Automação de serviços na gastronomia: quais as opções?

Prática • July 4, 2023
Uma fileira de fornos de aço inoxidável estão alinhados em um fundo vermelho.

A automação na gastronomia utiliza equipamentos programáveis, softwares e sistemas conectados para executar tarefas com menor necessidade de intervenções manuais. Em restaurantes, padarias, cafeterias e cozinhas profissionais, essas tecnologias podem apoiar desde o controle de estoque até o preparo dos alimentos e o registro de vendas.

Automatizar, porém, não significa eliminar funcionários nem substituir todas as decisões por máquinas. O objetivo é tornar processos mais previsíveis, reduzir etapas repetitivas e disponibilizar informações que ajudem a equipe a trabalhar com maior controle.

As soluções variam conforme o porte do estabelecimento, o cardápio e os problemas que precisam ser resolvidos. Conheça as principais aplicações e os critérios para escolher tecnologias compatíveis com a operação.

O que é automação na gastronomia?

É a utilização de recursos tecnológicos para executar, controlar ou acompanhar atividades de um negócio de alimentação. Pode envolver desde uma receita programada em um forno até sistemas integrados de compras, estoque, pedidos e pagamentos.

Existem diferentes níveis de automação. Uma tarefa pode ser executada automaticamente após um comando do operador, enquanto sistemas mais complexos utilizam dados para ajustar processos ou apoiar decisões.

É importante distinguir automação de inteligência artificial. Um equipamento que reproduz parâmetros previamente definidos não utiliza necessariamente IA. Da mesma forma, conectar máquinas à internet não significa que elas operem de maneira autônoma.

Quais processos podem ser automatizados em restaurantes?

As aplicações mais comuns estão distribuídas entre gestão administrativa, atendimento e produção de alimentos.

  • Compras e estoque: acompanhamento de entradas, saídas, níveis mínimos e necessidades de reposição.
  • Vendas e pagamentos: registro de pedidos, emissão de documentos fiscais e conciliação financeira.
  • Atendimento: cardápios digitais, totens, comandas eletrônicas e organização das solicitações.
  • Produção: programação de receitas, controle de cocção e execução de ciclos definidos.
  • Conectividade: distribuição de configurações e acompanhamento de equipamentos compatíveis.
  • Delivery: recebimento de pedidos, atualização de status e integração com canais de entrega.

A prioridade deve ser determinada pelos gargalos do estabelecimento. Instalar várias ferramentas sem integração pode aumentar a complexidade em vez de melhorar a operação.

Como funciona a automação de estoque e compras?

Os sistemas de gestão de estoque registram movimentações de ingredientes, embalagens e outros materiais utilizados na produção.

Quando integrados às vendas e às fichas técnicas, podem estimar o consumo de insumos conforme os produtos comercializados. Isso facilita a identificação de divergências entre estoque teórico e físico.

Algumas plataformas também permitem configurar pontos de reposição, acompanhar fornecedores e gerar sugestões de compra com base no histórico de consumo.

Entretanto, os resultados dependem de cadastros corretos, unidades de medida padronizadas e registros de perdas, transferências e recebimentos.

Como evitar erros no estoque automatizado?

O primeiro cuidado é manter fichas técnicas atualizadas. Se um sanduíche utiliza determinada quantidade de queijo, por exemplo, o sistema precisa conhecer essa informação para estimar o consumo.

Também é necessário realizar inventários periódicos. A automação auxilia no controle, mas não identifica automaticamente toda quebra, deterioração ou utilização não registrada.

Para alimentos perecíveis, o acompanhamento de validade, lotes e condições de armazenamento continua sendo indispensável.

Como os fornos combinados automatizam a cozinha?

Os fornos combinados utilizam ar quente, vapor e a combinação dessas funções para executar diferentes processos de cocção.

Em modelos programáveis, o operador pode definir parâmetros e armazenar receitas para reproduzir o processo em outros lotes.

Isso é útil em restaurantes, hotéis, refeitórios e centrais de produção que precisam preparar alimentos em volumes regulares e manter procedimentos padronizados.

Os fornos combinados TSi da Prática oferecem recursos como cocção inteligente, sonda de núcleo, cocção múltipla, programas de preparo noturno e higienização automática.

Receitas programadas e controle de cocção

A programação permite registrar condições de temperatura, umidade e outras etapas compatíveis com a preparação.

A sonda de núcleo acompanha a temperatura interna do alimento, ajudando a controlar o ponto de cocção. Seu posicionamento e os parâmetros utilizados precisam seguir os procedimentos definidos para cada receita.

Esse recurso é especialmente importante em peças grandes, nas quais a temperatura da superfície não representa necessariamente a condição do centro.

