Produção própria na panificação: por que investir?

Prática • August 31, 2020
Um homem está apertando um botão de um forno em uma padaria

A produção própria permite que padarias, confeitarias e outros negócios de alimentação fabriquem parte do mix comercializado, reduzindo a dependência exclusiva de itens fornecidos por terceiros.


A decisão pode ampliar o domínio sobre receitas, ingredientes, custos, volumes e disponibilidade.


Também abre espaço para desenvolver itens alinhados ao perfil dos clientes. Porém, produzir internamente não significa obter margens maiores automaticamente.


A viabilidade depende da relação entre demanda, custo total, mão de obra, estrutura, rendimento das receitas e volume de vendas.


Por isso, a análise deve ser feita por categoria: alguns itens podem ser produzidos pela empresa enquanto outros continuam sendo adquiridos de fornecedores especializados.


O que é produção própria na panificação?


Produção própria é a fabricação, no estabelecimento ou em uma central dedicada, dos itens vendidos pela empresa, como pães, bolos, doces, salgados e opções sazonais.


Nesse modelo, a empresa define receitas, ingredientes, métodos e padrões. O mix pode ser ajustado de acordo com vendas, sazonalidade e perfil do público.


A produção interna pode abranger todo o portfólio ou somente categorias selecionadas.


Portanto, adotá-la não exige abandonar fornecedores externos.


Quais são as vantagens da produção própria?


As principais vantagens são a possibilidade de desenvolver receitas exclusivas, definir padrões, ajustar volumes conforme a demanda e avaliar margens diferentes das obtidas com mercadorias compradas prontas.


Os resultados, entretanto, dependem da escolha adequada do que será produzido e da organização da operação.


Produtos exclusivos e identidade da marca


Receitas desenvolvidas pela empresa permitem oferecer itens com características próprias e adaptar sabores, formatos, tamanhos e apresentações ao público atendido.


Quando determinados pães, bolos, doces ou salgados passam a ser associados ao estabelecimento, o preço deixa de ser o único fator considerado pelo consumidor na escolha.


Maior valor agregado


O preço de venda não depende somente dos ingredientes.


Rendimento, porcionamento, custos operacionais e valor percebido também influenciam a margem.


Um item com preço elevado não é necessariamente rentável.


Muitas horas de trabalho, perdas frequentes, baixo rendimento ou uso ineficiente dos recursos podem reduzir seu resultado financeiro.


Por isso, cada receita precisa ser avaliada individualmente.


Padronização e qualidade


Receitas documentadas permitem estabelecer gramaturas, tempos, temperaturas, rendimento e procedimentos para cada item.


Fichas técnicas ajudam diferentes profissionais a reproduzir características como tamanho, textura, sabor e apresentação.


Procedimentos definidos para recebimento, armazenamento, manipulação, resfriamento, congelamento e conservação também são importantes para a segurança dos alimentos.


Ajuste dos volumes à demanda


A fabricação interna permite programar quantidades a partir do histórico de vendas, dias da semana, horários de maior movimento e períodos sazonais.


Essa organização é especialmente relevante para itens de validade curta, pois volumes superiores à saída aumentam perdas e comprometem a margem.


Determinadas receitas também podem ser preparadas antecipadamente e finalizadas de acordo com a demanda, quando o processo permitir.


Como a produção própria pode aumentar a rentabilidade?


A produção própria pode aumentar a rentabilidade quando o custo total de fabricar é compatível com o preço de venda, o giro e o volume comercializado.


A comparação não deve considerar apenas ingredientes.


O cálculo pode incluir:

  • matérias-primas;
  • mão de obra;
  • energia;
  • embalagens;
  • perdas;
  • armazenamento;
  • manutenção;
  • depreciação dos equipamentos;
  • rendimento das receitas;
  • recursos produtivos não utilizados.


A ficha técnica conecta receita e resultado financeiro.


