Cook and Chill: como funciona o sistema pronto?

Prática • 31 de julho de 2019
Um prato branco coberto com salmão grelhado e vegetais.

Cook and Chill é um sistema de produção antecipada no qual os alimentos são cozidos, resfriados rapidamente, armazenados sob refrigeração e regenerados antes do serviço.


O método separa parte do preparo dos horários de atendimento e permite produzir em lotes programados.


O controle de tempo e temperatura conecta todas as etapas.


Com um fluxo validado, restaurantes, hotéis, hospitais, cozinhas industriais e centrais de produção podem reduzir variações entre lotes e distribuir melhor a carga de trabalho.


As preparações refrigeradas também agilizam o atendimento nos picos de demanda.


O que é Cook and Chill?


A expressão Cook and Chill significa cozinhar e resfriar. Após a cocção, a temperatura do alimento precisa cair rapidamente até a faixa de refrigeração.


O produto permanece refrigerado por um período definido e passa por regeneração pouco antes do consumo.


O método não corresponde ao congelamento. No Cook and Chill, o alimento continua refrigerado.


Quando a produção envolve congelamento rápido e armazenamento em temperaturas negativas, o processo é chamado Cook and Freeze.


O sistema também não depende apenas dos equipamentos.


Recipientes, porções, carga, circulação de ar, medição no núcleo, identificação dos lotes, prazo de validade e condições de transporte interferem no resultado.


Como funciona o processo Cook and Chill?


O fluxo possui quatro etapas: cocção, resfriamento rápido, armazenamento refrigerado e regeneração.


Cada fase precisa ter parâmetros definidos para o produto, o volume produzido e os requisitos sanitários aplicáveis à operação.


1. Cocção com medição no núcleo


O alimento deve atingir a temperatura estabelecida para a preparação em todas as suas partes.


A RDC 216/2004 determina tratamento térmico capaz de levar o alimento a, no mínimo, 70 °C.


Combinações diferentes de tempo e temperatura podem ser utilizadas quando sua eficácia estiver comprovada.


A medição deve ser feita no núcleo ou na região de aquecimento mais lento.


Cor, textura e tempo de forno não substituem a leitura com uma sonda limpa e calibrada.


O forno combinado pode ser utilizado nessa fase por permitir o controle de temperatura, vapor e tempo.


Receitas programadas também ajudam a repetir o mesmo ciclo entre diferentes lotes.


2. Resfriamento rápido


Após a cocção, o alimento deve seguir para o resfriamento sem permanecer desnecessariamente em temperatura ambiente.


Segundo a RDC 216/2004, a temperatura precisa cair de 60 °C para 10 °C em até duas horas.


Depois, o produto deve ser mantido abaixo de 5 °C ou congelado a, no máximo, -18 °C.


O resfriamento rápido é realizado em abatedor de temperatura ou ultracongelador com ciclo positivo.


O equipamento retira calor do produto em menor tempo que uma câmara refrigerada convencional e evita que grandes cargas quentes elevem a temperatura dos demais itens armazenados.


A velocidade depende de fatores como:


  • peso e espessura da porção;
  • profundidade do recipiente;
  • densidade e composição do alimento;
  • temperatura inicial;
  • espaço entre as cubas;
  • capacidade e carga do equipamento.


Recipientes rasos, porções menores e circulação de ar sem bloqueios favorecem a retirada de calor.


A leitura da sonda confirma quando o núcleo atingiu o parâmetro definido.


3. Armazenamento refrigerado e identificação


Ao terminar o ciclo, o lote deve ser transferido para refrigeração controlada.


A RDC 216/2004 determina temperatura inferior a 5 °C. Para alimentos preparados conservados a 4 °C ou menos, o prazo máximo de consumo é de cinco dias. Se a temperatura ficar acima de 4 °C e abaixo de 5 °C, esse prazo deve ser reduzido.


O limite de cinco dias não deve ser aplicado automaticamente a qualquer preparação.


Formulação, manipulação, embalagem, contaminação inicial, transporte e oscilações da cadeia fria podem exigir um período menor.


O responsável técnico deve definir e validar a validade de cada produto conforme a legislação local.


Cada recipiente precisa indicar, no mínimo:


  • nome do produto;
  • data de preparo;
  • prazo de validade;
  • identificação do lote;
  • instruções de regeneração, quando necessárias.


Alimentos crus e cozidos devem permanecer separados para reduzir o risco de contaminação cruzada.


