Panetone: invista nesse sucesso de vendas no fim de ano

Prática • October 18, 2021
Uma fatia de pão panetone está sobre uma mesa ao lado de uma vela.

Produzir panetone exige controle da massa, formação adequada da rede de glúten, fermentação, temperatura e forneio.


Em padarias e operações com maior volume, cada uma dessas etapas também interfere na padronização dos produtos e na organização da produção.


Por ser um pão doce fermentado e enriquecido com açúcar e gordura, o panetone apresenta características diferentes de bolos e de outros produtos de panificação.


O processo envolve desde o preparo da massa até o resfriamento antes da embalagem.


Veja como fazer panetone e quais cuidados considerar em cada etapa da produção.


Panetone é pão ou bolo?


O panetone é um pão doce.


Sua massa precisa desenvolver uma rede de glúten durante o amassamento e passa por fermentação com fermento biológico ou natural.


Essa é uma diferença importante em relação aos bolos, que normalmente utilizam fermento químico e não dependem do desenvolvimento do chamado ponto de véu.


A formação adequada da rede de glúten ajuda a massa a reter os gases produzidos durante a fermentação e contribui para o crescimento e a estrutura característica do panetone.


Ingredientes para fazer panetone


Não existe uma única formulação para panetone.


A receita precisa ser adequada às características desejadas para o produto e ao processo adotado pela padaria.


Como referência de formulação, podem ser utilizados:


  • 10% de pré-mistura em pó;
  • 14% de açúcar;
  • 1,5% de fermento biológico seco, quando não for utilizado o método de esponja;
  • 5% de gordura vegetal;
  • 45% de água.


As porcentagens são calculadas sobre a quantidade de farinha utilizada na receita.


Também existem misturas para panetone em pasta.


Dependendo da formulação escolhida, elas podem simplificar a preparação e reduzir a quantidade de ingredientes adicionados separadamente.


Para produzir chocotone, as frutas cristalizadas podem ser substituídas por gotas de chocolate, com os ajustes necessários na formulação.


Se a intenção for produzir uma massa de chocolate, o cacau em pó permite trabalhar essa característica separadamente, considerando também o açúcar presente nas gotas.


Como preparar a massa do panetone


Uma das possibilidades para iniciar a produção é utilizar o método de esponja.


Nesse processo, misturam-se o fermento, aproximadamente 50% da água da formulação e parte da farinha.


Essa mistura passa por uma fermentação inicial antes de ser incorporada aos demais ingredientes.


Como referência, a esponja pode permanecer em fermentação por cerca de 1 hora e 30 minutos.


O tempo deve ser acompanhado conforme a formulação e as condições do processo.


Depois dessa etapa, a massa segue para a amassadeira com os demais ingredientes.


Controle da temperatura da massa


A temperatura é um dos pontos que merecem atenção durante o amassamento.


A referência utilizada no processo original é água gelada entre 2°C e 5°C.


O objetivo é ajudar a controlar o aquecimento provocado pelo trabalho mecânico da amassadeira.


Em produções profissionais, resfriadores de água com sistemas automáticos de dosagem podem auxiliar no controle da temperatura e da quantidade de água utilizada.


Como desenvolver o ponto de véu


Os ingredientes secos podem ser misturados inicialmente na velocidade 1 da amassadeira espiral por aproximadamente 1 minuto.


Depois, são incorporados a esponja, as gorduras e os líquidos gradualmente.


O amassamento continua até que a massa desenvolva adequadamente a rede de glúten, identificada pelo chamado ponto de véu.


Como referência, o tempo total de batimento pode ficar em torno de 18 a 20 minutos, dependendo da amassadeira, da quantidade de massa, da formulação e das condições de produção.


O tempo, portanto, não deve ser considerado isoladamente.


O desenvolvimento da massa e sua temperatura também precisam ser acompanhados para evitar aquecimento excessivo.


Quando adicionar frutas ou chocolate?


Frutas cristalizadas ou gotas de chocolate são adicionadas depois do desenvolvimento da massa.


A formulação original utiliza como referência aproximadamente 40% de inclusões em relação ao peso da farinha.


Essa proporção pode variar conforme a receita e o perfil de produto desejado.


A incorporação pode ser feita na velocidade 1 da amassadeira para reduzir o risco de esmagar frutas ou gotas e favorecer sua distribuição pela massa.


Depois disso, a massa é retirada da amassadeira para divisão, pesagem e boleamento.


Durante essa etapa, é recomendável mantê-la protegida para evitar o ressecamento da superfície.


