Queijos: conheça as variedades mais famosas pelo mundo

Prática • 19 de janeiro de 2024
Queijos variados sobre tábua de madeira, incluindo queijo azul com veios, queijo de casca branca tipo brie, peças semiduras e lascas de queijo curado.

O queijo é um alimento produzido a partir do leite por meio da coagulação da proteína caseína, seguida da separação do soro e, em muitos casos, de um período de maturação controlada.


Ele pode ser elaborado com leite de vaca, búfala, cabra ou ovelha.


A matéria-prima utilizada influencia características como textura, sabor, aroma, teor de gordura, umidade e comportamento durante o derretimento.


Existem milhares de variedades de queijo em todo o mundo.


Essa diversidade resulta da combinação entre clima, alimentação do rebanho, composição do leite, métodos de fabricação, culturas microbianas, tempo de cura e identidade regional.


Por isso, conhecer as principais categorias vai além da origem geográfica e envolve compreender como cada processo interfere nas características finais do produto.


Os queijos podem ser classificados como frescos, semiduros, duros, azuis ou de casca branca.


Também apresentam diferentes perfis sensoriais, variando de sabores delicados a intensos, além de aplicações que incluem consumo in natura, gratinados, sanduíches, pizzas, molhos e tábuas de frios.


Essa versatilidade explica sua importância tanto na alimentação doméstica quanto nas operações profissionais de food service.


Breve histórico da produção de queijo


A fabricação de queijo acompanha a humanidade há milhares de anos.


Registros históricos indicam que povos antigos observaram a coagulação natural do leite armazenado em recipientes produzidos com estômagos de animais, ricos em enzimas capazes de formar a coalhada.


Com o passar dos séculos, o conhecimento foi sendo aperfeiçoado.


Mosteiros europeus desenvolveram técnicas de afinagem e conservação, enquanto diferentes regiões adaptaram a produção às condições climáticas locais.


Áreas montanhosas passaram a produzir exemplares de longa cura, favorecendo maior durabilidade, enquanto regiões quentes concentraram a fabricação de produtos frescos ou conservados em salmoura.


Essa evolução histórica explica a enorme diversidade de variedades encontradas atualmente.


Como o queijo é produzido


Independentemente da variedade, a fabricação segue princípios semelhantes.


O leite passa por um processo de coagulação, no qual a caseína forma a coalhada, separando-se do soro.


As principais etapas são:


  • Coagulação
  • Corte da coalhada
  • Mexedura e aquecimento
  • Dessoragem
  • Prensagem
  • Salga
  • Maturação ou consumo imediato


O tamanho dos grãos da coalhada exerce influência direta sobre a umidade do produto.


Cortes menores favorecem maior eliminação de soro e originam exemplares mais firmes, enquanto cortes maiores preservam mais umidade e resultam em texturas macias.


Outro fator importante é a escolha do leite.


Produtos elaborados com leite cru preservam parte da microbiota original e desenvolvem perfis sensoriais bastante particulares durante a cura.


Já aqueles produzidos com leite pasteurizado apresentam maior padronização microbiológica, característica importante para a indústria.


O papel das culturas microbianas


Além do coalho, a fabricação utiliza culturas iniciadoras compostas por bactérias lácticas responsáveis pela fermentação do leite.


Esses microrganismos transformam a lactose em ácido lático, reduzem o pH e criam condições adequadas para o desenvolvimento da textura e do sabor.


Em algumas variedades também são utilizados fungos específicos, como Penicillium candidum, empregado na produção de Brie e Camembert, e Penicillium roqueforti, utilizado em diversos queijos azuis.


Maturação de queijos


A maturação é um dos fatores que mais influenciam a personalidade de cada variedade.


Durante esse período ocorrem diversas transformações bioquímicas que modificam aroma, textura, elasticidade e intensidade de sabor.


Entre os principais processos estão:


Proteólise


s proteínas são degradadas em moléculas menores, aumentando a complexidade aromática e tornando a textura gradualmente mais macia.