Ao registrar ingredientes, quantidades, rendimento, porcionamento e custos, ela permite calcular quanto cada unidade efetivamente custa.


Com esses dados, a empresa pode comparar o custo de produzir com o preço pago a um fornecedor e avaliar qual alternativa apresenta melhor resultado para aquela categoria.


Quais produtos vale a pena produzir internamente?


Os melhores candidatos à produção própria são itens com demanda previsível, margem adequada, processo replicável e volume compatível com os recursos disponíveis.


Na seleção, vale considerar:


  • frequência de venda;
  • margem de contribuição;
  • rendimento da receita;
  • facilidade de padronização;
  • tempo necessário por lote;
  • disponibilidade de pessoas e equipamentos;
  • relevância do item para o posicionamento da empresa;
  • possibilidade de aproveitar ingredientes em diferentes receitas.


Essa avaliação direciona espaço, horas de trabalho e investimentos para categorias com maior potencial de retorno.


Produção própria ou terceirização: qual modelo escolher?


A escolha entre produzir e terceirizar deve ser feita por categoria, comparando custos, demanda, complexidade do processo e recursos necessários.


Fornecedores especializados podem ser adequados para itens de baixo volume, processos específicos ou situações em que a estrutura disponível não comporta determinada etapa.


Já a fabricação interna pode ser interessante para receitas com boa saída, resultado econômico favorável e características que a empresa deseja definir diretamente.


Muitas operações podem combinar os dois modelos: produzir determinadas categorias e adquirir outras externamente.


Assim, a decisão deixa de ser aplicada a todo o portfólio e passa a considerar o desempenho de cada grupo de itens.


Como estruturar a produção própria na padaria?


 implantação começa pela definição do mix, dos volumes esperados e dos recursos necessários para atender à demanda sem criar gargalos.


Analise a demanda


O histórico de vendas ajuda a identificar itens de maior saída, horários de pico, diferenças entre dias da semana e sazonalidades.


Esses dados orientam o tamanho e a frequência dos lotes, reduzindo excedentes e indisponibilidade nas áreas de venda.


No caso de uma nova receita sem histórico, a empresa pode iniciar com volumes menores e acompanhar aceitação, rendimento e perdas antes de ampliar a escala.


Crie fichas técnicas


Cada receita deve registrar ingredientes, quantidades, rendimento, gramatura ou porção, método de preparo e custos.


A ficha técnica facilita a reprodução dos padrões, o treinamento das equipes e o acompanhamento das variações de preço dos insumos.


Também ajuda a identificar situações em que há boa venda, mas margem insuficiente.


Dimensione o fluxo produtivo


A demanda precisa ser compatível com espaço, equipamentos e horas disponíveis.


Para isso, é necessário identificar quanto tempo cada etapa ocupa e quais pontos limitam o volume total.


Mistura, divisão, modelagem, fermentação, forneamento, resfriamento, congelamento e armazenamento podem suportar quantidades diferentes.


A etapa com menor rendimento por período pode se tornar um gargalo e limitar todo o fluxo.


Esse dimensionamento ajuda a identificar onde são necessários ajustes antes de aumentar a produção.


Selecione ingredientes e fornecedores


Mesmo com produção interna, a regularidade do abastecimento continua sendo necessária para cumprir a programação.


Na seleção dos fornecedores de ingredientes, devem ser considerados qualidade dos insumos, regularidade das entregas, prazos, disponibilidade e custo-benefício.


Para matérias-primas críticas, contar com alternativas de fornecimento pode reduzir os efeitos de eventuais interrupções.


Escolha equipamentos de acordo com o processo


Os equipamentos devem ser selecionados a partir do mix, dos volumes e das etapas necessárias.


Dependendo das receitas, a estrutura pode incluir fornos, câmaras de fermentação, ultracongeladores e outras soluções destinadas ao processamento e à conservação.