Cocção múltipla e preparo noturno

A cocção múltipla permite organizar alimentos com tempos diferentes quando utilizam a mesma função e temperatura de trabalho, respeitando a compatibilidade das preparações.

Já os programas noturnos possibilitam executar determinados processos durante períodos de menor atividade da cozinha.

Essas funções exigem planejamento, instalações adequadas e cumprimento das orientações do fabricante. A automação não elimina os cuidados com segurança operacional, manutenção e conservação dos alimentos.

Higienização automática

Em equipamentos compatíveis, o operador seleciona o programa de limpeza e utiliza os produtos indicados pelo fabricante.

O sistema executa o ciclo programado, reduzindo etapas manuais de higienização da câmara.

Isso não dispensa o abastecimento correto dos produtos, a inspeção do equipamento e as demais rotinas de limpeza previstas para a cozinha.

Como os Speed Ovens automatizam o preparo de alimentos?

Os Speed Ovens são fornos de alta velocidade utilizados para aquecer, finalizar ou regenerar alimentos em ciclos curtos.

Conforme o modelo, combinam tecnologias como micro-ondas, circulação de ar quente impingido e outros recursos de aquecimento.

Uma aplicação comum é a finalização sob demanda de sanduíches, salgados e produtos previamente preparados e conservados nas condições adequadas.

A Linha FIT de Speed Ovens da Prática reúne equipamentos para diferentes volumes de atendimento, com receitas programáveis e interfaces desenvolvidas para simplificar a operação.

Depois de validar a receita, a equipe pode selecionar o programa correspondente em vez de ajustar manualmente os parâmetros a cada pedido.

Isso contribui para a repetibilidade, mas o resultado também depende da quantidade de alimento, da temperatura inicial, do posicionamento e das condições do produto.

O que significa tecnologia Ventless?

Ventless é um recurso de controle de emissões utilizado em determinados equipamentos, que pode dispensar sistemas convencionais de exaustão nas condições de instalação previstas pelo fabricante.

Os Speed Ovens da Prática contam com essa tecnologia, mas sua instalação continua sujeita às especificações elétricas, aos afastamentos, à ventilação e às exigências locais aplicáveis.

Portanto, Ventless não significa que o forno possa ser instalado em qualquer ambiente sem avaliação técnica.

O que é IOK, a plataforma de conectividade da Prática?

A IOK, sigla de Internet of Kitchen, é uma plataforma para administrar remotamente receitas e informações de fornos Prática compatíveis, utilizando conexão Wi-Fi.

Ela permite centralizar a organização de grupos, menus e programas de preparo, distribuindo configurações entre equipamentos conectados.

Na plataforma IOK da Prática, também é possível utilizar imagens de produtos nas receitas, acessar o Cookbook e receber atualizações de software disponíveis para os equipamentos compatíveis.

O acesso pode ser realizado por computador, tablet ou smartphone, conforme os requisitos da plataforma.

Qual é a vantagem da conectividade para redes e franquias?

Em uma rede de cafeterias, por exemplo, cada unidade pode possuir equipamentos semelhantes, mas operar com funcionários e volumes de atendimento diferentes.

A distribuição centralizada de receitas ajuda a manter parâmetros comuns, reduzindo a necessidade de configurar individualmente todos os fornos.

Isso não significa que a qualidade final seja garantida apenas pelo software. Ingredientes, porcionamento, armazenamento, treinamento e manutenção também precisam seguir os padrões definidos pela rede.

Como automatizar pedidos, vendas e pagamentos?

Os sistemas de ponto de venda, conhecidos como PDV, registram transações e podem se integrar a comandas eletrônicas, plataformas de pedidos e meios de pagamento.

Quando existe comunicação entre os sistemas, uma solicitação registrada no atendimento pode chegar diretamente à estação responsável pelo preparo.

Isso reduz a necessidade de transcrever pedidos, mas exige cadastros consistentes e procedimentos para alterações, cancelamentos e indisponibilidade de produtos.

Totens e cardápios digitais

Os totens de autoatendimento permitem que clientes consultem produtos, selecionem adicionais e, conforme a solução, realizem pagamentos sem passar pelo caixa tradicional.

Esses recursos podem facilitar o registro de pedidos, principalmente nos horários de pico. Entretanto, o tempo total de atendimento também depende da capacidade de produção e entrega.

Uma operação que recebe pedidos mais rapidamente, mas não consegue prepará-los no mesmo ritmo, pode apenas transferir a fila para a retirada.

Automação do delivery

As plataformas de entrega podem reunir solicitações de diferentes canais, atualizar o status dos pedidos e transmitir informações para a cozinha.

Alguns sistemas também oferecem recursos de controle de entregadores, integração financeira e análise de desempenho.

