Masseira na padaria: para que serve e como escolher

Prática • 23 de janeiro de 2026
Masseira espiral AE45 da Prática

Na panificação profissional, poucos equipamentos exercem papel tão determinante quanto a masseira, também conhecida no mercado como amassadeira.


Os dois termos se referem ao mesmo equipamento, utilizado na produção de pães para misturar, homogeneizar e desenvolver a massa de forma controlada e padronizada.


Independentemente da nomenclatura, a masseira é um item indispensável em qualquer padaria, seja um negócio artesanal de pequeno porte ou uma operação de grande volume.


Reunimos as principais dúvidas sobre esse equipamento para ajudar você a escolher a opção mais adequada à sua produção.


Masseira e amassadeira são a mesma coisa?


Sim. Masseira e amassadeira são denominações diferentes para o mesmo equipamento.


Ambas descrevem a máquina utilizada para misturar farinha, água e demais ingredientes na produção de massas de panificação.


Existem diversos modelos e capacidades disponíveis no mercado.


No Brasil, o modelo que melhor se adaptou à rotina das padarias é a masseira espiral (amassadeira espiral), por sua eficiência no desenvolvimento da massa e pela melhor incorporação de água à farinha.


O que é o ponto de véu na produção com masseira?


O ponto de véu é o estágio em que a rede de glúten da massa está completamente desenvolvida.


Nesse momento, a massa pode ser esticada com cuidado até formar uma película fina e translúcida, sem se romper.


Esse estágio é determinante na panificação porque permite a retenção dos gases da fermentação, garante estrutura durante a cocção e facilita etapas como divisão, modelagem e descanso da massa.


A obtenção consistente desse ponto depende do uso correto da masseira e do controle adequado de tempo, hidratação e temperatura.


Para que serve uma masseira na padaria?


A masseira executa uma das etapas mais críticas da panificação: o desenvolvimento da massa.


Sua função vai além da simples mistura de ingredientes, pois cria as condições necessárias para que as proteínas do trigo, gliadina e glutenina, se unam na presença de água, formando a rede de glúten.


Esse processo confere elasticidade, extensibilidade e resistência à massa, permitindo a retenção dos gases da fermentação e garantindo volume, estrutura e textura adequadas ao pão.


Por que a masseira é indispensável em qualquer padaria?


A masseira é indispensável porque sustenta produtividade, padronização e capacidade de atendimento.


Mesmo padarias de menor porte enfrentam desafios relacionados à demanda, variedade de produtos e regularidade de qualidade.


A mecanização do processo de mistura permite:


  • Padronização do ponto da massa
  • Melhor aproveitamento da farinha por hidratação eficiente
  • Redução de desperdícios
  • Menor esforço físico da equipe
  • Maior previsibilidade no resultado final


Sem esse equipamento, o crescimento do negócio fica limitado e o controle técnico da produção se torna instável.


Qual a diferença entre batedeira e masseira?


Embora ambos sejam equipamentos de mistura, batedeira e masseira têm funções distintas e não se substituem na produção profissional.


A batedeira é indicada para massas com alto teor de líquidos, geralmente entre 80% e 100%, e para produtos que exigem incorporação de ar, como bolos, cremes, coberturas e recheios. Atua por velocidade e utiliza diferentes acessórios.


A masseira é destinada às massas de panificação, com hidratação entre 50% e 90%, nas quais é necessário desenvolver glúten e atingir o ponto de véu. Trabalha com força, estiramento e controle térmico, garantindo estrutura, volume e regularidade aos pães.


Em padarias profissionais, os dois equipamentos se complementam e atendem etapas diferentes da produção.


Diferenças entre equipamentos com o mesmo termo


No ambiente profissional, é fundamental diferenciar corretamente os equipamentos, pois cada um atende a produtos e processos específicos e não são intercambiáveis.


Masseira


Indicada para a produção de pães.


Desenvolve a rede de glúten, atinge o ponto de véu e trabalha com menor aquecimento da massa, reduzindo a necessidade de grandes quantidades de gelo.


É adequada para massas de média e alta hidratação, incluindo fermentações longas.


Masseira rápida


Opera em alta rotação com batedor e tem como função apenas a mistura dos ingredientes.