O dimensionamento adequado ajuda a aumentar o volume por período, manter parâmetros definidos e reduzir intervenções manuais em determinadas etapas.


Antes do investimento, é importante verificar dimensões, infraestrutura necessária, consumo energético e compatibilidade com o fluxo existente.


Organize a produção antecipada


Nem todos os itens precisam percorrer todas as etapas imediatamente antes da venda.


Quando a receita permite, parte do trabalho pode ser realizada antecipadamente, com armazenamento e finalização posterior.


Isso distribui melhor as tarefas ao longo do dia e reduz a concentração de atividades nos horários de maior movimento.


O ultracongelamento pode integrar esse fluxo ao permitir que alimentos compatíveis sejam preparados em lotes e conservados para uso posterior, seguindo procedimentos adequados de processamento, armazenamento e finalização.


Acompanhe indicadores


Depois da implantação, indicadores mostram se a fabricação interna está entregando o resultado esperado.


Entre os dados úteis estão:


  • custo por unidade;
  • margem de contribuição;
  • rendimento por receita;
  • quantidade produzida e vendida;
  • índice de perdas;
  • horas de trabalho por lote;
  • aproveitamento dos recursos instalados;
  • giro por item.


A análise periódica permite ajustar volumes, receitas, preços e processos quando os resultados se afastam do planejado.


Quando a produção própria não compensa?


A produção própria pode não compensar quando o volume vendido não justifica o custo e os recursos necessários para fabricar determinado item.


Baixo giro, processo complexo, muitas horas de trabalho, investimento elevado ou necessidade de conhecimento muito específico podem tornar a compra de terceiros economicamente mais adequada.


Outro sinal de alerta ocorre quando a estrutura já trabalha próxima do limite.


Acrescentar novas receitas nessas condições pode gerar gargalos, atrasos, perdas ou variações de qualidade.


Nesses casos, terceirizar determinadas categorias permite direcionar os recursos internos para itens com melhor desempenho.


Vale a pena investir na produção própria?


A produção própria vale a pena quando a comparação entre fabricar e comprar demonstra viabilidade econômica e a operação dispõe dos recursos necessários para atender à demanda sem comprometer qualidade ou fluxo produtivo.


A decisão deve ser feita por categoria, e não necessariamente para todo o mix.


Dessa forma, fabricação interna e fornecedores externos podem coexistir de acordo com o resultado esperado de cada grupo de itens.


Perguntas frequentes sobre produção própria


É necessário produzir todo o mix internamente?


Não. A empresa pode selecionar as categorias que apresentam condições favoráveis para fabricação interna e continuar utilizando fornecedores nas demais. O modelo híbrido permite avaliar cada grupo separadamente.


Produção própria exige mais mão de obra?


Depende do volume, das receitas, do fluxo e dos equipamentos utilizados.


Algumas etapas demandam maior participação manual, enquanto outras podem utilizar recursos automatizados.


O cálculo deve considerar as horas de trabalho necessárias por lote.


É possível produzir antecipadamente e congelar?


Sim, quando o alimento e o processo são compatíveis.


É necessário definir procedimentos adequados de preparação, congelamento, armazenamento, descongelamento e finalização, observando qualidade e segurança dos alimentos.


Como começar a produção própria com poucos produtos?


Uma opção é selecionar um número reduzido de itens com demanda conhecida, definir fichas técnicas, calcular custos e iniciar com lotes compatíveis com as vendas.


Os resultados de rendimento, margem e perdas podem orientar uma expansão posterior do mix.


Como reduzir perdas na produção própria da padaria?


O primeiro passo é comparar a quantidade fabricada com as vendas reais.


Planejamento de lotes, fichas técnicas, padronização de porções, acompanhamento do rendimento e produção antecipada, quando aplicável, ajudam a reduzir excedentes e identificar onde ocorrem as perdas.


Veja também como os supermercados estão investindo na produção própria como forma de diferenciação.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.