Alimentos orgânicos: benefícios e como usar no cardápio

Prática • July 29, 2022
Uma exposição de frutas e vegetais em uma mesa de madeira

Os alimentos orgânicos estão presentes em hortifrúti, grãos, carnes, ovos, leite e produtos processados.


No Brasil, essa denominação está relacionada a sistemas de produção que seguem critérios definidos pela legislação, portanto não depende apenas da ausência de determinados insumos durante o cultivo.


Para restaurantes e outros negócios de alimentação, trabalhar com orgânicos envolve avaliar procedência, certificação, disponibilidade, custo, armazenamento, aproveitamento e adequação ao cardápio.


Conhecer essas características ajuda a selecionar fornecedores e utilizar os ingredientes de acordo com as necessidades da operação.


O que são alimentos orgânicos?


Segundo a Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, o sistema orgânico de produção agropecuária adota técnicas específicas e busca otimizar o uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis.


A legislação estabelece critérios relacionados ao uso de métodos culturais, biológicos e mecânicos, à redução da dependência de energia não renovável, à proteção ambiental e à eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes.


O conceito pode abranger produtos de origem vegetal e animal, além de itens processados que atendam aos requisitos previstos para essa classificação.


Qual a diferença entre orgânicos e convencionais?


A principal diferença está no sistema de produção.


O alimento orgânico deve atender às regras específicas aplicáveis à produção, ao processamento, ao armazenamento, à distribuição e à comercialização. Já a produção convencional segue outros sistemas e requisitos.


Por isso, "orgânico" não deve ser usado como sinônimo de vegano, vegetariano, sem glúten, sem lactose ou de alimento destinado a determinada dieta.


Um produto orgânico pode conter ingredientes de origem animal, glúten ou lactose.


Da mesma forma, um alimento vegano ou sem glúten não é necessariamente orgânico.


Essa distinção é importante tanto na elaboração do cardápio quanto na comunicação com o consumidor.


Como identificar um produto orgânico no Brasil?


A procedência deve ser um dos primeiros pontos observados na compra.


O Ministério da Agricultura e Pecuária mantém o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, que reúne produtores e organizações responsáveis pelo controle e pela qualidade da produção orgânica no país.


Segundo o MAPA, os produtos orgânicos comercializados em lojas, supermercados e sites devem apresentar o selo brasileiro de identificação do sistema orgânico.


Existe uma exceção para a venda direta realizada por agricultores familiares vinculados a uma Organização de Controle Social e cadastrados no MAPA. Nessa situação, o produto pode ser comercializado sem o selo, e o consumidor pode solicitar a documentação correspondente.


Para compras destinadas ao foodservice, é recomendável verificar a identificação do fornecedor e manter os registros necessários para rastrear a origem dos ingredientes.


Quando um produto pode ser chamado de orgânico?


A quantidade de ingredientes orgânicos é especialmente relevante em alimentos processados.


De acordo com as orientações do Ministério da Agricultura e Pecuária, produtos com pelo menos 95% de ingredientes orgânicos podem ser identificados como orgânicos.


Quando a proporção fica entre 70% e 95%, a identificação passa a ser "produto com ingredientes orgânicos".


Produtos com menos de 70% desses componentes não podem utilizar essa denominação para caracterizar o produto como orgânico nem apresentar o selo brasileiro correspondente.


Esses critérios também merecem atenção na seleção de ingredientes industrializados utilizados pela cozinha profissional.


Quais são os benefícios dos alimentos orgânicos?


A produção orgânica está associada a critérios ambientais, sociais e produtivos previstos na legislação brasileira.


Entre seus princípios estão a preservação da diversidade biológica, o uso adequado do solo, da água e do ar, a reciclagem de resíduos de origem orgânica e a redução do emprego de recursos não renováveis.


Para o foodservice, há ainda um aspecto comercial.


Utilizar ingredientes orgânicos permite desenvolver pratos e linhas de produtos direcionados a consumidores interessados na origem e no sistema de produção dos alimentos.


Entretanto, a adoção deve considerar o funcionamento do estabelecimento.


Preço, disponibilidade regional, sazonalidade, rendimento, volume necessário e regularidade do fornecimento interferem na viabilidade de cada ingrediente.


Alimentos orgânicos são sempre mais nutritivos?


Não é adequado afirmar que todo alimento orgânico é necessariamente mais nutritivo ou saudável que seu equivalente convencional.


A composição nutricional pode variar de acordo com diversos fatores, como espécie, variedade, condições de cultivo, solo, clima, maturação, armazenamento e processamento.


Por essa razão, a escolha de ingredientes para um cardápio profissional deve considerar o conjunto de suas características e a finalidade da preparação, evitando atribuir ao termo "orgânico" benefícios nutricionais absolutos.


Orgânico significa ausência de riscos?


Não. A classificação como orgânico está relacionada ao sistema de produção e aos requisitos previstos na legislação.


Ela não elimina os cuidados sanitários necessários depois que o ingrediente chega ao estabelecimento.


Produtos orgânicos também precisam ser recebidos, armazenados, manipulados e preparados de acordo com os procedimentos de segurança dos alimentos adotados pela operação.


Isso inclui controle de temperatura quando necessário, higiene de instalações e utensílios, prevenção da contaminação cruzada e cuidados durante a manipulação.


Para aprofundar esse tema, consulte o artigo sobre procedimentos e boas práticas na cozinha profissional.


Como comprar orgânicos para restaurantes?


A seleção começa pela compatibilidade entre o fornecedor e a demanda do estabelecimento.


