Entrevista com Elisa Raimondi vencedora do Desafio Prática

Proprietária do Pimenta Rosa Gastronomia, em Vinhedo, São Paulo, a chef Elisa Raimondi lidera um restaurante montado em um container, com foco na produção de marmitas de alta qualidade e em uma operação orientada por eficiência, padronização e controle de desperdícios.
O projeto conquistou o Primeiro Lugar do Desafio Prática – Comida de Qualidade Sem Desperdícios, na Categoria Principal, entre mais de 100 iniciativas inscritas por profissionais, empreendedores e acadêmicos de diferentes regiões do Brasil.
Como reconhecimento, Elisa recebeu um forno combinado Brave da Prática.
Criado para valorizar ideias que elevam o desempenho das operações e geram impacto positivo no setor de alimentação, o Desafio Prática destacou um modelo de negócio que alia tecnologia, organização e visão de futuro.
Nesta entrevista, Elisa compartilha sua trajetória, as decisões que moldaram a operação e os aprendizados que orientam a evolução do Pimenta Rosa.
Confira a conversa completa no Blog Prática.
Como sua trajetória influenciou a forma como você organiza a operação do Pimenta Rosa?
Nasci na Itália e minha família veio para o Brasil quando eu ainda era muito jovem.
Meus pais sempre tiveram uma cultura alimentar muito ligada aos benefícios da alimentação para a saúde e ao prazer de celebrar momentos especiais em volta de uma boa refeição, desde grandes banquetes até o almoço do dia a dia.
A seleção dos ingredientes, a preparação do ambiente, o uso dos melhores equipamentos e a redução de quaisquer desperdícios moldaram a maneira como enxergo a gastronomia.
Sempre foi natural implementar essa cultura na forma como organizamos a operação do restaurante em todos os aspectos, e os resultados ficaram visíveis em quesitos de qualidade e desempenho.
Em que momento você percebeu que o espaço do container exigia um novo modelo de cozinha para o negócio evoluir?
Como cozinhamos todas as refeições em casa, sentimos certa dificuldade em encontrar produtos de qualidade para delivery, com preço acessível para o almoço da semana e velocidade de logística.
Quando tivemos os primeiros insights para montar o restaurante, com ênfase naquilo que sentíamos que ainda não havia no mercado, sabíamos que a estrutura não poderia ser como a de restaurantes convencionais, ou cairíamos na necessidade de criar uma operação robusta, com uma equipe grande e experiente, além de alto tempo de preparação e entrega.
Após muito estudo e pesquisa, decidimos desenvolver toda a operação em torno de equipamentos de alta performance, que nos entregariam alta qualidade com eficiência e velocidade e que, acima de tudo, possibilitariam uma padronização confiável e menor dependência de habilidades especiais ou treinamentos avançados.
Restaurante Pimenta Rosa Gastronomia, em Vinhedo, São Paulo, comandado pela chef Elisa Raimondi e pelo sócio Alexandre Prudêncio, com operação instalada em um container.
Pratos do Restaurante Pimenta Rosa Gastronomia, em Vinhedo, São Paulo, sob a condução da chef Elisa Raimondi.
Você acredita que esse modelo pode ser aplicado em outros restaurantes?
Sem dúvidas. Iniciamos em 2026 o projeto de criação da rede, com a abertura de uma segunda unidade prevista para o segundo semestre.
O destaque alcançado no mercado, especialmente junto ao público usuário de aplicativos de entrega de refeições, como o iFood, validou que a proposta é bem aceita, atende à velocidade exigida e rompe paradigmas ainda enraizados no setor gastronômico, que criam barreiras ao desenvolvimento de estabelecimentos.
Entendemos que esse modelo pode representar a vanguarda da indústria do delivery e da gastronomia em geral.
Como o uso de energia fotovoltaica se conecta com o controle de desperdícios?
Sustentabilidade deixou de ser uma opção, especialmente quando se lida com públicos mais exigentes, que buscam valores além dos básicos do produto, como sabor, qualidade e agilidade.
Compreender que o futuro de uma operação está diretamente ligado ao futuro do ambiente precisa estar na primeira página de qualquer plano de negócio.
A planta fotovoltaica surgiu de forma natural, já que, com uma estrutura baseada em dois fornos combinados, o consumo energético seria superior ao convencional.
Precisávamos neutralizar esse impacto dentro da proposta sustentável do negócio, e o resultado superou as expectativas.
Agora, o plano é ampliar a capacidade de geração de energia ao máximo possível, viabilizando a inclusão de novos equipamentos que nos ajudem a avançar ainda mais na eficiência operacional.
Na sua visão, o que fez o projeto se destacar para conquistar o primeiro lugar?
Quando soubemos do Desafio Prática, tínhamos muita confiança de que possuíamos um projeto consistente para apresentar, já que ele representa o nosso negócio como um todo.
Todos os seus elementos estão alinhados ao objetivo proposto pelo desafio.
No fim, foi uma questão de apresentá-lo de forma simples e objetiva, e foi uma grande satisfação estar entre os selecionados.
Quais mudanças a rotina concentrada nos fornos combinados trouxe?
Inicialmente, a questão do espaço físico foi determinante.
Tínhamos apenas um forno combinado C-MAX 6 e todas as experiências comparativas entre a produção nele e nos demais equipamentos, comuns em cozinhas tradicionais, mostraram uma eficiência impressionante.