Lipólise


As gorduras são quebradas em compostos responsáveis por aromas característicos e sabores mais intensos.


Atividade microbiana


Bactérias e fungos específicos continuam atuando durante a cura, contribuindo para a formação das características típicas de cada categoria.

O tempo de maturação pode variar de poucos dias a vários meses ou até anos.


Cura curta


Mantém elevada umidade, textura macia e sabor delicado.


Cura intermediária


Produz maior firmeza e aromas mais desenvolvidos.


Cura longa


Origina textura granulosa, cristais naturais, baixa umidade e elevada complexidade sensorial.


Temperatura, ventilação, umidade relativa, tamanho da peça e composição do leite estão entre os fatores que determinam o resultado final.


Durante esse período também ocorre redução gradual da lactose residual, característica que pode tornar alguns produtos mais bem tolerados por pessoas com sensibilidade à lactose, embora isso não signifique ausência completa desse açúcar.


Classificação dos principais tipos de queijo


Queijos frescos


São produzidos para consumo rápido e praticamente não passam por afinagem.


Apresentam elevada umidade, sabor suave e textura delicada.


Entre os exemplos estão:


  • Ricota
  • Cottage
  • Minas Frescal


Queijos semiduros


Combinam boa elasticidade, equilíbrio entre maciez e firmeza e ampla versatilidade culinária.


Alguns dos representantes dessa categoria são:


  • Gouda
  • Edam
  • Queijo Prato


São bastante utilizados em sanduíches, hambúrgueres e preparações gratinadas devido à boa capacidade de fusão.


Queijos duros


Possuem baixa umidade e passam por longos períodos de cura.


Entre os mais conhecidos estão:


  • Parmigiano Reggiano
  • Grana Padano
  • Comté
  • Pecorino


Essas variedades costumam apresentar sabor intenso, elevada concentração de compostos aromáticos e excelente rendimento quando raladas.


Queijos azuis


São caracterizados pelo desenvolvimento interno de fungos que formam as tradicionais veias azul-esverdeadas.


Alguns exemplos incluem:


  • Gorgonzola
  • Roquefort
  • Stilton
  • Azul do Cerrado


Queijos de casca branca


Desenvolvem uma camada superficial formada por fungos específicos, responsável por proteger o interior extremamente cremoso.


Os principais representantes são:


  • Brie
  • Camembert


Principais variedades por país


Itália


  • Parmigiano Reggiano
  • Grana Padano
  • Mozzarella
  • Gorgonzola
  • Pecorino
  • Provolone
  • Mascarpone


França


  • Brie
  • Camembert
  • Roquefort
  • Comté
  • Reblochon


Suíça


  • Emmental
  • Gruyère
  • Raclette


Reino Unido


  • Cheddar
  • Stilton


Holanda


  • Gouda
  • Edam


Espanha


  • Manchego
  • Idiazábal


Grécia


  • Feta


Brasil


  • Minas Frescal
  • Minas Padrão
  • Serra da Canastra
  • Queijo Coalho
  • Queijo Prato
  • Requeijão Cremoso
  • Azul do Cerrado


Destaques da produção brasileira


A produção nacional reúne desde variedades tradicionais até exemplares premiados internacionalmente.


O Minas Artesanal possui forte identidade regional e diversas regiões produtoras contam com Indicação Geográfica (IG), mecanismo que reconhece características ligadas ao território de origem.


Outro destaque é o Queijo Serra da Canastra, cuja produção tradicional tornou-se referência pela qualidade e pela valorização dos métodos artesanais.


Além dessas variedades, cresce a produção com leite de cabra, búfala e ovelha, ampliando as opções disponíveis para consumidores e estabelecimentos do mercado da alimentação.


Teor de gordura e comportamento ao derreter


O teor de gordura influencia diretamente a textura, a elasticidade e a capacidade de fusão.


Variedades com maior concentração de gordura costumam derreter com facilidade, formando superfícies homogêneas e cremosas.


