Comfort food: saiba como conquistar os clientes pelo coração!

Prática • September 9, 2020
Um sanduíche com presunto, queijo, alface e batatas fritas em uma mesa de madeira.

Bolo de fubá, pão de queijo, macarronada, canja, feijoada ou aquela receita preparada pela família durante anos.


Alguns alimentos são associados a pessoas, lugares e momentos específicos e, por isso, despertam sensações que vão além do sabor.


Essa relação ajuda a explicar o conceito de comfort food, termo usado para alimentos ligados ao conforto emocional, à familiaridade, à nostalgia ou a recordações pessoais.


O que assume esse papel varia de acordo com a história de cada pessoa e também com seu contexto familiar, regional e cultural.


Para restaurantes, padarias, cafeterias e outros negócios do foodservice, compreender essa relação pode ajudar na criação de pratos próximos das referências do público, desde que as escolhas também sejam compatíveis com a operação da cozinha.


O que é comfort food?


Comfort food é o alimento associado a uma sensação de bem-estar, familiaridade ou nostalgia, muitas vezes por lembrar a infância, a casa, a família, uma região ou determinado período da vida.


O Cambridge Dictionary define o termo como o tipo de alimento que as pessoas costumam consumir quando estão tristes ou preocupadas e que frequentemente está associado à infância.


O Oxford Advanced Learner's Dictionary também destaca a capacidade desses alimentos de proporcionar bem-estar e lembrar o ambiente doméstico.


Isso significa que não existe uma lista universal de comfort foods.


Um prato pode despertar uma forte associação emocional em uma pessoa e não ter o mesmo significado para outra.


O contexto cultural também interfere nessa percepção.


Alimentos familiares para brasileiros podem ser muito diferentes daqueles associados ao mesmo conceito em outros países.


Por que a comida pode despertar lembranças?


A alimentação envolve diferentes estímulos sensoriais.


Aroma, sabor, textura, temperatura e aparência podem ser associados às situações nas quais determinado alimento foi consumido.


Por isso, uma receita pode remeter a almoços em família, férias, festas, viagens, uma região de origem ou uma fase específica da vida.


Essa relação também explica por que pessoas que vivem longe de sua cidade, estado ou país podem buscar preparações conhecidas.


Nesse caso, o alimento funciona como uma referência cultural e pessoal.


Uma feijoada, um pão de queijo ou um bolo de fubá, por exemplo, pode ter significados diferentes dependendo da trajetória de quem consome.


De onde surgiu o termo comfort food?


A expressão começou a circular em inglês no século XX.


Registros históricos apontam seu uso impresso pelo menos desde a década de 1960 nos Estados Unidos.


Uma das referências frequentemente citadas é uma publicação de 1966 do jornal norte-americano Palm Beach Post, que relacionava comfort food aos alimentos associados à sensação de segurança da infância.


Com o passar do tempo, a expressão passou a abranger diferentes alimentos relacionados a bem-estar emocional, familiaridade e referências culturais.


O conceito também se tornou internacional, embora os pratos classificados dessa maneira mudem bastante entre países, regiões, famílias e indivíduos.


Quais são exemplos de comfort food no Brasil?


No Brasil, diversos preparos podem assumir esse papel por fazerem parte do cotidiano familiar ou da cultura de determinadas regiões.


Entre os exemplos estão:


  • arroz e feijão;
  • feijoada;
  • macarronada;
  • canja;
  • sopas e caldos;
  • pão de queijo;
  • bolo de fubá;
  • bolo de cenoura;
  • brigadeiro;
  • pudim;
  • biscoitos caseiros;
  • escondidinho;
  • receitas regionais e familiares.


A lista não determina o que é ou não comfort food. O fator decisivo é a associação que o consumidor estabelece com o alimento.


Até mesmo produtos industrializados, congelados ou preparados em estabelecimentos comerciais podem adquirir esse significado.


O conceito não depende exclusivamente de onde a receita foi produzida.


Para operações que trabalham com itens preparados antecipadamente, veja informações sobre produtos congelados e suas possibilidades no foodservice.


