5S: pequeno guia de aplicação nos empreendimentos food service

Prática • October 11, 2023
Um homem está esfregando o chão de uma sala de estar.

Em uma cozinha profissional, perder tempo procurando utensílios, acumular ingredientes sem uso ou encontrar equipamentos fora de condições adequadas pode comprometer o andamento da produção.


O método 5S ajuda a identificar esses problemas e estabelecer rotinas para manter os espaços funcionais.


Aplicável a restaurantes, padarias, confeitarias e outros estabelecimentos de alimentação, a metodologia organiza o trabalho em cinco sensos: utilização, organização, limpeza, padronização e autodisciplina.


Veja o significado de cada um e como colocá-los em prática no food service.


O que é a metodologia 5S?


O 5S é um método de organização do ambiente de trabalho desenvolvido no Japão. Seu nome reúne cinco palavras japonesas, cada uma associada a um princípio:


  • Seiri: senso de utilização.
  • Seiton: senso de organização.
  • Seiso: senso de limpeza.
  • Seiketsu: senso de padronização.
  • Shitsuke: senso de autodisciplina.


Os cinco sensos funcionam de maneira complementar.


Primeiro, identifica-se o que é necessário à operação.


Depois, definem-se locais para os materiais, executam-se os cuidados de limpeza, estabelecem-se padrões e acompanha-se sua aplicação.


No food service, o método pode facilitar o acesso aos utensílios, melhorar a organização dos estoques e tornar as responsabilidades da equipe mais claras.


Entretanto, o 5S não substitui as Boas Práticas de Manipulação, o Manual de Boas Práticas, os Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) ou outras exigências sanitárias aplicáveis ao estabelecimento.


Como aplicar o 5S em cozinhas profissionais


1. Seiri: senso de utilização


O primeiro senso consiste em identificar o que realmente precisa permanecer em cada ambiente.


Uma cozinha pode acumular recipientes danificados, acessórios incompatíveis com os equipamentos atuais, embalagens sem uso e matérias-primas adquiridas em excesso.


Esses itens ocupam espaço e dificultam o acesso aos materiais necessários.


Como aplicar o Seiri:


  1. Faça um levantamento dos materiais. Examine armários, gavetas, depósitos, bancadas e estações de trabalho. Identifique o que é utilizado regularmente, o que tem uso eventual e o que não possui mais aplicação.
  2. Avalie as condições dos utensílios. Inspecione panelas, assadeiras, formas e recipientes. Retire de uso aqueles que apresentem riscos, danos incompatíveis com a operação ou superfícies que não possam ser higienizadas adequadamente.
  3. Revise o estoque de ingredientes. Verifique validade, integridade das embalagens e condições de conservação. Produtos vencidos, deteriorados ou impróprios para consumo devem receber destinação adequada.
  4. Identifique equipamentos sem utilização. Máquinas paradas, com defeitos ou incompatíveis com a demanda precisam ser avaliadas para manutenção, remanejamento ou descarte, conforme suas condições.
  5. Reduza compras desnecessárias. Compare os materiais disponíveis com o consumo real da operação para evitar novas aquisições de itens já existentes.


O objetivo não é descartar tudo o que apresenta baixa frequência de uso.


Equipamentos sazonais e utensílios específicos podem continuar necessários, desde que sua permanência seja justificada e seu armazenamento seja adequado.


2. Seiton: senso de organização


epois de identificar os materiais necessários, é preciso definir onde cada item ficará armazenado


O Seiton busca facilitar a localização, a retirada e a devolução dos objetos, considerando a frequência de uso e as características de cada estação.


Como aplicar o Seiton:


  1. Defina locais para utensílios e acessórios. Organize facas, espátulas, formas e recipientes conforme as atividades realizadas em cada área, respeitando as condições de segurança.
  2. Identifique prateleiras e compartimentos. Utilize etiquetas e sinalizações que permitam reconhecer os materiais sem abrir todas as embalagens ou movimentar outros produtos.
  3. Organize as matérias-primas por suas necessidades de conservação. Separe os alimentos conforme as condições exigidas e adote medidas para prevenir contaminação cruzada.
  4. Controle a ordem de utilização do estoque. Priorize os produtos com vencimento mais próximo, aplicando o critério PVPS, primeiro que vence, primeiro que sai. Quando pertinente, considere também a ordem de recebimento.
  5. Avalie a disposição das estações de trabalho. A sequência de recebimento, preparação, cocção e expedição deve reduzir deslocamentos desnecessários sem comprometer os fluxos sanitários.


A identificação visual também pode ser utilizada para distinguir áreas, utensílios ou categorias de materiais.


Qualquer sistema de cores deve ser compreendido pela equipe e compatível com os procedimentos de prevenção de contaminação.


3. Seiso: senso de limpeza


O Seiso envolve manter o ambiente limpo e identificar as causas do acúmulo de resíduos.


Em estabelecimentos de alimentação, esse princípio precisa estar alinhado aos procedimentos de higienização previstos para cada superfície, utensílio e equipamento.


