Marketing sensorial em restaurantes: o que é e como aplicar

Prática • December 16, 2019
Um grupo de pessoas está sentado em mesas em um restaurante.

A iluminação do salão, o aroma dos alimentos, o nível de ruído, a música, o conforto das cadeiras e a apresentação dos pratos interferem na forma como o cliente percebe um restaurante. Esses elementos fazem parte do marketing sensorial.


O marketing sensorial em restaurantes utiliza estímulos ligados à visão, audição, olfato, tato e paladar para criar um ambiente coerente com a proposta do estabelecimento.


Em vez de concentrar a atenção apenas no produto servido, essa abordagem considera diferentes pontos de contato durante a permanência do cliente.


Isso não significa aumentar a quantidade ou a intensidade dos estímulos. Música alta, iluminação desconfortável, odores fortes ou excesso de elementos visuais podem causar incômodo. O objetivo é encontrar equilíbrio entre ambiente, alimentos, atendimento e perfil do público.


O que é marketing sensorial em restaurantes?


Marketing sensorial é o uso planejado de elementos capazes de estimular os cinco sentidos e interferir na percepção que uma pessoa tem de um ambiente, produto ou serviço.


Em restaurantes, esses estímulos aparecem em diversos momentos.


A apresentação de um prato atua sobre a visão, enquanto aromas e sabores estão diretamente relacionados aos alimentos.


Música e ruídos fazem parte da dimensão sonora. Mobiliário, louças, talheres, temperatura e texturas também participam dessa percepção.


Por isso, o conceito não se limita à decoração. Ele envolve diferentes aspectos do salão, do cardápio e do serviço.


Quais são os cinco sentidos do marketing sensorial?


Os cinco sentidos envolvidos são visão, audição, olfato, tato e paladar. Cada um pode ser trabalhado de maneiras diferentes em um restaurante.


Visão


A visão envolve iluminação, cores, organização do salão, mobiliário, identidade visual, cardápio, louças e apresentação dos alimentos.


Esses elementos precisam conversar entre si.


Um restaurante de serviço rápido, por exemplo, pode ter necessidades visuais diferentes de um estabelecimento voltado a refeições prolongadas.


A iluminação merece atenção especial.


Além de contribuir para a atmosfera do espaço, ela precisa permitir que o cliente enxergue com clareza o cardápio, os alimentos e as pessoas à mesa.


A apresentação dos pratos também participa dessa percepção.


Composição, porcionamento, escolha da louça e organização dos ingredientes ajudam o cliente a identificar características do produto antes mesmo de prová-lo.


Audição


A dimensão sonora não se resume à música ambiente.


Conversas, movimentação de cadeiras, equipamentos, louças e sons provenientes da cozinha também interferem no conforto acústico.


A trilha sonora, quando utilizada, deve ser compatível com o perfil do estabelecimento, o público e o período de atendimento.


O volume precisa permitir conversas confortáveis à mesa.


Também é importante observar a acústica do espaço.


Superfícies muito reflexivas e ambientes com grande concentração de pessoas podem elevar o nível de ruído mesmo quando a música está baixa.


Olfato


O aroma dos alimentos pode contribuir para a percepção do que está sendo preparado e servido.


Entretanto, restaurantes também precisam lidar com odores de gordura, fumaça, resíduos, produtos de limpeza e outras fontes que podem chegar ao salão.


Ventilação, exaustão, limpeza e organização da operação têm papel importante nesse aspecto.


A utilização de perfumes ou essências exige cautela.


Aromas artificiais intensos podem competir com o cheiro dos próprios alimentos ou incomodar clientes.


Por isso, o controle de odores indesejados costuma ser tão importante quanto a criação deliberada de estímulos olfativos.


Tato


O tato aparece em diversos pontos de contato: cadeiras, mesas, cardápios, copos, talheres, guardanapos e louças.


Conforto, textura, peso e temperatura desses elementos podem interferir na percepção do serviço.


Uma cadeira adequada ao tempo médio de permanência, por exemplo, contribui para o conforto durante a refeição.