Comfort food é o mesmo que comida caseira?


Não necessariamente.


Comida caseira e comfort food podem se encontrar, principalmente quando uma receita remete ao ambiente doméstico ou familiar.


Entretanto, os conceitos não são equivalentes.


Uma preparação feita em casa não se torna automaticamente comfort food.


Da mesma forma, um prato servido em um restaurante pode despertar familiaridade ou uma associação pessoal.


O elemento central está na relação estabelecida entre a pessoa e aquele alimento.


Essa distinção também ajuda negócios de alimentação a trabalhar o conceito sem tentar reproduzir artificialmente uma suposta "comida de vó" para todos os clientes.


Referências afetivas são individuais e dependem do contexto cultural do público.


Comfort food precisa ser simples?


Não. Embora muitas preparações associadas ao conceito sejam receitas familiares e conhecidas, simplicidade não é uma condição para que um alimento seja considerado comfort food.


O mesmo vale para ingredientes sofisticados, técnicas culinárias ou formas de apresentação.


O grau de elaboração não determina a relação emocional com um prato.


Para uma pessoa, pode ser uma sopa preparada com poucos ingredientes.


Para outra, uma receita regional de execução complexa ou um prato consumido apenas em ocasiões específicas.


Portanto, ao desenvolver um cardápio inspirado no conceito, faz mais sentido compreender quais referências são relevantes para o público do que estabelecer uma regra sobre simplicidade.


Comfort food é sempre uma comida calórica?


Não.


Doces, massas, frituras e outros alimentos de maior densidade calórica aparecem frequentemente associados ao termo, mas essa característica não define a categoria.


Uma sopa, uma salada, uma fruta, um prato à base de vegetais ou qualquer outra preparação pode desempenhar a mesma função quando existe uma associação pessoal ou cultural.


Por isso, classificar comfort food apenas como alimento indulgente limita o conceito.


Comfort food e slow food são a mesma coisa?


Não. Embora os dois termos apareçam no universo da alimentação, eles descrevem conceitos diferentes.


Comfort food está relacionado à percepção individual ou cultural de determinados alimentos e às sensações de familiaridade, bem-estar ou nostalgia que eles podem despertar.


Slow Food, por sua vez, é um movimento internacional relacionado à alimentação, à cultura, à biodiversidade e aos sistemas de produção.


Um mesmo prato pode ter relação com ambos em determinado contexto, mas um conceito não é sinônimo do outro.


Como trabalhar comfort food no cardápio?


Para restaurantes, cafeterias, padarias, hotéis e outras operações, o primeiro passo é conhecer o público.


Hábitos locais, faixa etária, perfil de consumo, origem dos clientes e características regionais podem indicar quais preparações possuem maior familiaridade.


Antes de incluir novos itens, vale avaliar:


  • quais pratos já apresentam boa aceitação;
  • quais receitas fazem parte dos hábitos locais;
  • quais ingredientes são reconhecidos pelo público;
  • quais produtos combinam com a proposta do estabelecimento;
  • quais preparações são viáveis para a estrutura disponível;
  • qual é o custo e o rendimento de cada receita;
  • como o item se comporta nos horários de maior demanda.


O objetivo não deve ser simplesmente adicionar receitas consideradas afetivas.


O produto precisa fazer sentido para o consumidor e para o funcionamento do negócio.


Cuidado com o excesso de opções


A variedade pode ajudar a atender diferentes preferências, mas um menu muito extenso aumenta a complexidade da cozinha.


Quanto maior o número de itens, maior pode ser a necessidade de ingredientes, estoque, mise en place, treinamento e processos diferentes.


Uma alternativa é selecionar receitas coerentes com o perfil do público e acompanhar sua aceitação antes de ampliar a oferta.


Dados de vendas também ajudam a identificar quais itens apresentam boa procura e retorno financeiro.


A engenharia de cardápio permite analisar os produtos a partir de critérios como popularidade e lucratividade.


Assim, referências culturais e preferências dos consumidores podem ser avaliadas junto aos resultados do negócio.


