Congelamento de pães: tire suas dúvidas sobre o processo

Prática • 6 de janeiro de 2020
Um monte de pãezinhos brancos estão em uma bandeja de metal

A produção de pães congelados permite que padarias, supermercados, indústrias e centrais de produção preparem massas com antecedência e programem fermentação e forneamento conforme a demanda.


Esse modelo ajuda a distribuir as fornadas ao longo do dia, reduzir perdas, centralizar etapas produtivas e manter regularidade entre diferentes lotes ou unidades.


O resultado, porém, depende do controle de todo o processo.


Não se trata de colocar a massa em um freezer.


A velocidade de congelamento, a temperatura, a formulação da massa, a embalagem, o armazenamento, a cadeia de frio, o descongelamento e a fermentação interferem no volume, na textura e no desempenho do pão durante o forneamento.


Por isso, entender a diferença entre congelamento convencional e ultracongelamento é um dos primeiros passos para trabalhar com pães congelados em escala profissional.


O que é o ultracongelamento de pães?


O ultracongelamento é um processo de redução rápida da temperatura utilizado para congelar massas e outros alimentos em menor tempo que os sistemas convencionais.


Na panificação, equipamentos profissionais trabalham com baixas temperaturas e circulação intensa de ar para retirar calor rapidamente do produto.


Durante esse processo, a água presente na massa se transforma em cristais de gelo.


Quanto mais lenta for essa transformação, maior tende a ser o crescimento dos cristais.


O congelamento rápido favorece a formação de cristais menores, reduzindo os danos provocados pelo gelo na estrutura da massa.


Essa característica é especialmente importante em massas que ainda passarão por fermentação e forneamento.


Por que produzir pães congelados?


 produção convencional de pão costuma concentrar diversas etapas em períodos específicos do dia.


Em padarias que precisam oferecer produtos recém-assados desde as primeiras horas da manhã, parte da produção pode começar ainda durante a madrugada.


Em operações com grande demanda, novos ciclos são necessários ao longo do expediente.


Com o congelamento da massa, algumas dessas etapas podem ser antecipadas.


A produção pode ser realizada em lotes maiores, enquanto fermentação e forneamento são programados de acordo com o consumo esperado.


Entre as principais aplicações estão:


  • distribuir melhor as fornadas durante o dia;
  • reduzir excedentes de produtos assados;
  • produzir lotes maiores em horários definidos;
  • abastecer diferentes pontos de venda;
  • centralizar a preparação das massas;
  • manter parâmetros semelhantes entre unidades;
  • reduzir a dependência de produção completa durante a madrugada;
  • adequar o volume forneado à demanda de cada período.


sse modelo também permite separar o local onde a massa é produzida daquele em que o pão será fermentado e assado.


Uma central pode preparar, modelar, congelar e distribuir as massas, enquanto lojas, supermercados ou outros pontos de venda realizam as etapas finais próximas ao horário de consumo.


Congelamento comum e ultracongelamento: qual a diferença?


A principal diferença está na velocidade com que o calor é retirado do alimento.


Em um freezer convencional, o congelamento ocorre lentamente.


Durante esse período, a água presente na massa forma cristais de gelo maiores.


No ultracongelamento, baixas temperaturas combinadas à circulação forçada de ar aceleram a troca térmica.


Equipamentos destinados a esse processo podem trabalhar com ar em temperaturas próximas de -35 °C, embora os parâmetros variem conforme equipamento, produto, carga e ciclo utilizado.


Essa temperatura do ar não deve ser confundida com a temperatura no núcleo do alimento.


O objetivo do equipamento é retirar calor rapidamente até que o produto alcance a condição definida para o processo e possa seguir para armazenamento congelado.


A velocidade dessa redução de temperatura interfere diretamente na formação dos cristais de gelo e, consequentemente, na preservação das características da massa.


No pão, diferenças no processo podem aparecer posteriormente como alterações de:


  • volume;
  • textura;
  • estrutura do miolo;
  • crocância;
  • retenção de umidade;
  • regularidade da fermentação;
  • desempenho durante o forneamento.


Por isso, um freezer destinado principalmente à conservação de produtos já congelados não desempenha necessariamente a mesma função de um ultracongelador projetado para retirar calor rapidamente.