A organização por data também facilita a rotação do estoque e o rastreamento de desvios.


4. Regeneração antes do serviço


Regeneração é o aquecimento controlado do alimento refrigerado até a temperatura estabelecida para o serviço.


O objetivo é aquecer toda a porção sem ressecar a superfície, deixar o centro frio ou prolongar a permanência na faixa de risco microbiológico.


O equipamento e o programa precisam ser escolhidos conforme volume, composição e acabamento esperado.


Fornos combinados atendem cubas e cargas maiores. Micro-ondas profissionais podem aquecer porções compatíveis.


Os Speed Ovens são indicados para finalização ou regeneração rápida de itens refrigerados ou congelados que também precisam de acabamento externo.


A temperatura deve ser conferida no núcleo.


Depois da regeneração, o alimento precisa seguir diretamente para o consumo ou para a manutenção quente dentro dos parâmetros sanitários definidos pela operação.


Temperaturas de cocção, resfriamento e armazenamento


Os principais parâmetros federais para serviços de alimentação são:


  • cocção em, no mínimo, 70 °C em todas as partes do alimento, salvo combinação equivalente comprovada;
  • redução de 60 °C para 10 °C em até duas horas;
  • conservação refrigerada abaixo de 5 °C;
  • prazo máximo de cinco dias quando o alimento preparado permanece a 4 °C ou menos;
  • manutenção de alimentos quentes acima de 60 °C por até seis horas.


Esses limites constam na RDC 216/2004 e na cartilha da Anvisa para serviços de alimentação.


Estados e municípios podem adotar exigências complementares.


O responsável técnico deve verificar as normas que se aplicam ao estabelecimento.


Cook and Chill ou Cook and Freeze?


Cook and Chill utiliza resfriamento rápido e armazenamento refrigerado.


É adequado quando a preparação será consumida dentro de um intervalo curto, definido pela validação e pelos limites sanitários.


Cook and Freeze acrescenta o congelamento rápido após a cocção.


O armazenamento ocorre em temperatura negativa e pode atender planejamentos com períodos maiores, distribuição para múltiplas unidades ou formação de estoque.


Antes do consumo, o produto precisa seguir um processo definido de descongelamento ou regeneração.


A decisão depende do prazo necessário, da distância entre produção e serviço, da frequência de abastecimento e do comportamento de cada alimento.


Leia também como o ultracongelamento é aplicado na gastronomia.


Quais alimentos respondem bem ao processo?


Preparações com umidade e estrutura capazes de suportar resfriamento e reaquecimento costumam responder bem ao método.


Entre elas estão molhos, sopas, caldos, ensopados, carnes cozidas, aves, pescados, arroz, feijão, legumes preparados, massas com molho e refeições porcionadas.


O desempenho deve ser testado antes da adoção em escala. Folhas, frituras prontas, empanados já finalizados e itens que dependem de crocância imediata podem perder textura durante a refrigeração.


Em alguns casos, a solução é resfriar componentes separadamente e concluir a montagem ou a finalização no momento do pedido.


Os testes precisam registrar rendimento, perda de peso, textura, tempo de resfriamento, temperatura no núcleo e resultado após a regeneração.


Esses dados indicam se a preparação é compatível e qual programa deve ser utilizado.


Benefícios da produção antecipada


O ganho central está na separação entre produção e atendimento.


Em vez de concentrar cocção, montagem e serviço no mesmo período, a cozinha pode programar lotes em horários com menor carga e regenerar conforme a demanda.


Esse fluxo pode gerar resultados mensuráveis:


  • redução de preparo excedente quando a regeneração ocorre conforme os pedidos;
  • menor variação entre lotes com receitas, porções e ciclos registrados;
  • distribuição das tarefas ao longo do turno;
  • abastecimento de lojas a partir de uma central de produção;
  • menor tempo de finalização durante os picos;
  • rastreabilidade por lote, data e temperatura;
  • uso planejado de insumos próximos ao prazo definido pela operação.


Os resultados dependem da previsão de demanda, do cumprimento dos procedimentos e da capacidade correta dos equipamentos.


O método não elimina desperdícios nem riscos microbiológicos por si só.


Equipamentos necessários


Equipamento de cocção


Panelas industriais, caldeirões e fornos podem compor a etapa de cocção.


O forno combinado oferece controle de ar quente, vapor e modo combinado, além da possibilidade de medir a temperatura interna com sonda em modelos compatíveis.


