Como fazer cupim macio: métodos, tempos e temperos

Prática • 7 de janeiro de 2026
Cupim assado fatiado sobre tábua de madeira com faca e tigela de ketchup ao lado.

O cupim é um dos cortes bovinos mais emblemáticos do Brasil, reconhecido pelo sabor marcante e pela textura suculenta quando preparado da forma correta.


Ao mesmo tempo, é uma carne que gera muitas dúvidas, especialmente entre quem está começando a explorar cortes dianteiros e técnicas de cocção lenta.


Continue lendo e explore mais sobre ele e as técnicas para dominar seu preparo.


O que é o cupim e onde ele fica?


O cupim é um corte localizado na parte dianteira do boi.


Fica acima da paleta, formando a protuberância característica das raças zebuínas, como o Nelore.


O corte não existe em raças europeias, o que torna o cupim um produto muito associado à culinária brasileira.


Ele é composto por fibras firmes e grande quantidade de gordura intramuscular, característica conhecida como marmorização, que define grande parte do seu sabor, aroma e textura após o preparo.


É carne magra?


Não. O cupim tem alta quantidade de gordura entremeada, o que o coloca entre os cortes mais gordurosos do boi.


Essa gordura, porém, é essencial para garantir suculência e sabor durante o cozimento.


É carne de primeira ou de segunda?


O cupim costuma ser classificado como carne de segunda, porém essa expressão pode gerar interpretações equivocadas.


A forma adequada é tratá-lo como um corte dianteiro.


Essa distinção não está ligada à qualidade, e sim às características das fibras, que apresentam maior densidade e exigem tempo de cocção prolongado.


Em outras palavras, é um corte que pede preparo cuidadoso para alcançar o seu melhor resultado.



Quando trabalhado com técnica, pode atingir um nível comparável ao de cortes tradicionalmente considerados de primeira.


Cupim é uma boa carne?


Sim. Para quem busca sabor, o cupim é excelente.


Seu alto nível de marmorização entrega um perfil sensorial rico, resultado muito valorizado em churrascos e assados longos.


É um corte que recompensa tempo e técnica.


É saudável?


Sim, porém com moderação.


Por ser um corte gorduroso, não é o mais indicado para dietas com baixa ingestão de lipídios.


No entanto, quando consumido de forma equilibrada, faz parte de uma alimentação normal, sem contraindicações específicas para pessoas saudáveis.


É uma carne dura ou mole?


Por natureza, o cupim é duro devido às fibras musculares compactas.


Ele só se torna
macio quando submetido a calor baixo e prolongado, que derrete a gordura interna e quebra o colágeno das fibras.


Qual é o gosto do cupim?


O cupim tem sabor:


  • marcado,
  • levemente adocicado,
  • muito suculento,
  • com aroma intenso, decorrente da gordura entremeada.


Quando preparado no bafo ou defumado, seu sabor ganha ainda mais profundidade.


Como preparar o cupim para que fique macio e suculento


O segredo absoluto do cupim é tempo.


Não existe preparo rápido que entregue o mesmo resultado de cocções longas.


Os métodos mais eficazes incluem:


1. Forno convencional doméstico ou industrial à gás


  • Selar a peça antes de levar ao forno (opcional, mas recomendável).
  • Temperatura entre 160 e 180 °C.
  • Usar papel-alumínio para criar ambiente úmido.
  • Assar de 3 a 4 horas, ou até atingir maciez.


2. Churrasqueira (cupim no bafo)


  • Fogo indireto.
  • Ambiente fechado da churrasqueira.
  • Entre 4 e 6 horas de cozimento.
  • Pode ser finalizado no calor forte para formar crosta.


3. Panela de pressão


  • Ideal para quem precisa de resultado mais rápido.
  • 1h30 a 2h, dependendo do tamanho da peça.
  • Pode ser finalizado no forno ou grelha para dourar.


4. Cozidos em cubos


Os cubos de cupim funcionam muito bem:


  • em ensopados,
  • em preparações de panela,
  • desfiados para recheios.


Como deixar o cupim macio e evitar que fique duro


Técnicas essenciais de maciez


  1. Cocção lenta em baixa temperatura é o método mais eficaz.
  2. Ambiente úmido: use papel-alumínio, caldo ou panela fechada.
  3. Não cortar a peça antes da primeira fase de cozimento, para evitar ressecamento.


Dicas de temperos e marinadas para um cupim mais saboroso


Temperos secos


  • Sal grosso
  • Pimenta-do-reino
  • Páprica picante ou defumada
  • Alho em pó
  • Cebola em pó
  • Cominho, em pequenas quantidades


Ervas


  • Alecrim
  • Tomilho
  • Louro


Líquidos para marinada


  • Vinho tinto
  • Cerveja escura
  • Suco de limão
  • Vinagre
  • Shoyu
  • Caldo de carne ou legumes


Esses líquidos ajudam na maciez ao mesmo tempo que carregam aromas para dentro da carne.


