Ciabatta: aprenda sobre este pão e por que oferecê-lo

Prática • 4 de novembro de 2020
pão italiano ciabatta cortado com manteiga e faca sobre pedra

A ciabatta chama a atenção por suas características artesanais e se destaca como um pão de alto apelo para padarias.


O visual rústico, o formato alongado e a textura marcante, crocante por fora e macia por dentro, contribuem para sua aceitação imediata pelo consumidor.


Ainda existe a ideia de que pães artesanais exigem insumos importados e altos custos de produção.


No entanto, é possível obter excelente resultado utilizando ingredientes nacionais de boa procedência e com ótimo custo-benefício.


A ciabatta comprova isso.


Trata-se de um pão especial que utiliza praticamente os mesmos ingredientes do pão francês.


A principal diferença está no método de preparo, não na matéria-prima.


Apesar de já ser conhecida por padeiros e panificadores, muitas vezes a ciabatta aparece apenas como mais um item no mix.


Quando bem trabalhada, porém, pode se tornar uma importante fonte de rentabilidade para a padaria.


Origem da ciabatta


O nome ciabatta deriva da palavra italiana que significa sandália, referência ao formato achatado e alongado do pão.


Muito popular na Itália, ela também possui excelente aceitação no Brasil.


Para quem produz, a ciabatta oferece praticidade e versatilidade.


A receita pode ser adaptada, com ou sem fermentação natural, e o formato não segue um padrão rígido.


Por isso, é comum dizer que a ciabatta representa um conceito, não apenas um produto.


Para o cliente, é um pão que conquista pela aparência e pelo sabor.


Funciona muito bem em mesas de café diferenciadas e como base para sanduíches.


Vantagens da produção de ciabatta


A formulação da ciabatta é simples. Leva farinha, água, sal e fermento biológico ou natural.


O diferencial está na adição de cerca de 2% de azeite, na alta hidratação da massa, acima de 75%, e na fermentação longa a frio.


Com pequenas alterações no processo, como o teor de água e o tempo de fermentação, ingredientes comuns se transformam em um produto de alto valor agregado.


Em um cenário hipotético, se o pão francês é vendido a R$ 10,00 o quilo, a ciabatta pode alcançar valores entre R$ 20,00 e R$ 25,00 o quilo, dependendo da apresentação e do posicionamento do produto.


O uso de farinha importada pode elevar o valor percebido, mas também encarece o custo final.


Considerando o perfil de consumo no Brasil, o uso de insumos nacionais tende a ser uma escolha mais equilibrada.


Outro ponto importante está na cocção. Fornos de lastro resultam em casca mais espessa e aspecto rústico.


Já os fornos turbo entregam coloração uniforme, padronização e crocância eficiente.


Os métodos de produção fazem parte da rotina da panificação.


Como o rendimento é alto e o valor agregado é interessante, o investimento em treinamento se justifica plenamente.


Equipamentos necessários


A produção de ciabatta exige os equipamentos básicos da panificação.


Amassadeira espiral, câmaras de fermentação controlada e fornos são indispensáveis.


Existem também divisoras específicas para massas altamente hidratadas.


A amassadeira espiral é fundamental para garantir boa hidratação e desenvolvimento do glúten.


Para a ciabatta, a incorporação de água varia entre 75% e 85%.


Abaixo disso, a massa tende a ficar seca e pesada.


As câmaras de fermentação, operando em modo frio e com controle de umidade, são responsáveis pela fermentação lenta da massa.


Quanto aos fornos, tanto o turbo quanto o lastro atendem bem.


A escolha depende do perfil do produto e do posicionamento de venda.


Independentemente do modelo, é importante considerar a capacidade pensando em crescimento da demanda.


Processo de produção da ciabatta


Uso de fermento natural


Ao utilizar levain líquido, é necessário ajustar a quantidade de água da formulação, pois o fermento natural já adiciona umidade à massa.


Também é importante observar o nível de acidez e avaliar a aceitação do público.


Alguns profissionais utilizam pequena quantidade de fermento biológico seco, em torno de 0,5%, para melhorar a gaseificação.


Isso evita que o pão fique denso, especialmente para consumidores não habituados ao fermento natural.


Amassamento


A água deve ser incorporada aos poucos durante o amassamento, permitindo a formação de uma rede de glúten elástica e resistente.


Uma técnica comum é realizar a autólise, misturando farinha e parte da água e deixando descansar por cerca de duas horas a frio.


Esse processo melhora a absorção de água e facilita o desenvolvimento da massa.


Após o amassamento, a massa é porcionada e armazenada em caixas plásticas untadas, devidamente cobertas.


Fermentação longa


As caixas seguem para a câmara fria ou fermentadora por, no mínimo, 12 horas.


Esse período costuma coincidir com o horário em que a padaria está fechada, otimizando o uso dos equipamentos e o fluxo de produção.


É importante não exceder o tempo de fermentação, pois isso pode comprometer a qualidade ou causar perda do produto.


Divisão da massa


A divisão pode ser feita diretamente das caixas.


As divisoras específicas para massas altamente hidratadas garantem rapidez, padronização e preservação dos gases da fermentação.


No processo manual, há maior risco de variação de peso entre unidades e maior consumo de tempo.


Assamento


O forno deve estar bem pré-aquecido. A vaporização pode ser moderada, conforme o perfil desejado.


Pães com gramatura acima de 450 g costumam levar entre 35 e 45 minutos para assar, atingindo coloração intensa e estrutura adequada.


Ciabatta e seu potencial comercial na padaria


A ciabatta é um pão de fermentação longa com alto valor agregado.


O preço deve estar alinhado ao perfil do público atendido.


A qualidade final resulta do equilíbrio entre ingredientes, processo, equipamentos e controle de produção.


Com planejamento e execução correta, a ciabatta pode se tornar um produto estratégico no portfólio da padaria.


Para aprofundar o tema, vale conferir também como escolher o forno ideal para a sua produção.