Em pouco tempo, fizemos testes com todas as ações que demandavam o uso de altas temperaturas e ficou explícito que a produtividade era incomparável e que esse seria o diferencial para garantir a rentabilidade do negócio.
A partir daí, a transição foi automática.
Retiramos os equipamentos que, juntos, ocupavam quase metade da cozinha e incluímos um segundo forno C-MAX 6, que mesmo somados ainda nos deixaram com mais espaço livre do que antes.
A redução de resíduos, como gorduras, fumaça e odores, veio associada a esse alto desempenho.
Com isso, tivemos a segurança de que esse seria um traço marcante da empresa e o foco do nosso negócio.
Que mudanças a implementação dos fornos trouxe para a equipe?
Houve uma grande mudança na forma como pensávamos a equipe.
Percebemos que a estrutura da operação e os equipamentos nos davam uma segurança de padronização muito difícil de alcançar em uma operação tradicional, altamente dependente de habilidades técnicas avançadas.
Optamos por buscar no mercado pessoas com inclinação para a gastronomia, mas sem experiência em grandes restaurantes ou treinamentos avançados.
Isso nos proporcionou maior facilidade na captação de pessoal e também a oportunidade de dar espaço a pessoas das comunidades do entorno do restaurante, desenvolvendo-as dentro dessa nova estrutura, com treinamentos específicos e rápidos, reduzindo a dependência de colaboradores altamente experientes.
Onde o ganho ficou mais visível no dia a dia do restaurante?
Sem dúvidas, a velocidade de preparação e a padronização associadas se destacam, especialmente no delivery.
A menor necessidade de monitoramento da qualidade do produto final nos permite despachar pedidos com segurança e agilidade.
Outro ponto relacionado à velocidade é a baixa taxa de reclamações e cancelamentos por atraso, o que evita retrabalho e retorno de produtos, algo comum nesse mercado.
Também identificamos ganhos no tempo de mise en place e uma facilidade inesperada na limpeza e na higiene, já que os resíduos são mínimos e provenientes apenas do uso do fogão em processos que não migraram para o forno.
Quanto à padronização, as reclamações sobre qualidade, ponto de cozimento e variação de temperatura são praticamente inexistentes. Isso permite que a equipe de gestão foque outras áreas do negócio e influencia diretamente a retenção de clientes e as indicações.
Chef Elisa Raimondi e Alexandre Prudêncio, proprietários do restaurante Pimenta Rosa Gastronomia de Vinhedo, São Paulo. Ganhadores do Primeiro lugar do Desafio Prática.
O prêmio influenciou suas decisões sobre o futuro do Pimenta Rosa?
O prêmio foi uma validação não apenas do conceito do restaurante, mas do próprio negócio.
Mostrou que é possível sair do convencional, inovar, testar, se desafiar e propor algo novo.
Clientes, equipe e grandes representantes do setor, como a Prática, dão espaço para que você mostre o que tem a oferecer e, quando o trabalho é bem feito, reconhecem e ajudam a alcançar objetivos maiores.
Qual aprendizado é essencial diante de pouco espaço e equipe?
O básico precisa ser a base, mas não pode ser o todo.
É essencial reconhecer os desafios do mercado, da legislação e da concorrência, usar a tecnologia, contar com equipamentos de ponta, buscar a experiência de quem já trilhou esse caminho e aplicar um olhar pessoal e analítico para fazer as coisas de um jeito que funcione melhor dentro da sua realidade.
Modelar a operação de acordo com o que se pode ter, focar no que é viável e encontrar pessoas e empresas que ofereçam o suporte necessário para encaixar o negócio à sua realidade fazem toda a diferença.
Sobre Elisa Raimondi
Elisa Raimondi tem 38 anos, nasceu em Cesena, na Itália, naturalizada brasileira, vem de uma família que vive e trabalha com gastronomia há gerações. É formada em Recursos Humanos e construiu uma carreira de uma década na área de TI.
Apesar de cozinhar em casa desde os 10 anos, encontrou-se definitivamente na gastronomia após a pandemia de Covid-19, quando passou a aprender com o pai a fazer pão e montou uma estação itinerante de defumação e churrasco em Campinas, circulando por um ano pelo interior de São Paulo e sul de Minas Gerais.
Desde 2022, é sócia e está à frente da cozinha do Restaurante Pimenta Rosa, em Vinhedo, São Paulo, voltado ao delivery de refeições de alto padrão, com foco em eficiência e qualidade para um público exigente, que busca refeições à altura de restaurantes renomados em casa ou no trabalho.
Atualmente, lidera o projeto de criação da rede de restaurantes Pimenta Rosa e segue motivada pelos novos desafios do futuro do delivery e da gastronomia.
Pimenta Rosa Gastronomia
Instagram: @pimentarosa.gastronomia
Endereço: Rua Vereador Oclésio Antonio Rebustini, 1459, Marambaia, Vinhedo Cep.:13287012
WhatsApp: (19) 99602-4798
Fotos da cerimônia de premiação do Primeiro Desafio Prática, realizada na filial da Prática em Pinheiros, São Paulo, com a chef Elisa Raimondi, vencedora da edição, o sócio Alexandre Prudêncio e lideranças da Prática.