Como aplicar o Seiso:


  1. Estabeleça rotinas por ambiente. Inclua áreas de preparação, bancadas, pisos, equipamentos, depósitos, atendimento, sanitários e locais de armazenamento de resíduos.
  2. Utilize procedimentos adequados. Defina produtos, concentrações, métodos e frequências conforme as características das superfícies, as orientações dos fabricantes e as exigências sanitárias.
  3. Distribua responsabilidades. Identifique quem executa cada atividade e quem verifica sua realização, evitando tarefas sem responsável definido.
  4. Investigue a origem da sujeira. Resíduos recorrentes podem indicar vazamentos, falhas de vedação, descarte inadequado ou dificuldades de acesso para higienização.
  5. Registre as verificações necessárias. Utilize controles compatíveis com os procedimentos do estabelecimento para acompanhar a execução e identificar desvios.


A limpeza de refrigeradores, freezers e câmaras frias exige planejamento específico.


Quando for necessária uma parada, os alimentos devem ser protegidos e transferidos para condições adequadas de conservação.


Também é importante diferenciar limpeza e sanitização: a remoção de resíduos não substitui, quando necessária, a etapa destinada à redução de microrganismos.


Para compreender a relação entre essas práticas e a fiscalização, consulte o artigo sobre como atua a Vigilância Sanitária de alimentos.


4. Seiketsu: senso de padronização


Após organizar os espaços e estabelecer as rotinas de limpeza, o próximo passo é definir critérios para que essas condições sejam mantidas.


O Seiketsu transforma práticas individuais em procedimentos conhecidos pela equipe, reduzindo diferenças na execução das atividades.


Como aplicar o Seiketsu:


  1. Documente os procedimentos necessários. Estabeleça instruções claras para atividades que exigem execução uniforme, especialmente aquelas relacionadas à higiene e à segurança dos alimentos.
  2. Mantenha os POPs aplicáveis. Verifique os documentos exigidos pela regulamentação sanitária e assegure que correspondam aos processos efetivamente realizados.
  3. Utilize checklists objetivos. Crie verificações para abertura, operação e fechamento, contemplando os pontos relevantes de cada área.
  4. Padronize a identificação de materiais. Defina critérios para etiquetas, datas, responsáveis e condições de armazenamento, respeitando as exigências aplicáveis aos alimentos.
  5. Revise os padrões quando houver mudanças. A aquisição de equipamentos, a alteração do cardápio ou a reorganização da produção podem exigir atualização dos procedimentos.


A padronização não significa produzir documentos para todas as tarefas sem avaliar sua necessidade.


O objetivo é tornar claras as atividades que precisam ser executadas de maneira consistente e verificável.


Na panificação, por exemplo, os procedimentos devem considerar as características da produção e as normas pertinentes.


5. Shitsuke: senso de autodisciplina


O último senso trata da continuidade.


Uma cozinha pode passar por uma reorganização completa e, poucas semanas depois, voltar a acumular materiais ou abandonar os padrões definidos.


O Shitsuke busca incorporar os cuidados à rotina, com acompanhamento e participação dos profissionais.


Como aplicar o Shitsuke:


  1. Capacite a equipe. Explique os procedimentos adotados, suas finalidades e as responsabilidades de cada função.
  2. Realize verificações periódicas. Observe se os materiais permanecem nos locais definidos, se os controles estão sendo utilizados e se existem dificuldades na execução.
  3. Abra espaço para sugestões. Os profissionais que utilizam diariamente as estações de trabalho podem identificar problemas de acesso, armazenamento ou fluxo que não aparecem no planejamento inicial.
  4. Corrija desvios e suas causas. Quando uma orientação não é cumprida, verifique se faltam recursos, tempo, treinamento ou condições adequadas.
  5. Acompanhe a evolução. Registre pendências, responsáveis e prazos para que as melhorias não dependam apenas de iniciativas isoladas.


A manutenção do 5S exige participação da gestão.


Cobrar organização sem disponibilizar espaço, materiais ou tempo suficiente para as atividades dificulta o cumprimento dos padrões.


Como começar a implantação do 5S no food service?


Não é necessário reorganizar todo o estabelecimento de uma só vez.


A implantação pode começar por uma área delimitada, como o estoque seco, a confeitaria ou a estação de preparação de alimentos.


Uma sequência possível é:


  1. Escolha a área inicial. Priorize um ambiente com dificuldades frequentes de localização, armazenamento ou circulação.
  2. Registre a situação encontrada. Identifique materiais acumulados, problemas de disposição e procedimentos que precisam ser definidos.
  3. Aplique os cinco sensos. Faça a triagem, organize os itens necessários, estabeleça a limpeza, documente os padrões e oriente os responsáveis.
  4. Defina indicadores simples. Acompanhe, por exemplo, o tempo para localizar utensílios, a ocorrência de produtos vencidos e o cumprimento das verificações programadas.
  5. Avalie os resultados. Revise as medidas que não funcionaram e utilize o aprendizado antes de ampliar o programa para outros setores.


A frequência das verificações deve considerar o volume de trabalho, os riscos envolvidos e as características de cada ambiente.


O 5S não elimina a necessidade de investimentos ou de adequações estruturais.


Entretanto, permite identificar com maior clareza quais problemas podem ser resolvidos pela organização das rotinas e quais exigem manutenção, novos recursos ou mudanças físicas.


Em restaurantes, padarias e cozinhas profissionais, sua aplicação deve caminhar junto das Boas Práticas e dos controles sanitários, com responsabilidades definidas e acompanhamento contínuo.


Veja também as principais exigências da Vigilância Sanitária para panificadoras.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.