Abatedor de temperatura ou ultracongelador


O equipamento precisa oferecer ciclo de resfriamento compatível com o Cook and Chill.


Os ultracongeladores e abatedores de temperatura da Prática realizam resfriamento e congelamento rápido, conforme o modelo e o programa selecionado.


O dimensionamento deve considerar quilos por ciclo, tipo de alimento, espessura das porções, quantidade de cubas e frequência de produção. Informar apenas o volume interno não é suficiente para calcular a capacidade necessária.


Refrigeração e transporte


Câmaras, refrigeradores e veículos precisam manter a temperatura prevista durante todo o período de armazenamento e distribuição.


Termômetros, registros e alarmes ajudam a identificar oscilações antes que o lote siga para o serviço.


Equipamento de regeneração


Forno combinado, micro-ondas profissional e Speed Oven atendem volumes e produtos diferentes.


A escolha deve considerar tamanho da porção, velocidade necessária, retenção de umidade, acabamento externo e número de pedidos por hora.


Como implantar o sistema


A implantação começa pelo mapeamento do fluxo, não pela compra isolada de equipamentos.


A operação deve:


  1. selecionar preparações compatíveis;
  2. definir porções, recipientes e carga por ciclo;
  3. estabelecer limites de tempo e temperatura;
  4. validar cocção, resfriamento, armazenamento e regeneração;
  5. calibrar sondas e termômetros;
  6. criar registros por lote;
  7. definir validade e critérios de descarte;
  8. treinar as equipes de produção, armazenamento, transporte e serviço;
  9. verificar periodicamente os registros e resultados.


O APPCC, sigla para Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, pode organizar a identificação dos riscos e das medidas de controle.


Cocção, resfriamento, cadeia fria e regeneração precisam ser avaliados conforme o alimento e o fluxo do estabelecimento.


Perguntas frequentes


É possível resfriar os alimentos em uma geladeira comum?


Uma geladeira não foi projetada para retirar rapidamente o calor de grandes cargas recém-cozidas.


Colocar alimentos quentes em alto volume também pode elevar a temperatura dos produtos armazenados.


O resfriamento deve cumprir os limites definidos pela legislação e ser comprovado por medição no núcleo.


Para operações regulares, utiliza-se um abatedor de temperatura ou ultracongelador com ciclo positivo.


Por quanto tempo um alimento Cook and Chill pode ficar armazenado?


A RDC 216/2004 estabelece prazo máximo de cinco dias para alimentos preparados mantidos a 4 °C ou menos.


Esse período pode ser menor conforme produto, manipulação, embalagem, transporte e legislação local.


A validade precisa ser definida pelo responsável técnico e identificada em cada lote.


Todo ultracongelador pode ser usado no Cook and Chill?


O equipamento deve possuir ciclo de resfriamento positivo, capacidade compatível e sistema de controle adequado ao processo.


Um programa destinado apenas ao congelamento não substitui a validação do resfriamento rápido.


O mesmo alimento pode ser regenerado novamente?


A operação deve evitar ciclos repetidos de aquecimento, resfriamento e novo aquecimento.


Cada passagem amplia a exposição a faixas de temperatura críticas e pode prejudicar textura e rendimento.


O procedimento de regeneração, manutenção quente e descarte deve ser definido pelo responsável técnico.


Como escolher entre Cook and Chill e Cook and Freeze?


Cook and Chill atende períodos refrigerados mais curtos e abastecimento frequente.


Cook and Freeze utiliza congelamento para ampliar o intervalo entre produção e consumo.


A escolha depende do prazo, da distância de distribuição, do espaço de armazenamento e da resposta sensorial do produto.


Produção antecipada com controle de temperatura


Cook and Chill é indicado para operações que conseguem controlar todas as etapas, desde a cocção até o serviço.


A viabilidade deve ser avaliada com testes de produto, medição no núcleo, registros, capacidade de resfriamento e definição técnica da validade.


Para dimensionar o fluxo, é necessário levantar quilos produzidos por ciclo, horários de pico, número de unidades abastecidas e tipos de preparação.


Esses dados orientam a escolha do equipamento de cocção, do abatedor de temperatura, da refrigeração e do sistema de regeneração.


Veja como o ultracongelamento é aplicado na gastronomia e as diferenças entre equipamentos de congelamento conhecidos e o ultracongelador.