Formação de mão de obra na panificação: como investir

Prática • September 14, 2020
Um homem está segurando um grande pedaço de massa sobre uma mesa

Encontrar profissionais qualificados é um dos desafios enfrentados por padarias, supermercados, confeitarias, centrais de produção e indústrias de panificação.


Quando faltam conhecimentos técnicos ou os processos dependem de poucas pessoas, aumentam os riscos de variações entre lotes, perdas e dificuldades para manter o fluxo produtivo.


A formação da equipe dentro da própria empresa pode ajudar a reduzir essa dependência.


Para isso, o treinamento precisa combinar conhecimento sobre os processos de panificação, segurança dos alimentos, operação dos equipamentos, receitas documentadas e critérios objetivos para acompanhar a evolução de cada colaborador.


Qualificar a mão de obra não significa apenas ensinar uma pessoa a executar determinada tarefa.


O objetivo é criar condições para que diferentes operadores consigam reproduzir os processos definidos pela padaria com segurança e regularidade.


Por que qualificar a equipe da padaria?


A produção de pães reúne etapas interdependentes.


Pesagem, mistura, divisão, modelagem, fermentação e forneamento precisam seguir parâmetros adequados para que o produto apresente as características esperadas.


Uma alteração durante a mistura pode interferir no desenvolvimento da massa e afetar as etapas seguintes.


Da mesma forma, diferenças de gramatura, tempo de fermentação ou temperatura de forneamento podem gerar produtos distintos utilizando a mesma formulação.


Por isso, o treinamento precisa ensinar não apenas o que fazer, mas também por que cada variável deve ser controlada.


No artigo sobre produção de pão francês, você pode conhecer as principais etapas e os controles envolvidos nesse processo.


O que a equipe de produção precisa aprender?


O programa de capacitação deve ser definido conforme os produtos, equipamentos, volume e organização de cada estabelecimento.


Na área de produção, alguns conhecimentos são especialmente importantes.


Pesagem e preparação dos ingredientes


O operador precisa conhecer a formulação utilizada e compreender a importância de pesar corretamente cada ingrediente.


Alterações não previstas na quantidade de farinha, água, fermento, sal, açúcar, gorduras ou melhoradores podem modificar hidratação, desenvolvimento da massa, fermentação e características do pão.


As receitas devem estar documentadas e disponíveis para consulta.


Dessa forma, o resultado não fica condicionado à memória de uma única pessoa.


Mistura e desenvolvimento da massa


O treinamento deve incluir sequência de ingredientes, tempos, velocidades, temperatura da massa e critérios utilizados para identificar o desenvolvimento adequado.

Equipamentos

 programáveis ajudam a reproduzir parâmetros previamente definidos.


A amassadeira espiral AE25, por exemplo, permite programar o processo de mistura em duas velocidades e tem capacidade máxima de 25 kg de massa.


A automação, porém, não elimina a necessidade de capacitação.


O operador precisa saber selecionar o programa correto, abastecer o equipamento, acompanhar o processo, realizar a higienização e reconhecer possíveis desvios.


Divisão e modelagem exigem padrões definidos


Depois da mistura, peso e formato precisam permanecer dentro das especificações estabelecidas para cada produto.


Na divisão manual, diferenças entre operadores podem gerar variações de gramatura.


Com equipamentos, parte dessas variáveis pode ser controlada mecanicamente.


A divisora volumétrica DVR03, por exemplo, trabalha com porções de 30 g a 400 g e permite regular velocidade e compressão da massa.


Na modelagem, também é necessário definir os ajustes de acordo com cada produto.


A modeladora MPR500 trabalha com massas de 15 g a 1.000 g e possui regulagens para diferentes formatos.


Para entender melhor essa etapa, leia também o artigo Modeladora de pães: como funciona e como escolher.


Fermentação precisa ser compreendida pela equipe


Treinar um funcionário para panificação também envolve ensinar como tempo, temperatura, umidade, formulação e condições da massa interferem na fermentação.


Não existe um único tempo adequado para todos os pães.


Cada produto exige parâmetros compatíveis com sua receita e com o resultado esperado.


Quando o estabelecimento utiliza fermentação controlada, o treinamento deve incluir seleção dos parâmetros, organização dos horários, carregamento, retirada dos produtos e higienização do equipamento.


A CFCK20 Vision permite trabalhar com temperaturas de 2 °C a 40 °C, controle de umidade e programação automática do início do processo.


Veja também como funciona a fermentação do pão e quais variáveis precisam ser controladas.


Forneamento também deve ser documentado


Temperatura, tempo, vapor e carregamento do forno precisam fazer parte das especificações de cada produto.


Nos equipamentos programáveis, as receitas podem ser cadastradas para facilitar sua reprodução.


O E250 Programável, por exemplo, permite armazenar até 100 receitas com diferentes etapas, além do preaquecimento.


