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Sururu: sabores do mar, patrimônio sustentável

Prática • 20 de maio de 2024
Uma tigela de sopa com mexilhões e uma colher de pau sobre uma mesa.

Sururu é um tipo de marisco comestível, muito apreciado na culinária brasileira, especialmente nas regiões litorâneas. Ele pertence à classe dos moluscos bivalves e é semelhante às ostras em sua aparência, porém geralmente menor em tamanho. 


Ele é consumido cozido ou em pratos como sopas, ensopados, moquecas, entre outros. Bastante valorizado por seu sabor delicado e textura macia, é uma iguaria comum em muitos pratos típicos da culinária nordestina.


Hoje vamos conhecer este ingrediente típico que além de ícone culinário, é uma fonte importante de alimento para muitas comunidades costeiras. Confira!


O molusco


A espécie mais comum é conhecida cientificamente como "Mytella falcata". É encontrado principalmente nas águas costeiras do Brasil, especialmente nas regiões nordeste e sudeste do país. 


Encontrado em habitats costeiros, principalmente em áreas de estuários, manguezais e zonas de lama arenosa em regiões tropicais e subtropicais. 

Esses moluscos bivalves habitam águas rasas, geralmente até alguns metros de profundidade, onde se alimentam de partículas orgânicas suspensas na água.

 

Eles são frequentemente encontrados em áreas onde há uma mistura de água doce e salgada, como estuários e deltas de rios, onde as condições são propícias para seu desenvolvimento. 


Os manguezais, com sua complexa rede de raízes e sedimentos, também fornecem um habitat importante para o sururu.


Aspectos nutricionais


  • Proteína: é uma boa fonte de proteína de alta qualidade, essencial para a construção e reparação de tecidos no corpo.
  • Vitaminas: contém uma variedade de vitaminas importantes, incluindo vitaminas do complexo B (como B12, B6, e ácido fólico), vitamina A e vitamina C.
  • Minerais: minerais essenciais, como ferro, zinco, cálcio, fósforo, magnésio e potássio, para a formação de ossos, função muscular, transporte de oxigênio e manutenção do sistema imunológico.
  • Ácidos graxos ômega-3: contém ácidos graxos ômega-3, que são conhecidos por seus benefícios para a saúde cardiovascular e cerebral.


Extração do Sururu


Sua extração geralmente é realizada manualmente por pescadores locais. Eles podem usar instrumentos simples, como pás ou enxadas, para escavá-lo dos bancos de lama onde eles residem. 


Limpeza e Seleção: Após a coleta, eles são limpos para remover quaisquer detritos ou organismos indesejados que possam estar presos às conchas. Eles também são selecionados para garantir que apenas os de boa qualidade sejam processados.


Podem ser cozidos imediatamente após a colheita ou podem passar por processos de conservação, como congelamento ou conserva em salmoura, para aumentar sua vida útil.


Embalagem e Distribuição: Após o processamento, são embalados e preparados para distribuição. Eles podem ser vendidos frescos, congelados ou enlatados, dependendo das preferências do mercado e dos métodos de conservação utilizados.


Usos culinários


  • Ensopado: Similar ao caldo, mas com uma consistência mais espessa. É preparado cozinhando-o com temperos, vegetais e, às vezes, com leite de coco.
  • Moqueca: Uma versão da tradicional moqueca de peixe, onde é cozido em um molho de tomate, cebola, pimentão, leite de coco e temperos, servido com arroz branco.
  • Paella: pode ser um ingrediente delicioso em paellas, adicionando um sabor do mar e uma textura tenra ao prato.
  • Risoto: pode ser adicionado ao risoto, proporcionando um sabor único e uma textura suculenta ao prato.
  • Saladas: em saladas frias ou em pratos mais quentes, adicionando uma textura crocante e um sabor marinho.
  • Recheios: como recheio em tortas, empadas, pastéis e outros salgados, proporcionando um sabor do mar aos pratos.
  • Molhos e Cremes: pode ser utilizado na preparação de molhos e cremes para massas, proporcionando um sabor único e uma textura cremosa aos pratos.


Receita do Caldo de sururu


Ingredientes


  • 500g de sururu fresco
  • 2 cebolas médias, picadas
  • 3 dentes de alho, picados
  • 2 tomates maduros, picados
  • 1 pimentão verde, picado
  • Coentro fresco a gosto, picado
  • Cheiro-verde (salsinha e cebolinha) a gosto, picado
  • 1 colher de sopa de azeite de dendê (opcional)
  • 2 colheres de sopa de azeite de oliva
  • Sal e pimenta a gosto
  • Água
  • Suco de limão (opcional)


Instruções


  1. Limpe bem o sururu, removendo qualquer sujeira, resíduos ou partes não comestíveis. Lave-o em água corrente e reserve.
  2. Em uma panela grande, aqueça o azeite de oliva em fogo médio. Adicione a cebola e o alho picados e refogue até ficarem macios e levemente dourados.
  3. Acrescente o pimentão picado e refogue por mais alguns minutos, até que fique macio.
  4. Adicione os tomates picados e refogue até que comecem a se desfazer.
  5. Adicione o sururu limpo à panela e mexa bem.
  6. Cubra os ingredientes na panela com água suficiente para cobri-lo. Deixe ferver.
  7. Tempere o caldo com sal e pimenta a gosto. Se estiver usando azeite de dendê, adicione nesta etapa.
  8. Reduza o fogo e deixe o caldo cozinhar em fogo baixo por cerca de 30 a 40 minutos, até que o molusco esteja macio e os sabores estejam bem incorporados.
  9. Adicione o coentro e o cheiro-verde picados ao caldo e mexa bem.
  10. Prove o caldo e ajuste os temperos conforme necessário.
  11. Se desejar, esprema um pouco de suco de limão fresco sobre o caldo antes de servir.
  12. Sirva o caldo bem quente, acompanhado de fatias de pão ou torradas.


Conclusão


A sustentabilidade da coleta é crucial para preservar os ecossistemas costeiros e garantir o sustento das comunidades locais, pois a sobreexploração prejudica os habitats marinhos e a biodiversidade. 


O sururu é uma fonte importante de alimento e renda para as comunidades costeiras, tornando a pesca sustentável essencial para sua segurança alimentar e econômica. Práticas responsáveis de pesca, valorização do conhecimento tradicional e conservação dos habitats são fundamentais para garantir a viabilidade a longo prazo da coleta. 


Promover o turismo sustentável pode trazer benefícios econômicos adicionais para essas comunidades, tornando a sustentabilidade da sua coleta crucial para o desenvolvimento socioeconômico e a conservação marinha.


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