Como implementar os grupos automáticos GAP400 e GAP800

Prática • 15 de junho de 2026
Grupo automático GAP para divisão e modelagem de massas, com pães franceses crus em assadeiras e pães franceses assados ao fundo.

Os grupos automáticos GAP400 e GAP800 foram desenvolvidos para automatizar as etapas de divisão, modelagem e alongamento de massas para pães alongados.


Ao integrar essas operações em um único fluxo contínuo, os equipamentos ajudam padarias, supermercados e centrais de produção a aumentar a produtividade, melhorar a padronização dos produtos e reduzir a dependência de processos manuais.


O GAP400 processa até 400 kg de massa por hora, enquanto o GAP800 alcança até 800 kg de massa por hora.


Ambos permitem produzir diferentes gramaturas e formatos utilizando uma mesma base de receita, ampliando as possibilidades de fabricação sem aumentar proporcionalmente a complexidade da operação.


No entanto, a implantação de um grupo automático vai muito além da instalação do equipamento.


Para obter todo o potencial da automação, é necessário preparar pessoas, processos, estrutura e planejamento produtivo.


Por que investir nos grupos automáticos GAP400 e GAP800?


Produtividade continua sendo um desafio nas padarias


Mesmo em padarias com altos volumes de fabricação, a produtividade continua sendo um desafio.


Produzir grandes quantidades não significa necessariamente produzir com eficiência.


Uma operação produtiva precisa atender à demanda diária, manter padrões consistentes de qualidade e garantir uniformidade entre os produtos fabricados.


Nesse contexto, os grupos automáticos ajudam a aumentar a velocidade dos processos, reduzir atividades repetitivas e melhorar o aproveitamento da mão de obra.


O pão francês exige produtividade e padronização


O pão francês é um dos principais responsáveis pelo fluxo de clientes e pelo faturamento da padaria.


Ao mesmo tempo, ele consome uma parcela significativa da capacidade produtiva disponível.


Em muitas empresas, boa parte do tempo da equipe é dedicada à divisão, modelagem e organização da produção desse único produto.


Quando a divisão ocorre manualmente, é comum encontrar diferenças de peso, tamanho, volume e rendimento entre as unidades produzidas.


Essas variações afetam a padronização, aumentam desperdícios e dificultam o controle dos custos operacionais.


Os grupos automáticos GAP400 e GAP800 foram desenvolvidos justamente para reduzir essas inconsistências.


Ao automatizar etapas repetitivas, os equipamentos ajudam a produzir pães mais uniformes, com maior previsibilidade e melhor controle operacional.


Menos desperdícios e maior rentabilidade


Os ganhos proporcionados pelos grupos automáticos vão além da velocidade de fabricação.


A redução de desperdícios, o melhor aproveitamento da mão de obra, a padronização das gramaturas e a maior organização dos processos contribuem diretamente para a rentabilidade da operação.


Além das perdas de matéria-prima, muitas padarias convivem diariamente com desperdícios de tempo produtivo, retrabalhos e desvios de qualidade causados pela falta de padronização.


A automação ajuda a reduzir esses problemas e cria condições para uma operação mais eficiente e previsível.


Produção antecipada, centralização e crescimento da operação


Outro benefício importante está na possibilidade de profissionalizar a fabricação.


Com processos mais organizados, torna-se possível implantar conceitos como produção antecipada, ultracongelamento, centralização da produção e abastecimento de múltiplas unidades.


Essa transformação permite que a empresa aumente sua capacidade produtiva, amplie seu portfólio e prepare a operação para crescer de forma estruturada.


Não por acaso, redes supermercadistas vêm investindo em centrais de produção para abastecer diversas lojas, produzir itens de marca própria e reduzir a dependência de fornecedores externos.


Nesse cenário, os grupos automáticos assumem papel fundamental para viabilizar a produção em larga escala com padronização e eficiência operacional.


Por isso, a implantação de um GAP não deve ser vista apenas como a aquisição de um equipamento.


Ela representa uma mudança na forma de planejar, organizar e expandir a produção de pães dentro da empresa.


O que é necessário para implementar um GAP com sucesso?


Antes de iniciar a implantação, é importante compreender que os melhores resultados normalmente dependem de cinco pilares:


  • equipe capacitada;
  • formulações adequadas;
  • processos padronizados;
  • estrutura produtiva organizada;
  • produção antecipada com ultracongelamento.


Quando esses elementos trabalham em conjunto, a automação entrega seu máximo potencial.


Como o GAP contribui para o Planejamento e Controle da Produção?


A implantação dos grupos automáticos permite que a padaria avance para um modelo de produção mais organizado e previsível.


Em vez de fabricar produtos apenas para repor faltas na vitrine, torna-se possível programar lotes produtivos com base na demanda, histórico de vendas e sazonalidade.


Essa abordagem facilita o Planejamento e Controle da Produção (PCP), melhora o aproveitamento dos equipamentos e permite organizar a rotina produtiva com maior eficiência.