A escolha dos materiais também deve considerar limpeza, conservação e compatibilidade com o tipo de operação.


Paladar


O paladar ocupa uma posição central em restaurantes porque está diretamente relacionado aos alimentos e bebidas oferecidos.


Sabor, textura, temperatura e combinação dos ingredientes precisam corresponder ao que o estabelecimento propõe no cardápio.


A percepção do produto também pode ser influenciada pelos demais sentidos, como aroma, aparência e temperatura no momento do consumo.


Por isso, os estímulos não devem ser tratados de forma isolada.


Como aplicar o marketing sensorial em restaurantes?


A aplicação começa pela análise da proposta do estabelecimento, do perfil do público e dos diferentes pontos de contato durante o atendimento.


Um restaurante não precisa acrescentar estímulos a todos os momentos.


Em muitos casos, corrigir ruídos excessivos, melhorar a iluminação ou evitar odores indesejados já produz um ambiente mais coerente.


Avalie o ambiente como um conjunto


Observe o salão do ponto de vista do cliente.


Iluminação, mobiliário, temperatura, sons, circulação, aromas e elementos visuais funcionam simultaneamente.


Uma escolha adequada isoladamente pode não funcionar quando combinada a outras.


Uma música agradável, por exemplo, perde seu efeito se o volume das conversas e dos equipamentos tornar o ambiente excessivamente ruidoso.


O mesmo acontece com a decoração.


A quantidade de elementos, as cores, os materiais e a iluminação precisam seguir uma linguagem visual compatível com a identidade do restaurante, sem depender de associações universais entre determinada cor e determinada emoção.


Cuide da iluminação e da apresentação


A iluminação precisa considerar tanto o ambiente quanto os alimentos. Intensidade, distribuição dos pontos de luz e incidência sobre mesas podem alterar a percepção visual do espaço.


Cardápio, louças e apresentação dos pratos também devem seguir uma linguagem coerente. Isso ajuda o cliente a compreender a proposta do estabelecimento desde os primeiros contatos.


Controle música e ruídos


Antes de escolher uma playlist, avalie a acústica.


Observe se é possível conversar confortavelmente, se há sons constantes provenientes da cozinha e se equipamentos ou movimentações interferem no salão.


Caso o restaurante utilize música, volume, repertório e ritmo devem ser adequados ao público e ao período de atendimento.


O som deve compor o ambiente, e não competir com as conversas.


Observe aromas e odores da operação


O cheiro percebido pelo cliente não vem apenas dos pratos.


Cozinha, exaustão, resíduos, banheiros e produtos utilizados na limpeza também podem interferir.


Por isso, o componente olfativo começa pelo controle das fontes de odores indesejados.


Ventilação, limpeza e manutenção adequada dos sistemas de exaustão ajudam a evitar interferências no salão.


Quando o preparo dos alimentos produz aromas agradáveis naturalmente, eles podem fazer parte da percepção do ambiente sem necessidade de fragrâncias adicionais.


Considere conforto e pontos de contato


Mesas, cadeiras, cardápios, louças e talheres são manuseados diretamente pelo cliente.


Materiais, formatos e dimensões devem ser escolhidos considerando o tipo de serviço e o período esperado de permanência.


Restaurantes com propostas diferentes também podem exigir soluções distintas.


O mobiliário adequado para uma refeição rápida não necessariamente atende a um serviço no qual o cliente permanece por um período prolongado.


Mantenha coerência entre ambiente e cardápio


O marketing sensorial funciona melhor quando os estímulos seguem a mesma proposta.


Apresentação dos pratos, iluminação, sons, mobiliário e identidade visual não precisam chamar atenção individualmente.


O importante é que não transmitam mensagens conflitantes.


Essa coerência também deve acompanhar mudanças no funcionamento do restaurante.


Almoço, jantar, eventos e períodos de maior movimento podem exigir ajustes na iluminação, no som ou na organização do salão.


Como evitar excesso de estímulos?


Um erro comum é interpretar marketing sensorial como a necessidade de estimular intensamente todos os sentidos ao mesmo tempo.


O excesso pode produzir o resultado oposto.