Isso reduz a quantidade de parâmetros que precisam ser definidos manualmente a cada fornada.


Ainda assim, a equipe deve compreender como selecionar a receita, organizar o carregamento, avaliar o produto assado e identificar resultados fora do padrão.


Segurança dos alimentos faz parte da capacitação


Funcionários que manipulam alimentos precisam receber orientação adequada sobre higiene pessoal, manipulação, armazenamento, limpeza das instalações e prevenção de contaminações.


A RDC nº 216/2004 da Anvisa estabelece requisitos de Boas Práticas para serviços de alimentação, incluindo padarias e confeitarias.


A norma também aborda a capacitação dos manipuladores e determina os temas relacionados a higiene pessoal, manipulação higiênica e doenças transmitidas por alimentos.


Por isso, a capacitação sanitária deve integrar o programa de treinamento da empresa e considerar também as exigências dos órgãos sanitários locais.


Como criar um programa de treinamento na padaria?


O primeiro passo é transformar o conhecimento utilizado na produção em procedimentos que possam ser ensinados e consultados.


Uma forma de organizar o programa é seguir estas etapas:


  1. mapear as funções existentes na produção;
  2. definir as competências necessárias para cada função;
  3. documentar receitas, parâmetros e procedimentos;
  4. indicar responsáveis pelo treinamento;
  5. acompanhar o funcionário durante a execução;
  6. registrar as capacitações realizadas;
  7. avaliar o domínio das tarefas antes de ampliar suas responsabilidades;
  8. revisar os procedimentos quando houver mudanças em receitas, equipamentos ou processos.


Essa organização reduz a dependência da transmissão exclusivamente verbal de conhecimento.


Documente receitas e procedimentos


Uma receita profissional precisa oferecer informações suficientes para que outro funcionário consiga reproduzi-la dentro das condições estabelecidas pela empresa.


Dependendo do produto, podem ser registrados:


  • ingredientes e respectivas quantidades;
  • ordem de adição;
  • temperatura da água;
  • tempo e velocidade de mistura;
  • temperatura da massa;
  • peso das unidades;
  • ajustes de divisão e modelagem;
  • tempo, temperatura e umidade de fermentação;
  • temperatura e tempo de forneamento;
  • uso de vapor;
  • critérios de qualidade do produto pronto;
  • procedimentos de resfriamento e armazenamento.


lém das receitas, a empresa pode utilizar Procedimentos Operacionais Padronizados, checklists e registros de treinamento.


Evite concentrar conhecimento em uma pessoa


Quando somente um funcionário sabe executar uma receita ou regular determinado equipamento, sua ausência pode interromper ou alterar o fluxo produtivo.


O treinamento cruzado ajuda a diminuir esse risco.


Ele consiste em capacitar outras pessoas para executar funções além das atividades que realizam normalmente, respeitando atribuições, requisitos de segurança e nível de conhecimento.


Não é necessário que todos dominem todas as operações.


A empresa pode identificar processos críticos e preparar substitutos para cada um deles.


Assim, férias, afastamentos, mudanças de turno ou desligamentos causam menor impacto sobre a produção.


Como acompanhar a evolução profissional?


O desenvolvimento não precisa estar associado a um número fixo de meses ou anos.


Pessoas aprendem em ritmos diferentes, e a complexidade das funções varia entre estabelecimentos.


Uma alternativa é definir níveis conforme as competências demonstradas.


Nível inicial


O colaborador executa atividades básicas sob acompanhamento, conhece as regras de higiene e segurança e começa a compreender as etapas produtivas.


Nível intermediário


O funcionário consegue executar as operações sob sua responsabilidade com autonomia, seguindo receitas, procedimentos e parâmetros definidos.


Nível avançado


O profissional domina diferentes etapas, consegue identificar desvios, realizar ajustes dentro de suas atribuições e transmitir conhecimentos aos demais colaboradores.


A progressão pode considerar critérios objetivos, como domínio técnico, segurança, regularidade dos resultados, conhecimento dos equipamentos e capacidade de seguir os procedimentos estabelecidos.


Equipamentos podem facilitar o treinamento?


Equipamentos com controles definidos, regulagens precisas e programação de receitas podem diminuir algumas variações decorrentes da execução manual.


Isso não substitui o conhecimento técnico.


A tecnologia transfere parte do controle do processo para parâmetros que podem ser configurados, documentados e repetidos.


Em operações com maior volume, também é possível integrar etapas.


O GAP400, por exemplo, reúne divisão, modelagem e distribuição em um fluxo automatizado


O artigo sobre implementação dos grupos automáticos GAP400 e GAP800 mostra como esses equipamentos se inserem no fluxo produtivo de padarias, supermercados e centrais.


Ao escolher máquinas para uma operação, capacidade, mix de produtos, espaço disponível, volume de produção e qualificação dos operadores devem ser avaliados em conjunto.


