Quais são os pães internacionais mais populares no Brasil?

Prática • August 9, 2021
Há muitos tipos diferentes de pão na mesa.

Baguete, ciabatta, focaccia, brioche, croissant e pão italiano estão entre os pães de origem internacional encontrados em padarias, supermercados, cafeterias e outros estabelecimentos no Brasil.


Embora tenham origens, formatos e características diferentes, essas receitas mostram como fatores como hidratação, fermentação, desenvolvimento da massa, laminação e forneamento interferem no resultado.


Conhecer essas diferenças é importante para quem trabalha com panificação e deseja ampliar o portfólio sem perder o controle sobre textura, volume, crosta, miolo e padronização.


Quais pães internacionais são populares no Brasil?


Entre as variedades encontradas no mercado brasileiro estão baguete, ciabatta, focaccia, brioche, croissant e pão italiano.


Algumas utilizam formulações relativamente simples, enquanto outras dependem de maior controle de fermentação, temperatura ou laminação.


Conheça as principais características de cada uma.


Baguete


Associada à panificação francesa, a baguete se destaca pelo formato alongado, crosta e miolo alveolado. Sua formulação básica utiliza farinha, água, sal e fermento ou levain.


Em 2022, os saberes artesanais e a cultura da baguete foram inscritos pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.


Apesar da lista curta de ingredientes, seu resultado depende de variáveis como formulação, desenvolvimento da massa, fermentação, modelagem, vapor e forneamento.


Ciabatta


De origem italiana, a ciabatta apresenta formato baixo e alongado e costuma ser associada a uma massa com alta hidratação e miolo com alvéolos irregulares.


A quantidade de água interfere na consistência e exige atenção durante mistura, fermentação, manipulação e divisão. Por isso, o processo precisa considerar as características da farinha e o resultado esperado.


Seu formato permite diferentes aplicações, desde o consumo como pão de mesa até o preparo de sanduíches.


Focaccia


A focaccia é um pão italiano de formato baixo, geralmente preparado com farinha, água, fermento, sal e azeite.


Dependendo da receita, pode receber ervas, vegetais, azeitonas e outros ingredientes antes do forneamento.


A massa fermentada, o azeite e a forma de cocção contribuem para suas características de textura e sabor.


Por aceitar diferentes coberturas e formatos, pode integrar vitrines, serviço de café, lanches, entradas e outras propostas comerciais.


Brioche


De origem francesa, o brioche utiliza uma massa fermentada enriquecida com ingredientes como manteiga e ovos.


Essa composição contribui para uma textura macia, coloração característica e sabor diferente dos pães formulados principalmente com farinha, água, fermento e sal.


A presença de gordura e ovos também altera o comportamento da massa.


Temperatura, desenvolvimento, fermentação e forneamento precisam ser ajustados à formulação utilizada.


O brioche pode ser comercializado em diferentes formatos e também servir como base para sanduíches e produtos doces.


Croissant


O croissant exige um processo diferente dos pães produzidos somente por mistura, fermentação e modelagem.


Ele utiliza uma massa fermentada laminada, na qual massa e gordura são trabalhadas em sucessivas dobras.


A laminação cria camadas que se separam durante o forneamento e formam a estrutura característica do produto.


Por isso, temperatura da massa, consistência da gordura, espessura, fermentação e cocção precisam ser controladas.


Em produções profissionais, a laminadora ajuda a reduzir a massa gradualmente até a espessura definida para o processo.


Pão italiano


No Brasil, a denominação pão italiano pode abranger produtos com diferentes formulações e métodos de produção.


Em geral, está associada a pães de crosta pronunciada, miolo estruturado e formatos arredondados ou alongados.


Fermentação, hidratação, modelagem, vapor e forneamento interferem diretamente no resultado.


Dependendo da receita, podem ser utilizados fermento biológico, fermento natural ou uma combinação definida pelo processo da padaria.


O que diferencia esses tipos de pão?


A origem é apenas uma das diferenças. As características de cada produto resultam da combinação entre ingredientes e processo.


A hidratação altera a consistência da massa e influencia manipulação, estrutura e formação do miolo.


Massas com maior proporção de água exigem cuidados específicos durante mistura, fermentação e divisão.


A fermentação interfere em volume, estrutura, aroma, sabor e conservação.


Tempo e temperatura precisam ser controlados de acordo com a formulação e o método adotado.


Saiba mais sobre como funciona a fermentação do pão e como controlá-la.


A laminação é determinante em produtos como o croissant.


Nesse processo, a massa é reduzida e dobrada com a gordura para formar sucessivas camadas.


Já o forneamento envolve variáveis como temperatura, transferência de calor, tempo e, conforme o produto, aplicação de vapor.