Padronização também importa


Um dos desafios de levar uma receita associada a sabores familiares para uma cozinha profissional é manter consistência.


Se um prato apresenta características muito diferentes a cada pedido, a percepção do cliente também muda.


Fichas técnicas ajudam a estabelecer ingredientes, quantidades, rendimento, modo de preparo e padrão de apresentação.


A organização dos processos ainda facilita treinamento, controle de custos e planejamento da produção.


Também é necessário verificar se a cozinha consegue atender ao volume previsto sem comprometer tempo, textura, temperatura e qualidade.


Essa análise deve acontecer antes da entrada definitiva de um produto no menu, especialmente quando a preparação possui muitas etapas ou apresenta alta procura.


Avalie custos e preço de venda


A relação emocional com um prato não elimina a necessidade de viabilidade financeira.


Cada item precisa ter custos conhecidos, rendimento definido e preço compatível com o posicionamento do estabelecimento.


Ingredientes, perdas, mão de obra e despesas operacionais interferem no resultado.


Por isso, receitas que parecem simples também precisam passar pelos mesmos controles dos demais produtos.


Depois da inclusão do produto, vendas, margem, desperdício e aceitação devem ser acompanhados para verificar se vale a pena mantê-lo.


Cuide da segurança dos alimentos


A origem afetiva de uma receita não muda os requisitos de uma cozinha profissional.


Seleção de fornecedores, recebimento, armazenamento, manipulação, cocção, resfriamento, conservação e distribuição precisam seguir procedimentos adequados para reduzir riscos de contaminação.


Esse cuidado ganha importância quando há produção antecipada, congelamento, resfriamento ou armazenamento de preparações prontas.


Como avaliar se os pratos funcionam no negócio?


A aceitação precisa ser acompanhada depois que a receita entra no menu.


Vendas, avaliações dos clientes, margem, desperdício, tempo de preparo e impacto sobre a rotina da cozinha ajudam a mostrar se o item funciona comercialmente.


Também é possível testar uma receita por período limitado antes de incluí-la de forma permanente.


Essa abordagem permite observar demanda e realizar ajustes de porção, apresentação, preço ou processo.


O acompanhamento é especialmente importante porque uma referência familiar para o responsável pelo estabelecimento não será necessariamente reconhecida da mesma maneira pelos clientes.


No foodservice, a proposta precisa considerar quem compra, como consome e quais produtos procura.


Dúvidas sobre comfort food


O que significa comfort food?


Comfort food é o termo utilizado para alimentos associados a bem-estar, familiaridade, nostalgia ou recordações pessoais e culturais.


O significado varia conforme as referências de cada indivíduo.


Quais são exemplos de comfort food no Brasil?


Arroz e feijão, feijoada, pão de queijo, macarronada, canja, sopas, bolo de fubá, brigadeiro e pudim podem ser exemplos.


Não existe, porém, uma lista fixa, pois a percepção depende da relação de cada pessoa com o alimento.


Comfort food precisa ser comida caseira?


Não. Preparações domésticas aparecem frequentemente associadas ao conceito, mas um alimento produzido comercialmente ou servido em um restaurante também pode despertar familiaridade e nostalgia.


Comfort food é sempre calórica?


ão. Alimentos ricos em açúcar, gordura ou carboidratos aparecem com frequência entre os exemplos, mas o valor calórico não define o conceito.


Qual é a diferença entre comfort food e slow food?


Comfort food descreve a relação emocional ou cultural de uma pessoa com determinados alimentos.


Slow Food é um movimento internacional relacionado à alimentação, cultura, biodiversidade e sistemas de produção.


Do conceito à operação


Comfort food não corresponde a uma categoria fixa de receitas.


O conceito depende da relação entre alimento, indivíduo, cultura e contexto.


No foodservice, essa característica abre espaço para trabalhar receitas familiares, preparações regionais e sabores conhecidos, mas a decisão precisa considerar também aceitação, custos, capacidade produtiva, padronização e segurança dos alimentos.


Veja também sobre o tema segurança dos alimentos e prevenção de contaminações.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.