O que acontece com a massa durante o congelamento?


massa de pão é uma estrutura formada por água, farinha, fermento e outros ingredientes que variam conforme a receita.


Quando a temperatura diminui, parte da água presente nessa estrutura começa a congelar.


Se o processo ocorre lentamente, os cristais de gelo têm mais tempo para crescer.


Cristais maiores podem provocar alterações físicas na estrutura da massa e influenciar seu comportamento após o descongelamento.


Há também outro componente importante: a levedura utilizada na fermentação.


O congelamento reduz sua atividade, mas não deve ser entendido como uma etapa que simplesmente interrompe e depois reinicia o processo sem consequências.


Formulação, tempo de armazenamento, temperatura, velocidade de congelamento e condições de descongelamento podem interferir na atividade fermentativa posterior.


Por esse motivo, massas destinadas ao congelamento precisam ter processo e formulação adequados ao período previsto de armazenamento e ao resultado esperado depois da fermentação.


Quais produtos de panificação podem ser congelados?


O congelamento profissional não se limita ao pão francês.


O processo pode fazer parte da produção de diferentes categorias, dependendo da formulação e do estágio em que cada alimento será congelado.


Entre as possibilidades estão:


  • massas cruas modeladas;
  • pães pré-assados;
  • pães assados;
  • salgados;
  • massas destinadas à fritura;
  • produtos de confeitaria;
  • tortas montadas;
  • produtos semiprontos.


Cada categoria exige parâmetros próprios.


Uma massa crua com fermento biológico, por exemplo, apresenta necessidades diferentes das de um pão pré-assado ou de um produto de confeitaria.


Por isso, tempo, temperatura e sequência das etapas precisam ser definidos de acordo com o alimento, e não apenas com a capacidade do equipamento.


Como funciona a produção de massa de pão congelada?


O fluxo depende da receita e do modelo de produção, mas uma operação com massa crua congelada pode envolver as seguintes etapas:


  1. preparo dos ingredientes;
  2. mistura e desenvolvimento da massa;
  3. divisão;
  4. modelagem;
  5. ultracongelamento;
  6. embalagem;
  7. armazenamento congelado;
  8. transporte, quando necessário;
  9. descongelamento ou preparação para fermentação;
  10. fermentação;
  11. forneamento.


A sequência exata pode variar.


Determinado produto pode exigir descanso, pré-fermentação ou outras etapas antes do congelamento.


Da mesma forma, o procedimento depois da retirada da câmara depende da formulação e do método adotado pela padaria.


O ponto central é estabelecer parâmetros reproduzíveis para cada produto.


A massa deve ser congelada antes ou depois da fermentação?


Não existe uma única sequência adequada para todos os tipos de pão.


Em processos com massa crua congelada, é comum que o congelamento ocorra antes da fermentação final.


Depois do período de armazenamento, a massa segue para as etapas necessárias de descongelamento, fermentação e forneamento.


Existem, porém, outros modelos produtivos, incluindo produtos parcialmente fermentados, pré-assados ou completamente assados antes do congelamento.


A escolha depende de fatores como:


  • formulação;
  • tipo de pão;
  • estrutura disponível no ponto de venda;
  • distância entre produção e consumo;
  • período de armazenamento;
  • capacidade de fermentação;
  • capacidade de forneamento;
  • padrão desejado para o produto final.


Em uma central que abastece diversas lojas, por exemplo, congelar a massa antes da fermentação final permite transferir parte das etapas finais para cada ponto de venda.


Como descongelar massa de pão congelada?


O descongelamento precisa fazer parte do processo definido para cada receita.


Retirar a massa do armazenamento e submetê-la a mudanças bruscas ou condições não controladas pode provocar diferenças entre lotes.


Temperatura, tempo e umidade influenciam o comportamento da massa antes da fermentação e precisam ser compatíveis com o produto.


Também é importante evitar a permanência desnecessária da massa em faixas de temperatura inadequadas.


Em operações profissionais, câmaras de fermentação permitem controlar as condições utilizadas para preparar a massa para o forneamento, de acordo com os parâmetros estabelecidos pela produção.


Como armazenar pães e massas congeladas?


Depois do ultracongelamento, o objetivo deixa de ser retirar rapidamente o calor e passa a ser conservar o produto em condições estáveis.