O processo original trabalha com descanso de até 15 minutos, evitando uma fermentação excessiva antes da modelagem.


Também é importante controlar o uso de óleo durante a divisão e o boleamento.


Em excesso, ele pode dificultar a manipulação e deixar resíduos sobre a superfície da massa e nas formas.


Como fermentar panetone?


Após divisão, boleamento e colocação nas formas, começa uma das etapas determinantes para o volume e a estrutura do produto.


As câmaras de controle de fermentação permitem controlar as condições ao redor da massa e reduzir a influência das variações climáticas sobre o processo.


Como referência do processo original, pode-se trabalhar com:


  • temperatura de aproximadamente 30°C;
  • umidade elevada;
  • tempo em torno de 1 hora e 30 minutos.


Esses parâmetros não devem ser tratados como valores universais.


Formulação, atividade do fermento, tamanho das peças, temperatura inicial da massa e equipamento utilizado podem alterar o tempo necessário.


Por isso, além do relógio, é necessário acompanhar o desenvolvimento da massa antes do forneio.


Como assar panetone?


Temperatura e tempo de forneio variam conforme o peso do panetone, a formulação e o tipo de forno.


Para panetones de aproximadamente 500 gramas, o processo original utiliza os seguintes parâmetros como ponto de partida.


Panetone em forno turbo ou rotativo


Em fornos turbo e fornos rotativos, a referência é:


  • 150°C;
  • aproximadamente 35 minutos.


Nesses equipamentos, a circulação forçada de ar influencia a transferência de calor para o produto.


Panetone em forno de lastro


Nos fornos de lastro, a referência utilizada é:


  • 170°C no piso e no teto;
  • aproximadamente 40 minutos.


O comportamento térmico é diferente do observado em equipamentos com circulação forçada de ar.


Por isso, não é adequado utilizar automaticamente os mesmos parâmetros em diferentes tipos de forno.


O peso também interfere no forneio. Panetones menores tendem a exigir ajustes em relação aos produtos maiores.


Os parâmetros devem ser testados de acordo com receita, carga, tamanho das peças e características do equipamento.


Por que o forneio precisa ser controlado?


Retirar o panetone antes de completar o forneio pode deixar o miolo insuficientemente assado e comprometer sua estrutura após a saída do forno.


Além da aparência, o processo interfere nas características do miolo e na vida útil do produto.


Por isso, tempo e temperatura precisam ser definidos por testes da própria produção e repetidos de forma consistente entre os lotes.


Como resfriar o panetone antes de embalar?


O panetone não deve ser embalado imediatamente após sair do forno.


O processo original utiliza como referência aproximadamente 8 horas de resfriamento antes da embalagem.


O período necessário pode variar conforme peso, formulação, temperatura ambiente e método de resfriamento.


Em algumas produções, os panetones são resfriados invertidos, de cabeça para baixo.


Existem acessórios específicos para essa operação.


O objetivo é preservar a estrutura do produto durante o período de resfriamento.


Antes da embalagem, o produto deve estar adequadamente resfriado.


Embalar ainda quente pode favorecer condensação no interior da embalagem e prejudicar sua conservação.


Como antecipar a produção de panetone?


A demanda por panetones costuma se concentrar no período que antecede o Natal.


Para padarias e outras operações, isso pode gerar grandes volumes de produção em poucas semanas.


Uma possibilidade é distribuir parte desse trabalho ao longo do calendário utilizando congelamento.


No processo original, a formulação destinada ao congelamento utiliza 2% de fermento biológico seco em vez de 1,5%, buscando compensar os efeitos do frio sobre a massa.


Essa alteração deve ser validada para cada formulação e processo.


As porções modeladas podem ser congeladas e posteriormente armazenadas a aproximadamente -18°C.


Os ultracongeladores permitem reduzir rapidamente a temperatura dos produtos antes do armazenamento congelado.


No momento programado para a produção, as massas podem seguir as etapas definidas de descongelamento, fermentação e forneio.


Dessa forma, a operação reduz a necessidade de iniciar toda a preparação da massa durante cada período de forneio.


Produção de panetone para períodos de alta demanda


Planejar a produção é especialmente importante quando o volume aumenta no fim do ano.


Em vez de concentrar amassamento, divisão, fermentação e forneio no mesmo período, a padaria pode avaliar como distribuir essas etapas conforme sua capacidade de equipamentos, armazenamento e mão de obra.


Esse planejamento também ajuda a identificar possíveis gargalos.