Quando combinados ao ultracongelamento, os grupos automáticos permitem concentrar a fabricação em períodos específicos e disponibilizar os produtos conforme a necessidade da operação.


1. Alinhe a equipe aos objetivos da empresa


Toda mudança tecnológica começa pelas pessoas.


A implantação de um grupo automático altera a rotina produtiva e exige uma nova forma de trabalhar.


Por isso, é importante que a equipe compreenda os objetivos da empresa e esteja comprometida com a evolução dos processos.


Profissionais interessados em aprender e desenvolver novas habilidades costumam se adaptar melhor à automação.


2. Invista na capacitação técnica da equipe


Automação não reduz a importância do conhecimento técnico.


A equipe precisa compreender temas como:


  • formulação;
  • fermentação;
  • hidratação;
  • comportamento das massas;
  • regulagens do GAP;
  • controle de qualidade.


Quanto maior o conhecimento técnico, melhor tende a ser o aproveitamento dos equipamentos.


3. Conte com apoio técnico especializado


Padeiros especializados, técnicos em panificação, engenheiros de alimentos e nutricionistas podem contribuir para o desenvolvimento das receitas, criação de procedimentos operacionais, elaboração de POPs e treinamento das equipes.


Esse suporte ajuda a acelerar a implantação e aumentar a estabilidade dos processos.


4. Defina formulações adequadas para produção automatizada


Uma produção padronizada começa pela formulação.


Nos pães alongados, níveis de hidratação entre 50% e 55% costumam apresentar bom desempenho operacional.


Abaixo desse intervalo, os produtos podem apresentar menor desenvolvimento.


Acima dele, a massa pode ficar excessivamente mole e dificultar os processos de divisão e modelagem.


A adaptação das receitas aos equipamentos faz parte da profissionalização da produção.


5. Trabalhe com farinhas profissionais e fornecedores confiáveis


A farinha influencia diretamente o comportamento da massa.


Mudanças de fornecedor podem alterar:


  • absorção de água;
  • fermentação;
  • rendimento;
  • volume;
  • acabamento dos produtos.


Sempre que houver alteração de matéria-prima, novos testes devem ser realizados.


6. Controle a temperatura da massa com água gelada e gelo em flocos


A temperatura da massa interfere diretamente na qualidade dos produtos.


O uso de água gelada e gelo em flocos ajuda a compensar o calor gerado pelo ambiente e pelos equipamentos durante o amassamento.


Esse controle torna-se ainda mais importante em operações com grandes volumes de fabricação.


7. Defina gramaturas e regulagens para cada produto


Os grupos automáticos permitem produzir diferentes formatos utilizando uma mesma receita.


Para isso, é necessário documentar:


  • gramatura;
  • abertura da massa;
  • regulagem da modelagem;
  • regulagem do alongador;
  • velocidade dos equipamentos auxiliares.


Todas essas informações devem fazer parte das fichas técnicas dos produtos.


Essa documentação facilita treinamentos, reduz variações e melhora a padronização.


8. Implante um processo de controle de qualidade


Sempre que houver alterações em fatores como:


  • farinha;
  • hidratação;
  • fornecedor;
  • formulação;
  • regulagens;


os produtos devem ser fermentados e assados para validação.


Esse processo ajuda a manter a consistência dos resultados e reduz desvios de qualidade.


Além disso, contribui para manter a rastreabilidade dos processos produtivos e a previsibilidade dos resultados.


9. Transforme os testes em parte da rotina


Testar faz parte da panificação profissional.


Novas receitas, matérias-primas, processos e regulagens precisam ser avaliados continuamente para garantir estabilidade e evolução dos produtos.


A rotina de testes permite validar mudanças e identificar oportunidades de melhoria antes que elas impactem a operação.


10. Repense o layout da produção


O GAP trabalha em fluxo contínuo.


Por isso, o layout deve favorecer:


  • movimentação das massas;
  • circulação dos operadores;
  • transporte das assadeiras;
  • integração entre os equipamentos.


Sempre que possível, áreas de manipulação da massa devem ficar afastadas das fontes intensas de calor.


11. Considere a utilização da esteira EDM2000


A EDM2000 complementa a operação dos grupos automáticos.


Ela ajuda a organizar o fluxo de saída dos produtos e facilita a coleta das peças após a modelagem.


Em operações de maior volume, contribui para reduzir gargalos produtivos e melhorar o escoamento da fabricação.


12. Estruture uma linha dedicada para pães alongados


À medida que a produção cresce, torna-se interessante criar uma área específica para os pães alongados.


Essa linha pode reunir:


  • amassadeiras;
  • cilindro sovador automático;
  • GAP400 ou GAP800;
  • EDM2000;
  • ultracongeladores.


Essa configuração melhora o fluxo produtivo e aumenta a eficiência operacional.


13. Invista em ultracongelamento


O ultracongelamento é um dos principais aliados dos grupos automáticos.