Antes da compra, é importante avaliar:


  1. procedência e identificação do produto;
  2. regularidade do fornecimento;
  3. volume disponível;
  4. sazonalidade;
  5. condições de transporte;
  6. padrão de qualidade;
  7. rendimento do ingrediente;
  8. preço e impacto no custo da preparação.


A disponibilidade também precisa acompanhar o cardápio.


Se determinado ingrediente apresenta grande variação sazonal, por exemplo, o restaurante precisa prever substituições ou ajustar sua oferta.


Produtos minimamente processados podem ser considerados quando forem compatíveis com a proposta do estabelecimento.


Vegetais já selecionados, higienizados ou cortados podem reduzir algumas etapas internas, mas precisam ser avaliados quanto à procedência, conservação, validade e custo.


Como armazenar alimentos orgânicos?


As condições dependem das características de cada produto.


Ingredientes secos, refrigerados e congelados exigem ambientes e temperaturas compatíveis com sua conservação.


Hortaliças, carnes, ovos, laticínios e produtos processados também possuem necessidades distintas.


Na operação profissional, é importante identificar os itens, acompanhar validade e condições de conservação, organizar a rotatividade e evitar contato que possa favorecer contaminação cruzada.


Quando diferentes fornecedores e lotes são utilizados, registros de recebimento também auxiliam na rastreabilidade.


O acompanhamento de entradas, saídas e datas pode ser integrado ao controle de estoque de alimentos.


Como reduzir perdas com ingredientes orgânicos?


O custo de um ingrediente não depende somente de seu preço de compra. Rendimento, aparas, deterioração e sobras também interferem no custo real da preparação.


Por isso, a operação pode acompanhar quanto recebe, quanto utiliza e quanto descarta de cada item.


O planejamento de compras deve considerar histórico de consumo, previsão de demanda, validade, sazonalidade e capacidade de armazenamento.


ichas técnicas também ajudam a determinar porções e quantidades necessárias para a produção.


Outro recurso é o aproveitamento planejado de ingredientes em diferentes preparações, desde que sejam respeitados os requisitos de qualidade e segurança dos alimentos.


Esse controle ajuda a evitar que a adoção de produtos de maior valor de aquisição resulte em perdas desnecessárias.


Como conservar preparações com ingredientes orgânicos?


Preparações produzidas com ingredientes orgânicos seguem os mesmos princípios de controle de tempo e temperatura aplicáveis aos demais alimentos.


Quando o modelo de produção permite preparo antecipado, o resfriamento ou congelamento rápido pode fazer parte do fluxo adotado pelo estabelecimento.


Os ultracongeladores e abatedores de temperatura da Prática são desenvolvidos para realizar resfriamento e congelamento rápido de alimentos e podem integrar processos de produção antecipada.


A indicação depende do alimento, do volume produzido e do sistema utilizado pela cozinha.


O equipamento não transforma um produto em orgânico e não substitui os controles necessários nas demais etapas.


Para entender o funcionamento e as aplicações dessa tecnologia, veja também as respostas para dúvidas sobre ultracongeladores.


Como comunicar o uso de orgânicos no cardápio?


A informação apresentada ao cliente deve corresponder aos ingredientes efetivamente utilizados e às regras aplicáveis à denominação de produtos orgânicos.


Isso exige atenção principalmente quando uma preparação combina componentes orgânicos e convencionais.


Também é importante evitar associações automáticas com características que o produto não possui. "Orgânico", "vegano", "vegetariano", "sem glúten" e "sem lactose" descrevem aspectos diferentes.


Uma comunicação precisa permite informar procedência e características dos ingredientes sem criar expectativas incorretas.


Orgânicos no planejamento do foodservice


A utilização de alimentos orgânicos pode fazer parte do cardápio de restaurantes, hotéis, cafeterias e outros estabelecimentos, desde que esteja alinhada ao perfil da operação.


Antes de ampliar a compra desses produtos, vale analisar fornecedores, demanda, regularidade, rendimento, armazenamento e impacto sobre o custo das receitas.


O principal ponto é tratar o ingrediente orgânico como parte de todo o fluxo da cozinha, desde a seleção e o recebimento até o armazenamento, o preparo e o serviço.


Perguntas frequentes sobre alimentos orgânicos


Todo alimento orgânico precisa ter selo?


Produtos orgânicos vendidos em lojas, supermercados e sites devem apresentar o selo brasileiro correspondente. Há exceção para determinadas situações de venda direta por agricultores familiares cadastrados e vinculados a uma Organização de Controle Social, conforme as regras do MAPA.


Um produto precisa ter 100% de ingredientes orgânicos?


Não. Produtos processados com pelo menos 95% de ingredientes orgânicos podem ser identificados como orgânicos.


Entre 70% e 95%, devem ser apresentados como produtos com ingredientes orgânicos.


Alimento orgânico é sempre mais saudável?


Não é possível fazer essa afirmação de forma geral.


A composição e a qualidade nutricional dependem de diversos fatores além do sistema de produção.


Alimentos orgânicos exigem cuidados de segurança dos alimentos?


Sim. Eles também precisam de condições adequadas de recebimento, armazenamento, manipulação, preparo e conservação.


A classificação como orgânico não elimina riscos físicos, químicos ou biológicos associados às etapas posteriores da cadeia.


Quer reduzir perdas e aproveitar melhor os ingredientes na cozinha profissional? Veja também como o controle de estoque ajuda na validade dos produtos e conheça cuidados importantes para a gestão do foodservice.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.