A amassadeira pode ter capacidade suficiente para determinado volume, por exemplo, enquanto a câmara de fermentação ou o forno podem limitar a quantidade de produtos processados simultaneamente.


Por isso, o volume desejado precisa ser analisado considerando o fluxo inteiro:


amassamento → divisão e boleamento → fermentação → forneio → resfriamento → embalagem → armazenamento.


Como assar panetones ao longo do dia?


A produção antecipada também pode ser utilizada para organizar o forneio conforme a demanda.


Com produtos preparados previamente e um fluxo adequado de descongelamento e fermentação, a operação pode distribuir o forneio durante diferentes horários.


Os fornos da Linha Vitrine, por exemplo, podem ser utilizados em operações que desejam realizar parte do forneio próximo à área de venda.


Nesse modelo, produção e forneio não precisam necessariamente acontecer no mesmo momento.


A padaria pode organizar os lotes conforme capacidade, previsão de vendas e horários de maior movimento.


Formatos e variações de panetone


Além do panetone com frutas cristalizadas e do chocotone, a mesma categoria permite trabalhar diferentes pesos, recheios e apresentações.


Entre as possibilidades estão:


  • versões recheadas ou trufadas;
  • chocolate ao leite, meio amargo ou branco;
  • doce de leite;
  • brigadeiro;
  • creme de avelãs;
  • pistache;
  • goiabada;
  • coco;
  • versões salgadas com queijo, calabresa ou bacon;
  • panetones de menor gramatura;
  • produtos de maior peso destinados ao compartilhamento;
  • pedaços cobertos com chocolate;
  • versões destinadas a presentes e cestas de fim de ano.


Os pesos podem variar bastante. Além das versões de 400 g, 500 g e 750 g, existem produtos menores, como 80 g, 100 g e 250 g, e versões de maior porte.


Ao definir o mix, é necessário considerar que mudanças de peso e formulação podem exigir novos testes de fermentação e forneio.


Quais equipamentos participam da produção?


A produção profissional de panetone envolve diferentes operações e, consequentemente, diferentes equipamentos.


A amassadeira realiza o desenvolvimento da massa. O controle da água auxilia no gerenciamento da temperatura durante o amassamento.


A câmara cria condições controladas para a fermentação. O forno realiza o forneio e o ultracongelador pode integrar processos de produção antecipada.


A escolha e o dimensionamento precisam considerar o volume de produção e, principalmente, a capacidade de cada etapa.


Uma linha com alta capacidade de amassamento, mas capacidade insuficiente de fermentação ou forneio, pode criar esperas e limitar a produtividade total.


Por isso, ao planejar a produção de panetone, é importante avaliar o processo como um fluxo contínuo, desde a preparação da massa até a embalagem.


Dúvidas sobre como fazer panetone


Quanto tempo o panetone precisa fermentar?


Como referência, o processo apresentado trabalha com aproximadamente 1 hora e 30 minutos a cerca de 30°C e umidade elevada.


O tempo real varia conforme formulação, fermento, peso das peças, temperatura da massa e condições de fermentação.


Qual a temperatura para assar panetone?


Para unidades de aproximadamente 500 g, a referência apresentada é de 150°C por cerca de 35 minutos em fornos turbo ou rotativos e 170°C por aproximadamente 40 minutos em forno de lastro.


Os parâmetros precisam ser ajustados à formulação, ao peso, à carga e ao equipamento.


Quanto tempo esperar para embalar o panetone?


A referência do processo é de aproximadamente 8 horas de resfriamento.


O panetone deve estar adequadamente resfriado antes de ser embalado para evitar condensação dentro da embalagem.


É possível congelar massa de panetone?


Sim. A produção pode incluir congelamento das porções modeladas, armazenamento a aproximadamente -18°C e posterior descongelamento, fermentação e forneio.


Formulação e processo precisam ser desenvolvidos especificamente para essa finalidade.


Qual a diferença entre panetone e chocotone?


A principal diferença está nas inclusões utilizadas.


O panetone tradicional utiliza frutas cristalizadas e outros ingredientes característicos, enquanto o chocotone utiliza gotas ou pedaços de chocolate.


Dependendo do produto desejado, a formulação também pode precisar de ajustes.


Por que usar água gelada na massa do panetone?


A água gelada auxilia no controle da temperatura durante o amassamento, etapa em que o trabalho mecânico da amassadeira gera calor.


No processo apresentado, utiliza-se como referência água entre 2°C e 5°C.


Confira também nosso conteúdo sobre como avaliar a qualidade do panetone a partir de critérios técnicos.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.