Após a modelagem, os produtos podem ser ultracongelados e armazenados para utilização futura.


Essa combinação permite:


  • produção antecipada;
  • redução de desperdícios;
  • maior disponibilidade de produtos;
  • melhor aproveitamento da capacidade produtiva.


O ideal é que o ultracongelador esteja próximo da linha produtiva para reduzir deslocamentos e facilitar a movimentação das assadeiras.


14. Amplie sua capacidade de armazenamento congelado


Quanto maior a capacidade de armazenagem, maior a autonomia da operação.


Os pães congelados ocupam relativamente pouco espaço e permitem manter estoques organizados para diferentes períodos de demanda.


Essa característica favorece projetos de centralização da produção e abastecimento de múltiplas unidades.


Como o GAP transforma a produção de pão francês


O pão francês continua sendo um dos produtos de maior giro dentro das padarias brasileiras.


Ao mesmo tempo, é um dos itens que mais consomem tempo produtivo.


Com os grupos automáticos, a divisão e a modelagem passam a ocorrer de forma contínua e padronizada.


Isso permite:


  • aumentar a produtividade;
  • reduzir desperdícios;
  • melhorar a uniformidade dos produtos;
  • liberar tempo da equipe para outros itens de maior valor agregado.


Além do pão francês tradicional, a mesma estrutura pode produzir:


  • mini pão francês;
  • mini baguetes;
  • baguetes;
  • pães para hotéis;
  • pães para buffets;
  • pães para eventos;
  • pães de hot dog;
  • bisnaguinhas.


Essa flexibilidade amplia o portfólio e melhora o aproveitamento da capacidade produtiva.


Produção multiunidade e abastecimento de lojas


Uma das maiores vantagens da combinação entre GAP, ultracongelamento e armazenagem congelada é a possibilidade de abastecer diferentes pontos de venda a partir de uma única estrutura produtiva.


Esse modelo é amplamente utilizado por:


  • supermercados;
  • redes de padarias;
  • franquias;
  • centrais de produção.


Ao concentrar a fabricação em um único local, a empresa reduz a duplicação de equipamentos, melhora a padronização entre unidades e simplifica o treinamento das equipes.


Além disso, cria condições para expandir a operação sem necessidade de replicar toda a infraestrutura produtiva em cada nova unidade.


Segurança dos alimentos e rastreabilidade


A profissionalização dos processos produtivos também contribui para a segurança dos alimentos.


Com receitas padronizadas, procedimentos documentados e produção organizada, torna-se mais fácil controlar:


  • temperaturas;
  • lotes;
  • matérias-primas;
  • processos produtivos;
  • armazenamento.


Essa organização favorece a rastreabilidade, auxilia auditorias internas e contribui para manter padrões consistentes de qualidade.


Perguntas frequentes sobre a implantação dos grupos automáticos GAP400 e GAP800


Pequenas padarias podem utilizar um GAP?


Sim. O equipamento pode ser utilizado por empresas de diferentes portes.


A produção pode ser concentrada em horários específicos sem necessidade de operar continuamente.


Qual a diferença entre GAP400 e GAP800?


A principal diferença está na capacidade produtiva. O GAP400 processa até 400 kg de massa por hora, enquanto o GAP800 processa até 800 kg por hora.


O GAP funciona apenas para pão francês?


Não. O equipamento pode produzir diversos tipos de pães alongados utilizando diferentes gramaturas e regulagens.


É obrigatório utilizar ultracongelamento?


Não. Porém, o ultracongelamento permite aproveitar melhor a capacidade produtiva dos grupos automáticos e facilita a produção antecipada.


Qual a hidratação ideal para massas produzidas no GAP?


Em muitas aplicações de pães alongados, níveis entre 50% e 55% costumam apresentar bons resultados operacionais.


O GAP substitui os padeiros?


Não. O equipamento automatiza tarefas repetitivas e permite que os profissionais se dediquem a atividades de maior valor agregado.


Como os grupos automáticos ajudam na centralização da produção?


Eles aumentam a produtividade e permitem fabricar grandes volumes de produtos padronizados para abastecer diferentes unidades.


Por que supermercados investem em grupos automáticos?


Porque os equipamentos facilitam a produção em larga escala, a padronização dos produtos, a centralização da produção e o abastecimento de múltiplas lojas.


Automação, produção antecipada e crescimento da operação


Os grupos automáticos GAP400 e GAP800 representam muito mais do que equipamentos para divisão e modelagem de massas.


Quando combinados com capacitação, padronização de processos, ultracongelamento e planejamento da produção, eles ajudam a construir operações mais produtivas, organizadas e preparadas para crescer.


A automação passa a fazer parte de um modelo de produção voltado para eficiência operacional, redução de desperdícios, segurança dos alimentos, rentabilidade e escalabilidade.


Veja também nosso conteúdo sobre a centralização de produção nas padarias dos supermercados.