Música muito alta dificulta conversas, iluminação inadequada causa desconforto, perfumes fortes competem com os alimentos e uma decoração carregada pode tornar o ambiente visualmente cansativo.


Para avaliar o equilíbrio, observe alguns pontos:


  • os clientes conseguem conversar sem elevar muito a voz;
  • a iluminação permite visualizar alimentos e cardápio com conforto;
  • não existem odores externos competindo com os pratos;
  • mesas e cadeiras são adequadas ao tipo de atendimento;
  • temperatura e ventilação estão compatíveis com o ambiente;
  • identidade visual, cardápio e apresentação dos produtos seguem uma proposta coerente.


Também vale observar o comportamento do público e ouvir comentários recorrentes.


Reclamações sobre barulho, temperatura, iluminação ou odores podem revelar aspectos que passam despercebidos pela equipe durante a rotina de operação.


Marketing sensorial funciona em qualquer restaurante?


Os princípios podem ser utilizados em diferentes tipos de estabelecimento, mas a aplicação precisa considerar público, cardápio, formato de serviço, espaço disponível e posicionamento da marca.


Uma cafeteria, um restaurante de serviço rápido, uma pizzaria e um estabelecimento de alta gastronomia não precisam trabalhar os estímulos da mesma maneira.


Antes de modificar o ambiente, é importante identificar o que realmente precisa ser corrigido ou aprimorado.


Nem toda mudança exige novos elementos. Às vezes, reduzir um ruído, reorganizar a iluminação ou eliminar um odor indesejado é suficiente.


Como avaliar o marketing sensorial no restaurante?


A percepção dos clientes pode ser acompanhada por observação e feedback.


Comentários recorrentes sobre iluminação, barulho, conforto, temperatura ou cheiro indicam pontos que merecem atenção.


Avaliações publicadas na internet e pesquisas realizadas pelo próprio estabelecimento também podem revelar padrões.


Outro caminho é testar mudanças isoladamente.


Alterar diversos elementos ao mesmo tempo dificulta identificar qual deles interferiu na percepção do público.


A avaliação periódica ajuda a verificar se o ambiente continua adequado ao perfil do restaurante e às características da operação.


Perguntas frequentes


Marketing sensorial exige grandes mudanças no restaurante?


Não. Ajustes na iluminação, controle de ruídos, ventilação, organização visual ou apresentação dos alimentos já podem modificar a percepção do ambiente. A necessidade depende das características de cada estabelecimento.


É indicado utilizar aromatizadores em restaurantes?


É necessário cuidado. Fragrâncias intensas podem competir com o aroma dos alimentos ou incomodar alguns clientes.


Antes de utilizar essências, é recomendável priorizar limpeza, ventilação, exaustão e controle de odores indesejados.


Marketing sensorial pode aumentar as vendas?


Estímulos sensoriais podem interferir na percepção que o cliente tem do ambiente e dos produtos, mas não garantem aumento de vendas isoladamente.


Cardápio, qualidade dos alimentos, atendimento, preço, localização e eficiência da operação também influenciam o desempenho do restaurante.


Como começar a aplicar o marketing sensorial?


O primeiro passo é observar o restaurante como cliente.


Avalie iluminação, nível de ruído, temperatura, odores, conforto, apresentação dos alimentos e coerência visual.


A partir desse diagnóstico, priorize os pontos que realmente precisam de ajustes.


Ambiente, alimentos e serviço precisam conversar


Marketing sensorial em restaurantes não depende da quantidade de estímulos, mas da coerência entre aquilo que o cliente vê, ouve, sente e prova.


Iluminação, acústica, aromas, mobiliário e apresentação dos alimentos devem acompanhar a proposta do estabelecimento sem comprometer conforto ou funcionalidade.


Ao avaliar esses elementos em conjunto, o restaurante consegue identificar interferências que muitas vezes passam despercebidas na rotina e fazer ajustes compatíveis com seu público e seu modelo de atendimento.



Leia também sobre engenharia de cardápio e conheça outros fatores que podem ajudar na organização da oferta e na apresentação dos produtos.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.