Ciabatta: aprenda sobre este pão e por que oferecê-lo

A ciabatta chama a atenção por suas características artesanais e se destaca como um pão de alto apelo para padarias.
O visual rústico, o formato alongado e a textura marcante, crocante por fora e macia por dentro, contribuem para sua aceitação imediata pelo consumidor.
Ainda existe a ideia de que pães artesanais exigem insumos importados e altos custos de produção.
No entanto, é possível obter excelente resultado utilizando ingredientes nacionais de boa procedência e com ótimo custo-benefício.
A ciabatta comprova isso.
Trata-se de um pão especial que utiliza praticamente os mesmos ingredientes do pão francês.
A principal diferença está no método de preparo, não na matéria-prima.
Apesar de já ser conhecida por padeiros e panificadores, muitas vezes a ciabatta aparece apenas como mais um item no mix.
Quando bem trabalhada, porém, pode se tornar uma importante fonte de rentabilidade para a padaria.
Origem da ciabatta
O nome ciabatta deriva da palavra italiana que significa sandália, referência ao formato achatado e alongado do pão.
Muito popular na Itália, ela também possui excelente aceitação no Brasil.
Para quem produz, a ciabatta oferece praticidade e versatilidade.
A receita pode ser adaptada, com ou sem fermentação natural, e o formato não segue um padrão rígido.
Por isso, é comum dizer que a ciabatta representa um conceito, não apenas um produto.
Para o cliente, é um pão que conquista pela aparência e pelo sabor.
Funciona muito bem em mesas de café diferenciadas e como base para sanduíches.
Vantagens da produção de ciabatta
A formulação da ciabatta é simples. Leva farinha, água, sal e fermento biológico ou natural.
O diferencial está na adição de cerca de 2% de azeite, na alta hidratação da massa, acima de 75%, e na fermentação longa a frio.
Com pequenas alterações no processo, como o teor de água e o tempo de fermentação, ingredientes comuns se transformam em um produto de alto valor agregado.
Em um cenário hipotético, se o pão francês é vendido a R$ 10,00 o quilo, a ciabatta pode alcançar valores entre R$ 20,00 e R$ 25,00 o quilo, dependendo da apresentação e do posicionamento do produto.
O uso de farinha importada pode elevar o valor percebido, mas também encarece o custo final.
Considerando o perfil de consumo no Brasil, o uso de insumos nacionais tende a ser uma escolha mais equilibrada.
Outro ponto importante está na cocção. Fornos de lastro resultam em casca mais espessa e aspecto rústico.
Já os fornos turbo entregam coloração uniforme, padronização e crocância eficiente.
Os métodos de produção fazem parte da rotina da panificação.
Como o rendimento é alto e o valor agregado é interessante, o investimento em treinamento se justifica plenamente.
Equipamentos necessários
A produção de ciabatta exige os equipamentos básicos da panificação.
Amassadeira espiral, câmaras de fermentação controlada e fornos são indispensáveis.
Existem também divisoras específicas para massas altamente hidratadas.
A amassadeira espiral é fundamental para garantir boa hidratação e desenvolvimento do glúten.
Para a ciabatta, a incorporação de água varia entre 75% e 85%.
Abaixo disso, a massa tende a ficar seca e pesada.
As câmaras de fermentação, operando em modo frio e com controle de umidade, são responsáveis pela fermentação lenta da massa.
Quanto aos fornos, tanto o turbo quanto o lastro atendem bem.
A escolha depende do perfil do produto e do posicionamento de venda.
Independentemente do modelo, é importante considerar a capacidade pensando em crescimento da demanda.
Processo de produção da ciabatta
Uso de fermento natural
Ao utilizar levain líquido, é necessário ajustar a quantidade de água da formulação, pois o fermento natural já adiciona umidade à massa.
Também é importante observar o nível de acidez e avaliar a aceitação do público.
Alguns profissionais utilizam pequena quantidade de fermento biológico seco, em torno de 0,5%, para melhorar a gaseificação.
Isso evita que o pão fique denso, especialmente para consumidores não habituados ao fermento natural.
Amassamento
A água deve ser incorporada aos poucos durante o amassamento, permitindo a formação de uma rede de glúten elástica e resistente.
Uma técnica comum é realizar a autólise, misturando farinha e parte da água e deixando descansar por cerca de duas horas a frio.
Esse processo melhora a absorção de água e facilita o desenvolvimento da massa.
Após o amassamento, a massa é porcionada e armazenada em caixas plásticas untadas, devidamente cobertas.
Fermentação longa
As caixas seguem para a câmara fria ou fermentadora por, no mínimo, 12 horas.
Esse período costuma coincidir com o horário em que a padaria está fechada, otimizando o uso dos equipamentos e o fluxo de produção.
É importante não exceder o tempo de fermentação, pois isso pode comprometer a qualidade ou causar perda do produto.
Divisão da massa
A divisão pode ser feita diretamente das caixas.
As divisoras específicas para massas altamente hidratadas garantem rapidez, padronização e preservação dos gases da fermentação.
No processo manual, há maior risco de variação de peso entre unidades e maior consumo de tempo.
Assamento
O forno deve estar bem pré-aquecido. A vaporização pode ser moderada, conforme o perfil desejado.
Pães com gramatura acima de 450 g costumam levar entre 35 e 45 minutos para assar, atingindo coloração intensa e estrutura adequada.
Ciabatta e seu potencial comercial na padaria
A ciabatta é um pão de fermentação longa com alto valor agregado.
O preço deve estar alinhado ao perfil do público atendido.
A qualidade final resulta do equilíbrio entre ingredientes, processo, equipamentos e controle de produção.
Com planejamento e execução correta, a ciabatta pode se tornar um produto estratégico no portfólio da padaria.
Para aprofundar o tema, vale conferir também
como escolher o forno ideal para a sua produção.
