Botulismo: cuidados no foodservice

Prática • 11 de setembro de 2024
botulismo no foodservice

O botulismo é uma doença rara e grave.


Ele é causado pela toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum.


Essa bactéria é gram-positiva, tem formato de bastonete e forma esporos altamente resistentes.


A toxina botulínica atua diretamente no sistema nervoso.


Ela pode causar paralisia muscular progressiva e, em casos graves, levar à morte.


A principal forma de contaminação ocorre pelo consumo de alimentos contaminados, geralmente mal processados ou armazenados de forma inadequada.


A Clostridium botulinum se desenvolve em ambientes sem oxigênio.


Alta umidade, baixa acidez e temperaturas inadequadas favorecem sua multiplicação.


Alimentos com pH acima de 4,6 apresentam risco elevado, especialmente quando estão em conservas, óleos ou embalagens a vácuo sem controle rigoroso.


Um ponto crítico é que alimentos contaminados pela toxina botulínica nem sempre apresentam odor, sabor ou aparência alterados.


Por isso, confiar apenas na avaliação sensorial não garante segurança.


Os sintomas incluem dificuldade para respirar, fraqueza muscular, visão dupla, boca seca e dificuldade para engolir.


Esses sinais podem evoluir rapidamente.


A busca por atendimento médico deve ser imediata.


Garantir a segurança dos alimentos no preparo, no armazenamento e no consumo é essencial para prevenir o botulismo.


Alimentos que podem ser fontes de botulismo


  1. Conservas mal preparadas, caseiras ou industriais, como palmito, milho, cenoura e pimentão.
  2. Peixes e frutos do mar processados sem controle adequado.
  3. Carnes conservadas sem tratamento térmico correto.
  4. Alimentos enlatados com latas estufadas, amassadas ou com vazamentos.
  5. Embutidos e defumados produzidos artesanalmente sem condições sanitárias controladas.
  6. Mel cru, que pode conter esporos e representa risco para bebês menores de um ano.
  7. Óleos aromatizados com alho ou ervas armazenados fora de refrigeração.
  8. Molhos e pastas caseiras conservados de forma inadequada.


Controle de temperatura e risco microbiológico


A toxina botulínica é sensível ao calor.


Ela é destruída a 85°C por pelo menos cinco minutos.


A partir de 80°C, o processo de desnaturação já se inicia.


Os esporos da bactéria são altamente resistentes.


Para eliminá-los, são necessárias temperaturas acima de 121°C por pelo menos três minutos.


Esse processo exige autoclaves ou equipamentos industriais validados.


A bactéria cresce entre 10°C e 48°C, com faixa ideal entre 35°C e 40°C.


Para reduzir riscos, alimentos devem ser mantidos abaixo de 5°C na refrigeração e acima de 60°C durante a cocção e a manutenção quente.


O tempo também é um fator crítico.


Resfriamentos lentos após a cocção aumentam o risco microbiológico.


O resfriamento deve ser rápido e controlado.


Importância do controle de pH


O controle de acidez é uma barreira fundamental.


Alimentos com pH inferior a 4,6 inibem a produção da toxina botulínica.


O uso correto de vinagre, ácidos orgânicos ou fermentações controladas reduz riscos, principalmente em conservas e produções artesanais.


Envase a vácuo e atmosfera modificada


O envase a vácuo elimina o oxigênio do alimento.


Isso cria condições favoráveis ao crescimento da Clostridium botulinum quando não há controle rigoroso.


Temperatura, pH, tempo de armazenamento e validade devem ser monitorados continuamente.


Esses métodos exigem processos validados e registros adequados.


Orientações ao consumidor


  1. Após a abertura de conservas, o alimento deve ser mantido sob refrigeração e consumido em curto prazo.
  2. Rótulos devem ser lidos com atenção, observando validade, instruções de armazenamento e consumo após abertura.
  3. Alimentos com embalagens estufadas, vazamentos ou alterações visuais não devem ser consumidos.
  4. O mel não deve ser oferecido a crianças menores de um ano, mesmo quando de origem confiável.


Como evitar o botulismo nos empreendimentos da alimentação


  1. Comprar matérias-primas de fornecedores confiáveis.
  2. Verificar sempre o estado das embalagens.
  3. Descartar produtos com estufamento, vazamentos ou deformações.
  4. Respeitar prazos de validade e condições de armazenamento.
  5. Validar processos térmicos de cocção e esterilização.
  6. Garantir cocção completa dos alimentos.
  7. Controlar o tempo e a temperatura no resfriamento.
  8. Manter perecíveis refrigerados abaixo de 4°C.
  9. Congelar alimentos a -18°C quando necessário.
  10. Higienizar mãos, utensílios, superfícies e equipamentos.
  11. Treinar equipes de forma contínua.
  12. Manter protocolos documentados de segurança dos alimentos.
  13. Realizar manutenção periódica dos equipamentos.
  14. Utilizar termômetros calibrados e manter registros.
  15. Garantir rastreabilidade de lotes e processos.


Casos de botulismo podem gerar interdições, recolhimento de produtos e impactos legais e reputacionais.


A prevenção protege a saúde do consumidor e a continuidade do negócio.


Como agir diante de alimentos suspeitos


  1. Não abrir embalagens estufadas.
  2. Não provar alimentos com odor ou aparência alterados.
  3. Isolar o produto e descartar de forma segura.
  4. Em ambientes comerciais, comunicar a vigilância sanitária quando necessário.


Esterilização de conservas


  1. Escolher ingredientes frescos e de boa procedência.
  2. Higienizar corretamente os alimentos.
  3. Esterilizar frascos e tampas em água fervente por pelo menos dez minutos.
  4. Respeitar o espaço de cabeça no envase.
  5. Garantir vedação correta.


No banho-maria, ferver os frascos por 10 a 45 minutos, conforme o alimento e o recipiente.


Após o resfriamento, verificar a vedação.


Em cozinhas profissionais, fornos combinados com vapor a 121°C permitem esterilização eficiente, desde que o processo seja validado.


Tpodo cuidado é pouco!


O botulismo está diretamente relacionado a falhas no processamento, no controle de pH, na temperatura e no armazenamento dos alimentos.


Conservas e produtos hermeticamente fechados exigem atenção constante.


A adoção de boas práticas, o controle rigoroso dos processos e a conscientização de consumidores e empreendedores são fundamentais para garantir a segurança dos alimentos, proteger a saúde pública e manter a credibilidade dos empreendimentos da alimentação.


Veja outro tópico importante em segurança dos alimentos, a salmonella e o quadro causado por esta outra bactéria, a salmolenose. Clique aqui.


Aproveite e veja também nossa entrevista com a Engenheira de Alimentos, Maria Campanati, que trata sobre Boas Práticas e outros temas relevantes para o mercado da alimentação.


*Matéria elaborada com o apoio da Engenheira de Alimentos, Maria Campanati.


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