A Prática reúne equipamentos profissionais para panificação para diferentes etapas, incluindo mistura, divisão, modelagem, fermentação e outras operações.


Jovem Aprendiz pode trabalhar em padaria?


A aprendizagem profissional pode ser uma das portas de entrada para novos trabalhadores no setor.


Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a Aprendizagem Profissional atende adolescentes e jovens de 14 a 24 anos.


Para pessoas com deficiência, não há limite máximo de idade.


A contratação ocorre por meio de contrato de aprendizagem e está vinculada à formação técnico-profissional.


O jovem deve estar matriculado em programa de aprendizagem oferecido por entidade qualificada.


Quando ainda não concluiu a educação básica, também devem ser observados os requisitos de frequência escolar previstos para o programa.


A contratação precisa respeitar as regras aplicáveis à idade, jornada, atividades permitidas e condições de segurança.


Por isso, a empresa deve consultar a legislação vigente e as orientações do Ministério do Trabalho e Emprego antes da admissão.


Formação interna e qualificação externa podem coexistir


O treinamento realizado na própria empresa permite ensinar receitas, equipamentos, fluxos e padrões específicos daquela operação.


Cursos externos podem complementar essa formação com conhecimentos técnicos de panificação, segurança dos alimentos, gestão, manutenção, desenvolvimento de produtos e outras áreas.


Também é útil incentivar a consulta a materiais técnicos.


O glossário de termos técnicos da produção de pães, por exemplo, reúne conceitos utilizados no cotidiano da panificação e pode servir como material complementar para profissionais em formação.


O ponto central é manter um processo contínuo de desenvolvimento compatível com as responsabilidades de cada função.


Como reduzir a dependência de mão de obra especializada?


Não existe uma única medida capaz de resolver essa questão.


O caminho passa pela combinação de treinamento, documentação, organização do fluxo e tecnologia adequada ao volume de produção.


Receitas documentadas diminuem a dependência da memória. Procedimentos estabelecem uma referência para execução.


O treinamento cruzado distribui conhecimento.


Equipamentos automatizados assumem etapas repetitivas e permitem controlar determinadas variáveis por regulagens ou programas.


Dessa forma, o conhecimento do padeiro continua essencial, mas pode ser aplicado ao controle do processo, desenvolvimento dos produtos, avaliação da qualidade e solução de desvios, em vez de ficar concentrado na execução manual de todas as etapas.


Perguntas frequentes sobre mão de obra na panificação


Como qualificar a mão de obra de uma padaria?


Comece identificando as competências necessárias para cada função.


Depois, documente receitas e procedimentos, determine quem realizará os treinamentos, acompanhe a execução das tarefas e avalie o domínio de cada atividade antes de ampliar as responsabilidades do funcionário.


O que ensinar no treinamento de funcionários?


O programa depende da função, mas pode incluir higiene, segurança dos alimentos, pesagem, preparação de ingredientes, mistura, divisão, modelagem, fermentação, forneamento, resfriamento, armazenamento, higienização e operação segura dos equipamentos.


Como padronizar o treinamento?


Utilize receitas documentadas, POPs, checklists, parâmetros de equipamentos e critérios objetivos de avaliação.


O funcionário deve receber a mesma referência utilizada pelos demais operadores da função.


Como evitar que o conhecimento fique concentrado no padeiro?


Documente os processos e capacite outros funcionários para atividades críticas.


O treinamento cruzado permite preparar substitutos para determinadas operações sem exigir que todos os colaboradores dominem todas as funções.


Automação elimina a necessidade de padeiros qualificados?


Não. Equipamentos podem automatizar tarefas, controlar variáveis e armazenar parâmetros, mas a equipe continua responsável por selecionar processos, avaliar matérias-primas, acompanhar resultados, identificar desvios, higienizar as máquinas e controlar a qualidade.


O que é aprendizagem profissional?


É uma modalidade de formação técnico-profissional destinada à inserção de adolescentes e jovens no mercado de trabalho.


O programa combina atividades de formação com atividades desenvolvidas na empresa e segue requisitos definidos pela legislação trabalhista.


Qualificação, processos e tecnologia


Formar uma equipe de panificação exige transformar conhecimento técnico em processos que possam ser ensinados, documentados, executados e avaliados.


Quando receitas, parâmetros e responsabilidades estão claros, novos colaboradores têm referências para aprender e profissionais experientes podem dedicar maior atenção ao controle da produção e à qualidade.


Equipamentos adequados complementam esse trabalho ao automatizar operações, controlar variáveis e facilitar a repetição dos parâmetros definidos pela empresa.


O resultado é uma produção menos dependente do conhecimento concentrado em poucas pessoas e preparada para manter regularidade mesmo quando a equipe muda.


Para continuar, veja também quais são os principais equipamentos para padaria e entenda a função de cada um nas diferentes etapas da produção.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.