Antes da contratação, é importante verificar quais funcionalidades estão incluídas e se a solução é compatível com o PDV utilizado pelo estabelecimento.

Qual é o papel da inteligência artificial na gastronomia?

A inteligência artificial pode apoiar atividades que envolvem análise de dados, identificação de padrões e geração de previsões.

Entre as aplicações possíveis estão a estimativa de demanda por produto, a identificação de horários de maior movimento e a recomendação de itens com base em informações disponíveis.

Essas funções não devem ser confundidas com automações convencionais. Uma receita armazenada no forno ou uma regra de reposição de estoque pode funcionar sem IA.

Para utilizar modelos preditivos, a operação precisa de dados confiáveis e critérios para avaliar a precisão das recomendações.

Quando houver tratamento de informações pessoais dos clientes, também é necessário observar a legislação de proteção de dados aplicável.

Quais são os benefícios e os limites da automação?

Os ganhos mais relevantes costumam aparecer quando a tecnologia resolve um problema operacional identificado previamente.

Entre os resultados possíveis estão a redução de tarefas repetitivas, maior controle de processos, disponibilidade de informações e menor dependência de ajustes manuais.

Entretanto, a implantação também pode trazer custos de licenciamento, treinamento, manutenção, integração e atualização dos sistemas.

Outro limite é a dependência de infraestrutura. Equipamentos conectados e plataformas digitais precisam de condições adequadas de energia, rede e suporte técnico.

Por isso, é recomendável manter procedimentos alternativos para situações de indisponibilidade.

Quanto custa automatizar um restaurante?

O investimento varia conforme o porte do negócio e a quantidade de processos envolvidos.

Um estabelecimento pode começar com um sistema de pedidos integrado ao caixa, enquanto uma cozinha de grande volume pode necessitar de equipamentos programáveis, controle de estoque e soluções de conectividade.

O orçamento deve considerar aquisição ou locação, instalação, licenças, treinamento, suporte, manutenção e eventuais adaptações na infraestrutura.

Também é importante calcular o custo total ao longo do período de utilização, e não apenas o valor inicial da tecnologia.

Como calcular o retorno da automação?

O retorno deve ser avaliado comparando os resultados obtidos com os custos de implantação e operação.

Para isso, identifique quais indicadores a tecnologia pretende melhorar e registre os valores antes da mudança.

  • Tempo de atendimento: duração entre o pedido e a entrega ao cliente.
  • Produtividade: quantidade produzida em relação ao tempo e aos recursos utilizados.
  • Erros de pedidos: frequência de correções, cancelamentos e preparações refeitas.
  • Perdas de alimentos: volume ou valor dos produtos descartados.
  • Consumo de recursos: água, energia e insumos utilizados em processos comparáveis.
  • Margem de contribuição: resultado das vendas após os custos e despesas variáveis considerados.
  • Disponibilidade dos sistemas: frequência e duração de interrupções operacionais.

Uma melhoria isolada não comprova rentabilidade. A análise precisa considerar os ganhos financeiros efetivos, os custos recorrentes e a possibilidade de mudanças na demanda.

Como implantar a automação sem prejudicar a operação?

A implantação deve começar pelo mapeamento das atividades que consomem mais tempo, apresentam maior frequência de erros ou dificultam o atendimento.

  1. Identifique o problema: determine se o principal gargalo está no caixa, no estoque, no preparo ou na comunicação entre setores.
  2. Defina o resultado esperado: escolha indicadores mensuráveis antes de contratar a solução.
  3. Verifique a compatibilidade: avalie integração com sistemas existentes, infraestrutura e capacidade dos equipamentos.
  4. Teste em escala reduzida: valide o funcionamento com produtos, pedidos e volumes representativos da operação.
  5. Treine a equipe: estabeleça procedimentos para uso, limpeza, manutenção e resolução de falhas.
  6. Acompanhe os resultados: compare o desempenho com a situação anterior e ajuste o processo quando necessário.

Em redes com várias unidades, um projeto-piloto pode ajudar a identificar diferenças de infraestrutura e atendimento antes de ampliar a implantação.

Vale a pena investir em automação na gastronomia?

A automação pode ser vantajosa quando contribui para resolver problemas concretos de produção, atendimento ou gestão.

Equipamentos programáveis ajudam a executar processos definidos; softwares organizam informações e transações; plataformas conectadas facilitam a administração de unidades e receitas.

A escolha deve considerar o cardápio, a demanda, os recursos disponíveis e a capacidade da equipe de utilizar a tecnologia. Nem todo processo precisa ser automatizado, e nem toda solução avançada oferece o melhor retorno para determinado estabelecimento.

Se o principal desafio do seu negócio está na velocidade de preparo e na finalização sob demanda, conheça os benefícios dos Speed Ovens e suas aplicações no foodservice.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.