Essa diferença ajuda a entender as funções do ultracongelador e do equipamento de armazenamento.


Enquanto o primeiro é utilizado para promover uma queda rápida de temperatura, câmaras e freezers de conservação mantêm produtos que já estão congelados.


Temperaturas próximas de -18 °C são amplamente utilizadas para armazenamento congelado, mas o parâmetro adequado depende do alimento, da operação e dos procedimentos estabelecidos.


Além da temperatura nominal do equipamento, é necessário observar sua estabilidade.


Aberturas frequentes de portas, excesso de carga, circulação inadequada do ar e falhas na cadeia de frio podem provocar oscilações que afetam a conservação.


Por que a cadeia de frio é importante?


A cadeia de frio corresponde à manutenção das condições adequadas de temperatura durante armazenamento, movimentação e transporte.


O controle não termina quando a massa sai do ultracongelador.


Se o produto sofrer descongelamento parcial e voltar a temperaturas inferiores posteriormente, podem ocorrer alterações na estrutura dos cristais de gelo e na distribuição da água.


Na panificação, problemas ao longo dessa cadeia podem se manifestar apenas nas etapas posteriores, com:


  • fermentação irregular;
  • menor crescimento;
  • alteração de textura;
  • perda de umidade;
  • diferenças entre lotes;
  • redução da vida útil prevista.


Por isso, câmaras, embalagens, transporte e procedimentos de manipulação precisam fazer parte do mesmo controle de processo.


Qual embalagem usar para pães congelados?


A embalagem ajuda a proteger o alimento durante o período de armazenamento e transporte.


O material deve ser compatível com baixas temperaturas e oferecer proteção adequada contra perda de umidade, contaminação e danos físicos.

A escolha também depende do destino.


Produtos movimentados apenas dentro de uma central podem ter requisitos diferentes daqueles distribuídos para lojas ou comercializados diretamente ao consumidor.


No caso de produtos destinados à venda, também devem ser observadas as exigências aplicáveis de identificação, rotulagem, validade e conservação.


Uma embalagem inadequada pode favorecer ressecamento e alterações superficiais durante períodos prolongados de armazenamento congelado.


Como transportar massas e pães congelados?


Quando a produção é centralizada, o transporte passa a ser uma etapa da cadeia de frio.


O veículo deve ser adequado à conservação de produtos congelados e manter as condições previstas durante o percurso.


O cuidado é especialmente relevante em rotas com várias entregas, nas quais as portas são abertas repetidamente.


Também é necessário considerar o tempo de carregamento e descarregamento.


A estabilidade térmica deve ser observada desde a saída do armazenamento até a chegada ao destino.


Dessa forma, a unidade que recebe a massa trabalha com um produto mantido dentro das condições definidas desde a produção.


Ultracongelamento e segurança dos alimentos


O ultracongelamento não esteriliza o alimento nem elimina automaticamente todos os microrganismos presentes.


Sua contribuição para a segurança dos alimentos está relacionada principalmente ao controle de tempo e temperatura e à manutenção adequada da cadeia de frio.


Boas condições de higiene, manipulação, embalagem, armazenamento e transporte continuam necessárias.


Também é importante estabelecer procedimentos para evitar contaminação cruzada e exposição inadequada durante etapas como embalagem, movimentação e descongelamento.


Portanto, o ultracongelamento deve integrar um processo de controle, e não ser tratado isoladamente como garantia de segurança dos alimentos.


O que pode prejudicar a qualidade do pão congelado?


Quando um pão apresenta baixo volume, textura inadequada ou fermentação irregular após o congelamento, a causa pode estar em diferentes etapas.


Entre os pontos que precisam ser avaliados estão:


  • formulação inadequada para congelamento;
  • congelamento excessivamente lento;
  • parâmetros incorretos de tempo e temperatura;
  • embalagem inadequada;
  • perda de umidade;
  • oscilações durante o armazenamento;
  • interrupções na cadeia de frio;
  • período de armazenamento incompatível com a formulação;
  • descongelamento sem controle;
  • condições inadequadas de fermentação.


Avaliar somente o forno pode levar a um diagnóstico incorreto.


Um problema percebido durante o forneamento pode ter começado no congelamento, armazenamento ou descongelamento.


Quanto tempo a massa de pão pode ficar congelada?


