Benefícios da automação para o bem-estar dos colaboradores

Prática • October 14, 2022
Uma mulher está segurando uma bandeja de croissants em uma padaria.

Na padaria, parte do trabalho envolve movimentar ingredientes, preparar massas, abastecer máquinas, retirar assadeiras e repetir movimentos durante várias horas. Quando essas atividades exigem esforço excessivo ou são realizadas em condições inadequadas, podem contribuir para fadiga, desconforto e problemas musculoesqueléticos.

A automação na panificação pode reduzir determinadas tarefas físicas e melhorar a organização do trabalho. Entretanto, seus benefícios dependem da escolha dos equipamentos, do layout, do treinamento e das condições reais de operação. Entenda como relacionar tecnologia, ergonomia e bem-estar dos colaboradores.

O que é ergonomia na padaria?

Ergonomia é a área que estuda a interação entre pessoas, atividades, equipamentos e ambiente de trabalho. Seu objetivo é adequar as condições de execução das tarefas às características e capacidades dos trabalhadores.

Na panificação, isso envolve altura de bancadas, movimentação de cargas, alcance dos comandos, posturas, repetitividade, ritmo de produção e organização dos postos de trabalho.

A ergonomia não se limita a orientar o colaborador a manter as costas retas. Um posto mal dimensionado pode continuar exigindo esforço excessivo mesmo quando a pessoa tenta adotar uma postura considerada correta.

Quais são os principais riscos ergonômicos em uma padaria?

Os fatores de risco variam conforme o porte do estabelecimento, o cardápio, a quantidade produzida e o nível de mecanização. Algumas situações merecem atenção especial.

Movimentação manual de cargas

Sacos de farinha, recipientes com massa, tachos, caixas de ingredientes e assadeiras carregadas podem exigir levantamento, transporte ou deslocamento frequente.

O risco não depende apenas do peso. A distância percorrida, a frequência, a altura de retirada e a necessidade de girar o tronco também influenciam a exigência física.

Movimentos repetitivos

Dividir, bolear, modelar, abrir e acomodar massas são tarefas que podem envolver movimentos semelhantes durante períodos prolongados.

A repetitividade precisa ser avaliada junto à força empregada, à duração da atividade e às possibilidades de recuperação ao longo da jornada.

Posturas inadequadas e trabalho estático

Bancadas muito baixas podem exigir flexão frequente do tronco. Equipamentos com comandos ou áreas de abastecimento fora do alcance confortável podem provocar elevação dos braços ou posições difíceis de sustentar.

O trabalho prolongado em pé também exige atenção à organização das atividades, às pausas e às condições do posto.

Calor, ruído e organização do ambiente

Fornos, máquinas e sistemas de ventilação podem contribuir para condições ambientais desconfortáveis. Calor e ruído possuem critérios próprios de avaliação ocupacional, mas também influenciam a experiência diária de trabalho.

Equipamentos mal conservados, corredores obstruídos e deslocamentos desnecessários podem agravar essas condições. Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto da operação.

Como a automação contribui para o bem-estar dos colaboradores?

A principal contribuição é transferir determinadas tarefas repetitivas ou fisicamente exigentes para processos mecanizados, permitindo que a equipe se concentre mais no acompanhamento, no abastecimento e no controle da produção.

Os benefícios possíveis incluem:

  • Menor exigência de força manual: especialmente em etapas de mistura, divisão e modelagem de massas.
  • Redução de movimentos repetitivos: quando operações antes realizadas unidade por unidade passam a ser mecanizadas.
  • Maior previsibilidade: ciclos e parâmetros programáveis facilitam a organização do trabalho.
  • Melhor distribuição das tarefas: a equipe pode dedicar mais tempo à supervisão, à qualidade e à preparação das próximas etapas.
  • Menos manipulações intermediárias: quando equipamentos e acessórios são integrados de forma adequada ao fluxo produtivo.

Esses resultados não são automáticos. Uma máquina pode reduzir o esforço em determinada etapa e criar novas necessidades de abastecimento, limpeza, transporte ou monitoramento. Todas devem ser consideradas na avaliação ergonômica.

Quais equipamentos podem reduzir esforços na produção de pães?

Cada equipamento atua sobre uma exigência específica do processo. A escolha deve considerar o tipo de massa, o volume produzido e a interação do operador com a máquina.

Amassadeiras espirais

A amassadeira realiza a mistura dos ingredientes e o desenvolvimento da massa, substituindo o amassamento manual em operações profissionais.

Modelos com programação de tempo e velocidade permitem estabelecer ciclos de trabalho mais consistentes. A amassadeira espiral AE45 da Prática, por exemplo, possui controle digital, grade de proteção com abertura amortecida e recursos voltados à operação e à higienização.

O benefício ergonômico deve ser avaliado também na carga e descarga da massa. A capacidade do equipamento não dispensa o planejamento de como movimentar os ingredientes e retirar o produto processado.

Cilindros automáticos

O cilindro atua na compactação e uniformização da massa, conforme a formulação e o processo utilizado. Nos modelos automáticos, parte da operação pode ser executada com menor intervenção manual.

Isso pode reduzir manipulações repetitivas, mas não significa que o operador deixe de participar do processo. Alimentação, retirada e ajustes precisam seguir os procedimentos seguros do equipamento.

Também é importante esclarecer que a cilindragem não substitui o desenvolvimento adequado da massa na amassadeira. São etapas com funções diferentes.

