tacacá?
O tacacá é um caldo tradicional da região amazônica, especialmente popular no Pará e no Amazonas.
Com raízes na culinária indígena, esse prato reflete a cultura local e utiliza ingredientes típicos da região, compondo a tríade gastronômica do Pará, ao lado do pato no tucupi e da maniçoba.
O caldo é servido bem quente pelas tacacazeiras em pequenas carrocinhas nas ruas de Belém, frequentemente acompanhada de molho de pimenta de cheiro, feito com tucupi.
Sua preparação envolve tucupi cozido e temperado com alho, sal e chicória, goma de tapioca feita como um mingau leve, jambú cozido com água e sal, e camarão seco bem lavado.
O prato é montado em uma cuia indígena, com a goma no fundo, seguida pelo tucupi, jambú e camarões a gosto.
Consumido geralmente no fim da tarde ou início da noite, ele é uma iguaria de forte vínculo com a culinária indígena e é associado à socialização e valorização da cultura regional.
A mandioca brava e a tradição indígena
A mandioca brava, ingrediente nativo, é uma variedade tóxica que, por meio de processos como fermentação, prensagem e cozimento prolongado, se transforma em um ingrediente essencial na culinária amazônica.
Amplamente utilizada no Norte e Nordeste do Brasil, especialmente nas regiões do Pará e Amazonas, a mandioca brava é a base de diversos produtos derivados, como tucupi, farinha, polvilho, goma de tapioca, beiju e maniçoba, feita com a maniva (folha da mandioca).
Esses ingredientes desempenham um papel central na gastronomia local, sendo fundamentais para pratos tradicionais.
O papel dos povos indígenas na transformação da mandioca brava é vital, pois, com seu conhecimento ancestral, desenvolveram técnicas para eliminar a toxicidade da raiz, tornando-a segura para consumo.
Essa sabedoria tradicional não só preservou um recurso natural valioso, como também proporcionou à culinária amazônica ingredientes que se tornaram emblemáticos em pratos como o tacacá.
Os ingredientes do Tacacá
O Tucupi
Caldo amarelo extraído da mandioca brava, que passa por fermentação e cozimento para eliminar toxinas (alta concentração de ácido cianídrico), conferindo um sabor ácido e intenso.
A Goma de tapioca
Amido de mandioca que dá uma textura espessa e cremosa ao caldo.
O Jambu
O jambu é uma hortaliça amazônica conhecida pelo efeito de leve dormência e formigamento que provoca na boca.
Essa característica singular vem do espilantol, composto natural presente principalmente nas folhas e flores, que confere identidade sensorial marcante ao ingrediente.
No preparo, ele exige atenção desde a higienização até a cocção.
A limpeza deve ser cuidadosa, com lavagem individual das folhas e sanitização adequada, garantindo a segurança dos alimentos.
Na cocção, o tempo precisa ser curto, geralmente com um rápido escaldamento, suficiente para preservar a cor, a textura e controlar a intensidade do efeito de dormência, evitando que a hortaliça perca suas características naturais.
O camarão seco
O camarão seco é obtido por salga e secagem, processos que intensificam o sabor e permitem sua conservação.
Antes do uso, passa por limpeza e, quando necessário, leve dessalgue, garantindo equilíbrio de sabor e segurança dos alimentos, sem comprometer sua identidade regional.
Como é servido?
O tacacá é servido em uma cuia, o que reforça sua autenticidade cultural.
Para prepará-lo, o tucupi é fervido com alho, sal e pimenta-de-cheiro.
Separadamente, a goma de tapioca é cozida até alcançar a consistência adequada.
Depois, coloca-se no fundo da cuia uma porção de goma, que é coberta pelo caldo de tucupi.
Em seguida, adicionam-se os camarões secos e as folhas de jambu.
Tacacazeiras: Patrimônio Cultural de Belém do Pará
Em 2011, o município de Belém instituiu o Dia das Tacacazeiras, comemorado anualmente em 13 de setembro, como forma de homenagear essas vendedoras tradicionais do prato.
Esse reconhecimento foi ampliado em 2013, quando as tacacazeiras foram oficialmente declaradas Patrimônio Cultural Imaterial de Belém, conforme a Lei nº 8979/2013.
Essa conquista foi um importante passo para valorizar o trabalho dessas mulheres, cuja contribuição é essencial para a preservação da gastronomia e cultura local.
O reconhecimento destaca o papel fundamental das tacacazeiras na manutenção de uma tradição culinária que faz parte da identidade de Belém e da região amazônica.
Receita de Tacacá Tradicional
- 1 litro de tucupi
- 1 xícara (chá) de goma de tapioca
- 200 g de camarões secos e salgados
- 2 maços de jambu
- 3 dentes de alho picados
- 1 pimenta-de-cheiro (opcional)
- Sal a gosto
Modo de Prepar
- Lave bem o jambu e cozinhe em água fervente com sal por cerca de 5 minutos ou até as folhas ficarem macias. Escorra e reserve.
- Lave os camarões secos para retirar o excesso de sal e reserve.
- Em uma panela, ferva o tucupi com o alho picado e a pimenta-de-cheiro (opcional). Ajuste o sal e mantenha aquecido.
- Dilua a goma de tapioca em 2 xícaras de água fria. Em uma panela, aqueça essa mistura em fogo baixo, mexendo sempre, até formar um creme espesso. Reserve.
- Em uma cuia ou tigela, coloque uma porção de goma de tapioca no fundo.
- Adicione o tucupi quente por cima.
- Acrescente algumas folhas de jambu e os camarões secos.
- Sirva-o bem quente. Tradicionalmente, é consumido diretamente na cuia sem uso de talheres.
Dicas:
- Ajuste a quantidade de tucupi e goma de tapioca de acordo com sua preferência de consistência.
- O jambu e os camarões secos podem ser encontrados em mercados especializados em produtos amazônicos.
Tacacá como expressão cultural da Amazônia
Em resumo, o tacacá vai além de um simples prato; é uma verdadeira experiência sensorial que une as pessoas à rica biodiversidade da Amazônia.
Ao saborear essa iguaria, os consumidores são transportados para o coração da cultura local, vivenciando um pedaço da tradição e da história da região.
Ele não é apenas um reflexo dos sabores únicos da região, mas também um símbolo da conexão entre a culinária indígena e a preservação das práticas culturais que tornam a gastronomia brasileira ainda mais rica e diversa.
Veja outra maravilha culinária da Amazônia, o tucumã, no nosso conteúdo especial.
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