Não existe um prazo único aplicável a todas as massas.


A vida útil depende da formulação, do fermento utilizado, da embalagem, da temperatura de armazenamento, da estabilidade da cadeia de frio e das características esperadas depois da fermentação e do forneamento.


Por isso, operações profissionais devem validar o período de armazenamento de cada produto.


Essa validação permite identificar por quanto tempo a massa mantém características aceitáveis de crescimento, volume, textura e qualidade final dentro das condições adotadas pela operação.


Como escolher um ultracongelador para padaria?


A escolha do equipamento precisa considerar o volume que deverá ser congelado em cada ciclo e não apenas a quantidade total produzida durante o dia.


Também é importante avaliar:


  • tipo de produto;
  • peso e dimensões das peças;
  • quantidade produzida por lote;
  • frequência dos ciclos;
  • tempo disponível para congelamento;
  • formato das assadeiras ou recipientes;
  • capacidade de armazenamento posterior;
  • espaço disponível;
  • infraestrutura elétrica;
  • possibilidade de crescimento da produção.


A relação entre capacidade do ultracongelador, produção e armazenamento é especialmente importante.


Aumentar a capacidade de congelamento sem prever espaço suficiente para conservar os produtos pode apenas transferir o gargalo para outra etapa.


Da mesma forma, uma grande estrutura de armazenamento não resolve limitações de um equipamento incapaz de congelar os lotes dentro do tempo necessário.


Quando o ultracongelamento vale a pena na padaria?


A adoção do processo tende a fazer maior sentido quando existe necessidade de separar o momento da produção do momento da venda ou do forneamento.


Isso pode ocorrer em:


  • padarias com várias fornadas ao longo do dia;
  • supermercados com produção própria;
  • centrais que abastecem diversas unidades;
  • redes de lojas;
  • operações com picos previsíveis de demanda;
  • negócios que produzem grandes lotes;
  • estabelecimentos que desejam reduzir excedentes de produtos assados;
  • operações que precisam transportar massas entre unidades.


O dimensionamento deve considerar o fluxo completo, desde a preparação até o armazenamento e o forneamento.


O ultracongelador é apenas uma das etapas desse sistema.


Perguntas frequentes sobre pães congelados


Pão congelado perde qualidade?


O congelamento não significa necessariamente perda de qualidade.


O resultado depende da formulação, velocidade de congelamento, embalagem, armazenamento, cadeia de frio e procedimentos adotados depois da retirada do produto.


Posso congelar pão já assado?


Sim. Pães totalmente assados também podem ser congelados.


Nesse caso, o processo, a embalagem, o descongelamento e a finalização precisam ser definidos de acordo com as características que se deseja preservar.


Pão pré-assado pode ser congelado?


Sim. O congelamento de produtos pré-assados é utilizado quando parte do forneamento ocorre antes do armazenamento e a finalização é realizada posteriormente, inclusive no ponto de venda.


Massa congelada precisa descongelar antes de fermentar?


Isso depende da formulação e do processo definido para o produto.


Temperatura, tempo e umidade precisam ser controlados para que a massa alcance as condições adequadas para fermentação e forneamento.


Freezer e ultracongelador fazem a mesma coisa?


Não. Embora ambos trabalhem com baixas temperaturas, o ultracongelador é projetado para retirar calor do alimento rapidamente.


Freezers e câmaras de conservação são utilizados principalmente para manter produtos que já estão congelados.


Pequenas padarias podem utilizar ultracongelamento?


Sim. A viabilidade depende do volume produzido, número de fornadas, perdas atuais, espaço disponível e organização da produção.


Existem capacidades de equipamento adequadas a diferentes volumes de processamento.


Planeje todo o fluxo de produção


Trabalhar com pães congelados exige olhar para todas as etapas envolvidas.


Formulação, modelagem, ultracongelamento, embalagem, armazenamento, transporte, descongelamento, fermentação e forneamento precisam funcionar como partes de um mesmo fluxo.


Quando os parâmetros são definidos para cada produto, a padaria consegue produzir com antecedência e programar as etapas finais de acordo com a demanda, sem depender da preparação integral de cada fornada imediatamente antes da venda.


Para aprofundar o tema, entenda como utilizar o ultracongelamento na panificação.