Esses fatores influenciam expansão, crosta, coloração, base e estrutura interna.


Como o clima interfere na produção?


Temperatura e umidade do ambiente podem alterar o comportamento das massas.


Em dias quentes, por exemplo, a temperatura final da massa pode favorecer uma fermentação mais rápida.


Por isso, não é necessário tentar reproduzir as condições climáticas do país de origem de cada receita.


O ponto central é controlar as variáveis do processo para obter as características desejadas no produto.


Temperatura da água, temperatura da massa, quantidade de fermento, tempo de fermentação e condições da câmara podem ser ajustados conforme a formulação e o ambiente de produção.


Quando se utiliza levain, o controle também envolve atividade do fermento, alimentação e tempo de desenvolvimento.


Veja como fazer fermento natural e identificar erros comuns.


É preciso importar ingredientes?


Não necessariamente.


A escolha das matérias-primas deve considerar a função de cada ingrediente e as características desejadas no produto.


Farinha, água, fermento, sal, gorduras, ovos e demais componentes precisam ser selecionados conforme a formulação.


No caso da farinha, por exemplo, o comportamento esperado varia de acordo com hidratação, tempo de fermentação e tipo de pão.


Em vez de escolher um ingrediente apenas pela procedência, é importante avaliar se suas características atendem ao processo utilizado.


Testes de produção ajudam a definir formulações, parâmetros e fornecedores antes da inclusão de um novo item no portfólio.


Por que oferecer diferentes tipos de pão?


A inclusão de receitas internacionais permite trabalhar formatos, texturas, sabores e aplicações diferentes dentro da panificação.


Uma baguete pode atender ao consumo direto e à montagem de sanduíches.


A ciabatta também funciona como base para lanches.


A focaccia aceita diferentes coberturas.


O brioche pode ser utilizado em produtos doces ou salgados, enquanto o croissant abre possibilidades para versões simples e recheadas.


A decisão sobre quais itens produzir deve considerar o perfil dos clientes, demanda, capacidade produtiva, mão de obra, equipamentos, tempo de processo, conservação e custo da formulação.


Dessa forma, a variedade é planejada a partir das condições reais da operação.


Quais equipamentos auxiliam na produção?


Os equipamentos necessários variam conforme os pães escolhidos, o volume e o processo adotado.


Nem toda padaria precisa da mesma configuração.


Masseira


A masseira, também chamada de amassadeira, realiza a mistura dos ingredientes e o desenvolvimento da massa.


Capacidade, velocidades e características construtivas devem ser compatíveis com os produtos e volumes processados.


Para entender os critérios de escolha, consulte o artigo sobre masseiras profissionais para padarias.


Laminadora


Para produtos laminados, como o croissant, o controle da espessura é uma etapa importante.


A laminadora reduz a massa progressivamente e auxilia na obtenção das dimensões definidas para o processo.


A linha de equipamentos para panificação da Prática reúne laminadoras, fermentadoras e outras soluções destinadas a diferentes etapas da produção.


Câmara de fermentação


O controle de temperatura e umidade reduz a dependência das condições do ambiente e permite trabalhar a fermentação conforme os parâmetros definidos para cada produto.


Esse controle é especialmente relevante quando a operação trabalha com diferentes tempos de fermentação ou precisa organizar as etapas de produção ao longo do dia.


Forno


A escolha depende das características esperadas e da capacidade necessária.


Nos fornos de lastro, a transferência de calor pelo piso e pelo teto permite trabalhar parâmetros específicos de cocção.


Já os sistemas com circulação forçada de ar apresentam outro comportamento térmico e podem atender produtos e volumes diferentes.


Para conhecer essas diferenças, leia sobre como funcionam os fornos de lastro e conheça os fornos de panificação da Prática.


Ultracongelador


O ultracongelamento pode integrar processos de produção antecipada quando o produto e a formulação são compatíveis com congelamento rápido.


A etapa em que o item será congelado, as condições de armazenamento e a forma de finalização posterior precisam ser definidas e validadas para cada aplicação.


Conheça os ultracongeladores e abatedores de temperatura da Prática.


Técnica e processo definem o resultado


Baguete, ciabatta, focaccia, brioche, croissant e pão italiano apresentam características próprias e exigem diferentes cuidados de produção.


Não basta reproduzir uma lista de ingredientes: hidratação, desenvolvimento da massa, fermentação, temperatura, modelagem, laminação e forneamento precisam estar de acordo com o resultado esperado.


Antes de incluir um novo pão no portfólio, vale realizar testes, registrar os parâmetros utilizados e avaliar rendimento, tempo de produção, conservação e aceitação do público.


Para aprofundar seus conhecimentos sobre formulações, hidratação e fermentação, conheça também os tipos de massas da panificação e suas características.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.