Já aquelas com menor teor preservam melhor sua estrutura durante o aquecimento.


Essas características são determinantes na escolha dos ingredientes para pizzas, hambúrgueres, sanduíches, molhos, massas e preparações gratinadas.


Como escolher o queijo ideal


A escolha depende tanto do perfil sensorial quanto da aplicação culinária.


Para pizzas, preparações gratinadas e sanduíches quentes, variedades com boa capacidade de fusão costumam oferecer melhores resultados.


Tábuas de frios normalmente combinam produtos frescos, maturados e azuis para proporcionar diferentes texturas e intensidades de sabor.


Já em molhos e recheios, a cremosidade, a estabilidade durante o aquecimento e o rendimento tornam-se fatores importantes para operações profissionais.


Mercado de queijos


O mercado global segue em expansão, impulsionado pela valorização de produtos artesanais, certificações de origem e novas experiências de consumo.

Na Europa, países como França, Alemanha e Itália estão entre os maiores consumidores per capita.


Nos Estados Unidos, mozzarella e cheddar lideram as vendas devido ao amplo consumo de pizzas, hambúrgueres e sanduíches.


No Brasil, o consumo ainda é inferior ao europeu, mas cresce de forma consistente, impulsionado pela expansão do food service, da gastronomia regional e da busca por produtos diferenciados.


Entre as principais tendências estão:


  • valorização dos produtos artesanais;
  • crescimento da procura por variedades maturadas;
  • expansão dos produtos certificados por origem;
  • aumento da produção com leite de cabra e búfala;
  • interesse por ingredientes de maior valor agregado.


Armazenamento e segurança dos alimentos


Cada categoria exige condições específicas de conservação.


Produtos frescos devem permanecer sob refrigeração constante e possuem menor vida útil.


Variedades maturadas também necessitam de controle de temperatura e, em alguns casos, de umidade adequada para preservar suas características.


Durante a manipulação, é essencial evitar contaminação cruzada, respeitar as temperaturas recomendadas e manter boas práticas de higiene para garantir a segurança dos alimentos e preservar a qualidade sensorial.


Aplicações no mercado da alimentação


A ampla variedade disponível permite desenvolver cardápios diversificados e agregar valor às preparações.


Entre as principais aplicações estão:


  • sanduíches;
  • pizzas;
  • hambúrgueres;
  • massas;
  • molhos;
  • gratinados;
  • entradas;
  • tábuas de frios;
  • sobremesas;
  • panificação.


Ao compreender diferenças de composição, teor de gordura, umidade, tempo de cura e comportamento durante o aquecimento, torna-se possível selecionar a opção mais adequada para cada preparo, equilibrando custo, rendimento, padronização e percepção de valor.


Confira também nosso conteúdo sobre como assar o tradicional pão de queijo sem perder a qualidade.


Perguntas frequentes


Qual é a diferença entre queijo fresco e queijo maturado?


Os frescos praticamente não passam por cura e apresentam elevada umidade, enquanto os maturados permanecem por períodos variáveis em ambientes controlados, desenvolvendo sabores, aromas e texturas mais complexos.


Qual queijo derrete melhor?


Mozzarella, Gouda, Queijo Prato e Cheddar costumam apresentar excelente capacidade de fusão, sendo amplamente utilizados em pizzas, hambúrgueres e sanduíches.


Todo queijo contém lactose?


Nem sempre. Durante a maturação ocorre redução gradual da lactose, fazendo com que algumas variedades apresentem concentrações bastante baixas desse açúcar.


O que é um queijo artesanal?


É aquele produzido segundo métodos tradicionais, geralmente em menor escala e frequentemente associado a características regionais, ingredientes locais e técnicas específicas de fabricação.


Como conservar queijo corretamente?


O armazenamento deve respeitar a temperatura recomendada para cada variedade, mantendo o produto protegido contra ressecamento, contaminação cruzada e absorção de odores de outros alimentos.


Confira também nosso conteúdo sobre como assar o tradicional pão de queijo sem perder a qualidade!