Lámen ou rāmen: você já conhece?

Prática • 2 de dezembro de 2019
Uma tigela de ramen com pauzinhos dentro

Quem assistiu à série Naruto certamente se lembra da paixão do jovem ninja por uma boa tigela de rāmen.


A preferência do personagem ajudou a despertar a curiosidade de fãs de mangás e animes em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.


Outro nome da cultura pop que contribuiu para ampliar essa popularidade foi o Panda Po, protagonista de Kung Fu Panda.


O interesse pelo prato, porém, vai muito além do entretenimento.


Em 2018, o cinema colocou o rāmen no centro da narrativa em Ramen Heads, filme que mostra como aromas, memória afetiva e sensações podem surgir diante de um caldo fumegante preparado com cuidado.


Nada disso acontece por acaso.


O rāmen ocupa um espaço importante na culinária asiática e ganhou relevância também nos restaurantes brasileiros.


O sabor intenso, o valor nutricional e a variedade de combinações possíveis ajudam a explicar sua aceitação em grandes centros urbanos e regiões de clima mais frio.


São Paulo, que abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão, é um dos exemplos desse crescimento.


A seguir, veja como surgiu o rāmen, quais são seus principais estilos e por que ele continua atraindo consumidores e restaurantes.


Lámen ou rāmen: o que é esse prato?


O rāmen, grafado em português como lámen, é um macarrão preparado com farinha de trigo, água, sal e kansui, solução alcalina que garante elasticidade à massa e sua coloração levemente amarelada.


Esse noodle japonês é servido em caldo quente e recebe diferentes combinações de temperos e acompanhamentos conforme a região e o estilo de preparo.


Os caldos podem utilizar ossos de porco, frango, peixes, frutos do mar ou vegetais.


Já os complementos incluem ingredientes como shoyu, missô, cebolinha, algas, ovos, brotos e carnes variadas.


Em algumas regiões do Japão, principalmente durante o verão, existem também versões frias, como o hiyashi chūka.


Qual a origem do lámen?


A origem do prato está na China.


As técnicas de preparo do macarrão e dos caldos chegaram ao Japão provavelmente no século XIX, levadas por comerciantes chineses.


As primeiras versões já combinavam noodles de trigo com caldo quente e carne suína assada ao estilo chinês.


Após a Segunda Guerra Mundial, o rāmen passou a ganhar ainda mais espaço no Japão.


Era uma refeição acessível, nutritiva e relativamente simples de preparar em um período de reconstrução econômica.


Com o passar dos anos, diferentes regiões japonesas criaram interpretações próprias, transformando o prato em um dos símbolos da culinária local.


Hoje, ele ultrapassa fronteiras e aparece em restaurantes especializados em várias partes do mundo.


No Brasil, o crescimento segue consistente.


Casas dedicadas ao preparo artesanal do prato passaram a ocupar espaço relevante em bairros gastronômicos de cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro.


O lámen é japonês ou coreano?


Apesar das raízes chinesas, o rāmen moderno é japonês.


Foi no Japão que o preparo ganhou identidade própria, estilos regionais e reconhecimento cultural.


Na Coreia existe o ramyeon, normalmente industrializado e conhecido pelo sabor picante.


Embora os nomes sejam parecidos, existem diferenças importantes entre os dois preparos em relação ao caldo, ao macarrão e à proposta de consumo.


Quais são os ingredientes do lámen?


Os ingredientes variam conforme o estilo da receita, mas alguns elementos aparecem com frequência:


  • Macarrão de trigo com kansui
  • Caldo preparado com carnes, ossos ou vegetais
  • Temperos como shoyu, missô ou sal
  • Carnes suínas, bovinas, frango ou peixe
  • Ovo cozido
  • Algas, cebolinha, cogumelos e brotos
  • Óleos aromatizados


Em muitos restaurantes japoneses, o tare também desempenha papel importante.


Esse molho concentrado ajuda a definir profundidade de sabor e equilíbrio do caldo.


O lámen é feito de arroz?


Não.


O macarrão tradicional utiliza farinha de trigo como base principal.


Algumas releituras contemporâneas podem usar outros ingredientes, mas o preparo clássico japonês não é feito de arroz.


Quais os tipos de lámen mais conhecidos?


Existem inúmeras versões regionais e autorais. Entre as mais conhecidas estão:


Shio lámen


Considerado um dos estilos mais tradicionais, utiliza sal como base de tempero.