Não desenvolve glúten nem atinge ponto de véu. Devido ao atrito intenso, gera aquecimento elevado da massa, exigindo uso significativo de gelo.


É indicada para massas de baixa hidratação, como pastel e massas ricas em gordura.


Masseira cozedeira


Utilizada em processos que envolvem cocção da massa.


É comum na produção de massas para coxinha, risole e outros salgados cozidos, além de recheios, cremes e doces que exigem mistura contínua durante o aquecimento.


Nesse caso, não há formação de glúten nem ponto de véu.


Masseira de macarrão


Específica para massas alimentícias.


Trabalha com farinhas de alto teor proteico, geralmente misturadas apenas com ovos ou baixa adição de líquidos.


O resultado é uma massa densa, preparada para abertura, corte ou extrusão em equipamentos próprios.


Qual a diferença entre masseira profissional e equipamentos domésticos?


Equipamentos domésticos não foram projetados para regimes contínuos de trabalho, altas cargas ou massas densas.


Seus motores, transmissões e acessórios não suportam a formação adequada do glúten nem a rotina de uma padaria.


A masseira profissional é robusta, dimensionada para uso intensivo, possui materiais adequados para contato com alimentos e entrega desempenho constante mesmo em produções prolongadas.


Masseira espiral: por que é a mais utilizada


A masseira espiral é a mais utilizada na panificação profissional devido à sua configuração técnica, que inclui:


  • Eixo em formato de espiral
  • Tacho giratório
  • Zona de contato eficiente entre eixo e massa


Esse conjunto permite melhor incorporação de água à farinha, menor aquecimento durante o batimento e desenvolvimento uniforme da rede de glúten.


Como funciona uma masseira espiral?


A masseira espiral opera, em geral, com duas velocidades:


  • Velocidade baixa, destinada à homogeneização inicial
  • Velocidade alta, voltada ao desenvolvimento da rede de glúten


O eixo espiral e o tacho giram simultaneamente, promovendo estiramento da massa e incorporação eficiente da água.


O controle correto de tempo e velocidade evita superaquecimento e preserva a fermentação.


Capacidade da masseira e dimensionamento correto


As capacidades mais comuns no mercado são:


  • 25 kg de massa por ciclo, indicada para produções reduzidas ou apoio
  • 45 kg por ciclo, adequada para padarias com saída constante
  • 80 kg por ciclo, voltada a grandes volumes, supermercados e padarias industriais


Atualmente, mesmo padarias artesanais enfrentam dificuldade para atender a produção diária com masseiras abaixo de 40 kg de massa por ciclo.


Equipamentos muito pequenos geram gargalos operacionais e sobrecarga da equipe.


Por isso, é comum encontrar padarias operando com duas ou mais masseiras, seja com capacidades iguais ou combinadas, organizando a produção por tipos de massa e volumes.


Controle de temperatura e fermentação


Durante o batimento, a massa sofre atrito mecânico, o que gera aquecimento.


Esse aumento de temperatura acelera o metabolismo das leveduras e pode comprometer fermentações longas ou massas de alta hidratação.


A masseira espiral contribui para maior estabilidade térmica.


Ainda assim, recomenda-se o uso de água gelada, gelo em flocos e resfriadores de água entre 0 °C e 2 °C, especialmente em regiões de clima quente.


Normas de segurança e segurança dos alimentos


No Brasil, a masseira deve estar em conformidade com a NR-12, norma que regulamenta a segurança no trabalho com máquinas.


Além disso, superfícies em contato com a massa devem ser fabricadas em aço inoxidável, facilitando a higienização e reduzindo riscos de contaminação cruzada, atendendo às exigências de segurança dos alimentos.


Limpeza da masseira


A limpeza correta é essencial para a segurança dos alimentos e para a vida útil do equipamento.


O processo envolve desligamento completo da máquina, remoção de resíduos com espátulas plásticas, uso de detergente neutro e secagem completa após a higienização.


A masseira como base técnica da produção na panificação profissional


A masseira é o equipamento central da panificação profissional.


Ela influencia produtividade, rendimento, padronização, consumo energético, segurança dos alimentos e ergonomia da operação.


Compreender seu funcionamento, escolher o modelo adequado e adotar cuidados corretos de uso e limpeza são decisões estratégicas para estruturar a padaria sobre bases técnicas, eficientes e sustentáveis.


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