Divisoras de massa

A divisão manual exige porcionamento frequente, especialmente em operações que produzem grande quantidade de pães. Divisoras permitem fracionar a massa com maior regularidade e reduzir parte desse trabalho.

Mesmo modelos manuais podem incorporar características que facilitam o acionamento. A divisora DMI30 da Prática utiliza alavanca lateral com movimento vertical de cima para baixo, desenvolvida para favorecer a ergonomia da operação.

O esforço necessário, entretanto, deve ser avaliado nas condições reais de utilização, considerando a frequência dos ciclos e as características da massa.

Modeladoras e grupos automáticos

A modelagem de pães pode exigir movimentos repetitivos, principalmente quando realizada manualmente em grandes volumes.

Modeladoras mecanizam essa etapa. Já os grupos automáticos integram processos como divisão e modelagem, reduzindo intervenções intermediárias e a necessidade de manipular individualmente cada porção.

O resultado pode ser uma produção mais contínua, com menos atividades manuais repetidas. Ainda assim, é necessário avaliar abastecimento, retirada dos produtos, limpeza, proteções e treinamento.

Automatizar a produção elimina os riscos ergonômicos?

Não. A automação pode reduzir determinadas exposições, mas não elimina todos os riscos ocupacionais.

Uma amassadeira dispensa o trabalho manual de misturar grandes quantidades de massa, mas os ingredientes ainda precisam ser abastecidos. Uma divisora automática reduz o porcionamento repetitivo, porém continua exigindo acompanhamento e procedimentos seguros.

Também podem surgir novas exigências relacionadas a interfaces de controle, ritmo de produção, movimentação de recipientes e manutenção.

Por isso, o investimento em máquinas deve ser acompanhado da análise dos postos de trabalho e da revisão dos procedimentos operacionais.

Como melhorar a ergonomia sem trocar todos os equipamentos?

Nem toda melhoria depende da compra de máquinas. A reorganização física e operacional pode reduzir esforços e deslocamentos desnecessários.

  • Ajuste o layout: aproxime etapas consecutivas para evitar transporte excessivo de massa e ingredientes.
  • Revise as bancadas: considere a altura, o alcance e a natureza das tarefas realizadas.
  • Utilize acessórios de movimentação: carros, suportes e recipientes adequados podem facilitar o transporte interno.
  • Organize os materiais: mantenha os itens de uso frequente em posições acessíveis, evitando alcances extremos.
  • Planeje pausas e alternância de atividades: considere as exigências reais de cada função e as orientações da avaliação ergonômica.
  • Mantenha os equipamentos regulados: falhas mecânicas e manutenção inadequada podem aumentar esforços, ruído e dificuldades operacionais.

Alongamentos e orientações posturais podem integrar iniciativas de saúde, mas não substituem a correção de condições inadequadas de trabalho.

O que dizem a NR-17 e a NR-12?

No Brasil, a Norma Regulamentadora nº 17 trata da ergonomia e estabelece diretrizes para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores.

Ela contempla aspectos como levantamento e transporte de materiais, mobiliário, organização do trabalho e interação com máquinas e equipamentos. A avaliação ergonômica preliminar e, quando aplicável, a Análise Ergonômica do Trabalho ajudam a identificar necessidades de intervenção.

A NR-12, por sua vez, estabelece requisitos de segurança relacionados a máquinas e equipamentos, incluindo proteções, dispositivos de parada e condições de operação e manutenção.

As duas normas são complementares. Um equipamento com dispositivos de segurança não torna automaticamente adequado o esforço exigido para abastecê-lo, assim como uma solução ergonomicamente favorável não dispensa as proteções necessárias.

O atendimento às exigências legais deve ser verificado por profissionais habilitados e responsáveis pela segurança e saúde no trabalho.

Como avaliar se a automação realmente melhorou as condições de trabalho?

A comparação deve considerar a atividade antes e depois da mudança, sem utilizar apenas o aumento de produção como indicador de sucesso.

Entre os aspectos que podem ser acompanhados estão:

  • Quantidade de levantamentos e transportes manuais por turno;
  • Frequência e duração de tarefas repetitivas;
  • Necessidade de posturas forçadas durante abastecimento e retirada de produtos;
  • Tempo de exposição a determinadas atividades;
  • Relatos de desconforto e dificuldades operacionais, tratados de forma responsável;
  • Ocorrências de segurança e necessidades de manutenção;
  • Produtividade e regularidade do processo, como indicadores complementares.

Esses registros ajudam a verificar se houve redução efetiva da exposição ou apenas transferência do esforço para outra etapa.

Indicadores de afastamento e adoecimento exigem interpretação cuidadosa. Uma redução em determinado período não comprova, isoladamente, que a automação foi a causa.

Como decidir quais etapas automatizar primeiro?

O ponto de partida deve ser a identificação das atividades mais exigentes para a equipe, considerando também frequência, duração e condições de execução.

Uma padaria pode precisar priorizar a movimentação de grandes quantidades de massa, enquanto outra enfrenta maior repetitividade na divisão e modelagem. Em ambos os casos, a solução deve ser dimensionada para a demanda e integrada ao restante da produção.

Antes de investir, verifique as condições de instalação, os recursos de segurança, a facilidade de limpeza, a assistência técnica e a necessidade de treinamento. Também é importante observar se o novo equipamento criará gargalos ou exigirá movimentações adicionais.

Para aprofundar a organização física da produção, veja como planejar o layout da padaria e posicionar os equipamentos para melhorar o fluxo de trabalho.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.