Cupim: vale a pena?


Sim. O cupim é um corte que recompensa quem tem paciência. Quando preparado da forma correta, entrega:


  • maciez profunda,
  • sabor marcante,
  • excelente suculência.


É uma carne versátil que pode ser usada em churrascos, assados, cozidos e até em recheios.


Cupim no forno combinado: técnicas profissionais para alto rendimento


O forno combinado transformou a forma de preparar carnes em cozinhas profissionais, especialmente cortes que exigem longos tempos de cocção, como o cupim.


No método convencional, assados prolongados tendiam a apresentar diversos problemas como perda de peso elevada, irregularidade no ponto, ressecamento, perda de sabor, textura comprometida e queimaduras superficiais.


Além disso, exigiam o uso de papel-alumínio, celofane e marinadas complexas para tentar preservar umidade e aroma.


Com o forno combinado, o processo torna-se mais padronizado, rápido, limpo e eficiente, permitindo realçar o sabor natural da carne com menor necessidade de temperos elaborados.


A tecnologia de controle de umidade, temperatura e circulação uniforme de calor proporciona não apenas rendimento superior, mas também textura macia e acabamento uniforme.


A seguir, confira três métodos recomendados para preparar cupim no forno combinado.


1. Produção rápida (cocção direta a vapor)


Esse método prioriza agilidade e mantém alta suculência, utilizando exclusivamente vapor.


Função: Vapor 100%
Temperatura: 98°C
Temperatura da sonda: 85°C
Tempo: varia conforme o peso da peça


É a técnica ideal quando o objetivo é produzir grandes volumes com consistência, mantendo a carne úmida e com excelente rendimento.


2. Cocção lenta (slow cooking / cocção noturna)


A cocção em baixa temperatura proporciona maciez superior, permitindo que o colágeno se transforme lentamente em gelatina, sem perder umidade.


É amplamente utilizada em operações que desejam padronização e praticidade ao iniciar o dia com a carne já pronta.


Função: Cocção noturna ou Vapor Combinado
Temperatura: 85°C
Temperatura da sonda: 85°C
Tempo: varia conforme o peso da peça


Esse método é especialmente indicado para cupins destinados a fatiamento, pois mantém estrutura, suculência e textura uniforme.


3. Vapor combinado (cocção acelerada com acabamento moderado)


O vapor combinado acelera o cozimento ao unir calor seco e umidade controlada, garantindo excelente equilíbrio entre velocidade e qualidade.


Função: Vapor Combinado
Temperatura: 120°C
Temperatura da sonda: 85°C
Tempo: varia conforme o peso da peça


É uma técnica flexível, permitindo ajustar o nível de douramento posteriormente conforme o padrão desejado pelo estabelecimento.


Acabamento (dourar e texturizar)


Após atingir a temperatura interna desejada, o cupim pode receber acabamento para intensificar cor, aroma e aparência.


Função: Ar quente seco
Temperatura: 180°C
Tempo: variável conforme o peso e o douramento desejado


Esse passo é opcional e deve ser ajustado conforme o padrão de apresentação do estabelecimento.


Uso da sonda de núcleo


A sonda de núcleo é um elemento crucial para padronização profissional.


Com medição interna precisa, evita erros de ponto e garante que cada peça atinja a maciez desejada.


Como utilizar:


  • Inserir a sonda no ponto mais alto e mais denso da peça.
  • Acompanhar o processo até atingir 85°C no centro.
  • Registrar o tempo total de cocção para reproduções futuras.


Após o primeiro teste com sonda, é possível operar por tempo caso as peças tenham peso padronizado.


Como determinar o tempo ideal de assamento para cupim


O tempo depende exclusivamente do peso da peça e da temperatura interna desejada.


  • A 85°C, o cupim atinge sua melhor maciez para fatiamento.
  • A temperaturas abaixo disso, o ponto fica mais firme e menos suculento.
  • Acima de 85°C, a carne começa a desmanchar, tornando-se excelente para desfiar, mas inadequada para cortes estruturados.


Manejo correto e resultado


Dominar o preparo do cupim começa por compreender sua estrutura, seu teor de gordura e a forma como ele reage ao calor.


Quando trabalhado com paciência e método, o corte entrega resultados que valorizam qualquer operação, do serviço diário ao volume em grande escala.


Veja como o forno combinado aprimora o preparo desta e de outras proteínas em outro conteúdo do nosso Blog Prática.