O caldo costuma ser leve, claro e aromático, frequentemente preparado com frango e algas.


Shoyu lámen


Muito popular em Tóquio, combina caldo de frango com molho shoyu.


O resultado é equilibrado e levemente intenso, funcionando bem com carne bovina, peixe ou chashu, a tradicional carne suína cozida lentamente.


Missô lámen


Associado à região de Hokkaido, possui caldo encorpado e sabor marcante graças ao missô.


É comum encontrar broto de feijão, milho e manteiga nesse estilo, especialmente em regiões frias.


Tonkotsu lámen


Preparado com ossos de porco cozidos durante muitas horas.


O caldo adquire textura cremosa, coloração esbranquiçada e sabor profundo, rico em umami.


Tsukemen


Nesse estilo, o macarrão e o caldo são servidos separadamente.


O consumidor mergulha os noodles em um caldo bastante concentrado no momento do consumo.


Abura soba


Versão sem caldo em que o macarrão é misturado diretamente com molhos, óleo aromatizado e condimentos.


Hiyashi chūka


Servido frio, costuma aparecer durante o verão japonês.


Recebe molho leve e diferentes coberturas, como legumes, ovos e proteínas fatiadas.


Outra classificação bastante conhecida considera a densidade do caldo:


  • Kotteri: preparos encorpados e ricos em gordura e proteína
  • Assari: versões leves e delicadas, normalmente feitas com vegetais, algas ou frutos do mar


Aceitação do lámen no Brasil


O público brasileiro demonstra abertura crescente para releituras e combinações criativas.


Em bairros como Liberdade, Moema, Vila Madalena e Pinheiros, é possível encontrar desde versões tradicionais até interpretações contemporâneas com camarão, peixe fresco, cogumelos e opções vegetarianas.


A versatilidade do preparo facilita adaptações ao paladar local sem perder características importantes da culinária japonesa.


Para restaurantes, isso representa oportunidade interessante de diversificação de cardápio, principalmente em operações que trabalham com comfort food e receitas orientais.


Receita de lámen shoyu caseiro


Ingredientes


Caldo


  • 1 litro de água
  • 1 kg de ossos ou carcaça de frango
  • 1 pedaço de gengibre fatiado
  • 3 dentes de alho amassados
  • 1 cebola média
  • 1 cenoura pequena em rodelas
  • 1 talo de salsão
  • 1 alga kombu
  • 1 punhado de katsuobushi


Base de tempero


  • 4 colheres de sopa de shoyu
  • 1 colher de sopa de mirin
  • 1 colher de chá de açúcar
  • 1 colher de chá de óleo de gergelim


Guarnições


  • 2 porções de macarrão para rāmen
  • 2 ovos
  • Cebolinha fatiada
  • Nori
  • Cogumelos ou broto de bambu
  • Carne de sua preferência


Modo de preparo


  1. Cozinhe os ovos entre 6 e 7 minutos para manter a gema cremosa. Resfrie em água gelada e reserve.
  2. Ferva rapidamente os ossos de frango em água. Descarte a água inicial e lave os ossos.
  3. Coloque novamente na panela com água limpa, gengibre, alho, cebola e vegetais. Cozinhe em fogo baixo por até 2 horas.
  4. Acrescente a kombu nos minutos finais e retire antes de levantar fervura intensa. Adicione o katsuobushi, desligue o fogo e coe o caldo.
  5. Misture shoyu, mirin, açúcar e óleo de gergelim para formar a base do tempero.
  6. Cozinhe o macarrão conforme as orientações da embalagem.
  7. Monte as tigelas adicionando primeiro o tempero, depois o caldo quente, o macarrão e as guarnições.


Pequenos ajustes de sal, gordura aromatizada e intensidade do tare ajudam a personalizar o resultado.


Por que investir no preparo correto?


A qualidade do rāmen depende da atenção dedicada a cada etapa do preparo.


Tempo de cocção, equilíbrio do caldo, textura do macarrão e escolha dos ingredientes influenciam diretamente sabor, aroma e apresentação.


Equipamentos adequados também ajudam a manter padronização e eficiência operacional, especialmente em restaurantes com maior volume de produção.


Com inúmeras possibilidades de adaptação, o prato continua atual e relevante para operações que desejam ampliar variedade de menu e atender consumidores interessados em culinária oriental.


Veja também 5 dicas de como montar um cardápio de sopas e caldos e como oferecer um menu degustação no seu estabelecimento.