Fermento: biológico, natural ou químico?

Prática • 16 de novembro de 2023
Um pote de fermento natural ao lado de uma pilha de farinha.

Fermento biológico, natural ou químico. Você conhece a diferença entre eles?


Na culinária e na panificação, o processo de fermentação é determinante para textura, volume e sabor dos produtos.


Embora todos tenham a função de transformar ingredientes simples, suas bases, tempos de ação e mecanismos são distintos.


Entender essas diferenças ajuda padeiros, confeiteiros e cozinheiros a fazer escolhas mais adequadas para cada preparo.


A seguir, veja como funciona cada tipo de fermento, suas aplicações e características.


O que é fermento químico?


O fermento químico é utilizado para fazer massas crescerem rapidamente no forno, deixando-as mais leves e macias.


Ele é formado por uma combinação de substâncias que liberam dióxido de carbono (CO₂) quando entram em contato com líquidos e calor.


Esse gás forma bolhas de ar na massa, responsáveis pelo crescimento e pela textura aerada do produto final.


Os exemplos mais comuns são:


  • Bicarbonato de sódio
  • Fermento em pó


O bicarbonato de sódio precisa de um ingrediente ácido, como limão, vinagre ou iogurte, para reagir e liberar o CO₂.


Já o fermento em pó possui um ácido em sua composição, o que permite sua ativação apenas com líquido e calor.


O que é fermento biológico?


O fermento biológico é um agente de fermentação amplamente utilizado na panificação e em alguns produtos de confeitaria.


Ele é composto por micro-organismos vivos, principalmente leveduras, que transformam os açúcares da massa em dióxido de carbono e álcool por meio da fermentação.


O CO₂ liberado fica retido na massa, criando bolhas de ar que resultam em produtos leves e macios após o cozimento.


As leveduras são fungos unicelulares que se alimentam dos açúcares disponíveis, liberando gás como parte do seu metabolismo.


Esse processo ocorre antes de a massa ir ao forno e exige tempo para atingir o volume desejado.


O fermento biológico pode ser encontrado em duas formas:


  • Fresco
  • Seco instantâneo


Cada tipo possui características próprias de uso, ativação e dosagem.


Saccharomyces cerevisiae e sua função


O Saccharomyces cerevisiae é uma espécie de levedura pertencente ao reino dos fungos.


É conhecido como levedura de pão ou de cerveja e desempenha papel essencial na produção de alimentos fermentados, como pães, cervejas e vinhos.


Essa levedura realiza a fermentação alcoólica, convertendo açúcares em álcool e dióxido de carbono, além de gerar calor e outros subprodutos.


Na panificação industrial e artesanal, o Saccharomyces cerevisiae é o principal micro-organismo utilizado na produção do fermento biológico.


Durante o processo, ele consome os açúcares da massa e libera CO₂, permitindo que a massa cresça e adquira textura adequada durante o cozimento.


O que é fermento natural?


O fermento natural, também chamado de fermento selvagem, massa madre ou levain, é um método tradicional de fermentação utilizado na panificação.


Diferente dos fermentos industrializados, ele utiliza leveduras e bactérias presentes naturalmente no ambiente e nos ingredientes.


Sua produção ocorre a partir da mistura de farinha e água, mantida em condições favoráveis para o desenvolvimento desses micro-organismos.


Com alimentações regulares, a cultura se mantém ativa e equilibrada, formando uma massa madre rica em leveduras selvagens e bactérias ácido-láticas.


Esse tipo de fermentação é mais lento e pode levar várias horas ou até dias. Durante esse período, ocorrem dois processos simultâneos:


  • Fermentação alcoólica
  • Fermentação láctica


Além do dióxido de carbono, há produção de ácidos orgânicos, responsáveis por sabor, aroma e estrutura característicos.


O fermento natural também carrega um vínculo histórico com a panificação, já que, antes da existência dos fermentos industrializados, essa era a única forma de fermentação disponível.


Quando utilizar cada tipo de fermento?


De forma geral, o fermento químico é utilizado em bolos, tortas e produtos de confeitaria.


Já o fermento biológico e o natural são mais comuns na panificação.


Atualmente, algumas receitas exploram combinações diferentes, como bolos com fermentação natural ou pães feitos com fermento químico.


Ainda assim, a principal diferença entre eles está no tempo de ação.


O fermento químico atua quase imediatamente no forno.


Já o fermento biológico exige um período de descanso para que a massa cresça antes do cozimento.


Em padarias convencionais, pães como o francês e os pães doces costumam fermentar por até duas horas.


Esse tempo atende à demanda produtiva e permite alcançar volume adequado.


Em condições não controladas, períodos maiores podem levar à fermentação excessiva.


Nos pães de fermentação natural, o tempo é um fator determinante.


Processos entre 6 e 12 horas, ou até superiores, contribuem para qualidade, sabor e estrutura.


No entanto, ultrapassar o ponto ideal pode comprometer o resultado, além de ocupar espaço produtivo e atrasar o fluxo de produção.


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