Macarons: conheça técnicas de preparo e algumas curiosidades

Prática • November 6, 2018
Uma mulher está decorando macarons verdes com um saco de confeitar.

Os macarons são doces feitos à base de farinha de amêndoas, açúcar e claras, conhecidos pela superfície lisa, formato arredondado e pela característica borda formada na parte inferior das cascas, chamada de pé ou saia.


Apesar da lista relativamente curta de ingredientes, o preparo exige precisão.


Qualidade e proporção das matérias-primas, ponto do merengue, macaronage, umidade do ambiente, descanso da massa e forneamento interferem diretamente no resultado.


Em uma produção profissional, controlar essas variáveis também facilita a repetição do padrão entre lotes e reduz perdas.


Entenda as principais etapas e os cuidados necessários.


O que são macarons?


Macaron é uma preparação de confeitaria formada por duas cascas à base de farinha de amêndoas, açúcar e claras, unidas por um recheio, como ganache, creme ou geleia.


Não deve ser confundido com o macaroon, doce com características e composição diferentes.


Os macarons são associados à confeitaria francesa e hoje apresentam inúmeras combinações de cores, aromas e recheios.


Para conhecer outros termos usados por profissionais do setor, consulte nosso glossário de confeitaria.


Quais são os ingredientes dos macarons?


A formulação varia conforme o método adotado, mas normalmente inclui:


  • farinha de amêndoas;
  • açúcar de confeiteiro;
  • claras;
  • açúcar;
  • corante, quando utilizado.


O resultado depende tanto da formulação quanto das condições dos ingredientes e da execução de cada etapa.


Por isso, pesar as matérias-primas é importante para manter as proporções definidas na receita.


Farinha de amêndoas


A farinha precisa estar seca, solta e bem conservada.


Umidade excessiva ou liberação de óleo pode alterar a consistência da massa e prejudicar o acabamento.


Antes do preparo, observe as condições do ingrediente e peneire conforme a formulação utilizada.


O objetivo é obter uma mistura uniforme e sem partículas grandes.


Açúcar


O tipo de açúcar e sua composição devem ser considerados no desenvolvimento da receita.


Diferentes produtos podem apresentar granulometria e quantidade de amido distintas, fatores capazes de alterar o comportamento da preparação.


Por isso, ao padronizar uma formulação profissional, evite trocar ingredientes sem realizar novos testes.


Claras


As claras participam da formação do merengue e precisam ser pesadas com precisão.


Não há necessidade de estabelecer um período universal de vários dias de armazenamento para todas as receitas.


O método adotado deve definir as condições das claras, a temperatura de utilização e o procedimento de batimento.


Corantes


Quando a receita utilizar corante, produtos em gel ou outros tipos adequados à formulação permitem adicionar cor sem incorporar uma quantidade elevada de líquido.


A dosagem precisa ser controlada. Excesso de corante pode modificar a consistência, o sabor e a aparência após o forneamento.


Qual merengue usar para fazer macarons?


Os métodos francês, italiano e suíço apresentam diferenças de preparo e comportamento.


A escolha depende da formulação, do processo utilizado pela confeitaria e do resultado esperado.


No merengue francês, o açúcar é incorporado gradualmente às claras durante o batimento.


No italiano, uma calda quente de açúcar é adicionada às claras em processo de batimento, formando uma estrutura estável.


Já no suíço, claras e açúcar são aquecidos juntos antes de serem batidos.


Independentemente do método, o controle do ponto é fundamental.


Um merengue preparado de forma inadequada altera a estrutura da massa e pode resultar em cascas irregulares, ocas ou sem o desenvolvimento esperado.


O que é macaronage?


Macaronage é a etapa de incorporação dos ingredientes secos ao merengue até que a massa alcance a consistência adequada para ser modelada.


É um dos pontos críticos da produção.


A incorporação insuficiente deixa a massa excessivamente firme e pode dificultar o nivelamento das unidades.


Quando o processo é prolongado demais, a mistura perde estrutura, espalha na assadeira e pode produzir cascas muito baixas.


Em vez de seguir apenas um número fixo de movimentos, é importante observar o comportamento da preparação.


A massa precisa apresentar aspecto homogêneo e escoar de maneira controlada, acomodando-se gradualmente depois de depositada.


Como modelar macarons uniformes?


Após a macaronage, coloque a massa em um saco de confeitar com bico compatível com o tamanho desejado.


Mantenha o saco perpendicular à assadeira e procure aplicar a mesma quantidade em cada unidade.


Um gabarito posicionado sob a manta ou o papel utilizado na produção pode ajudar a manter diâmetro e espaçamento regulares.


Depois da modelagem, pequenas batidas na assadeira ajudam a acomodar a massa e liberar bolhas de ar próximas à superfície.


Bolhas visíveis podem ser eliminadas cuidadosamente antes do período de descanso.


A uniformidade de tamanho também interfere no forneamento.


Peças com dimensões muito diferentes podem exigir tempos distintos para atingir o mesmo ponto.


Por que deixar os macarons descansarem?


O descanso após a modelagem permite que a superfície seque antes da entrada no forno.


Forma-se uma película que contribui para o desenvolvimento da casca e da saia durante o forneamento.


Não existe um tempo único válido para todas as condições.


Temperatura e, principalmente, umidade do ambiente modificam a velocidade de secagem.


Em vez de observar apenas o relógio, verifique a superfície: ela deve estar seca ao toque e não transferir massa para o dedo.


Esse critério é particularmente importante em dias úmidos, quando a formação da película pode demorar.


Como a umidade interfere nos macarons?


A umidade influencia ingredientes, massa e período de secagem.


Em ambientes muito úmidos, a superfície pode levar mais tempo para formar a película necessária antes do forno.


A farinha de amêndoas também precisa ser protegida da absorção de umidade durante o armazenamento.


Em operações que produzem macarons regularmente, acompanhar as condições ambientais ajuda a entender variações entre lotes.


Quando necessário, climatização e controle da umidade do espaço de produção podem oferecer condições mais previsíveis.


Qual é a temperatura para assar macarons?


Não existe uma temperatura universal para todos os macarons.


Formulação, método de merengue, tamanho das unidades, assadeira, manta utilizada, carga do equipamento, circulação de ar e características do forno modificam a transferência de calor.


Por isso, valores encontrados em uma receita devem ser tratados como referência para testes, e não como parâmetros aplicáveis automaticamente a qualquer produção.


O procedimento profissional é testar a formulação no equipamento utilizado, registrar temperatura e tempo e avaliar o resultado antes de estabelecer o ciclo de produção.


Como assar macarons no forno de convecção?


O forno de convecção utiliza circulação forçada de ar quente para distribuir calor pela câmara.


Em confeitaria, esse funcionamento pode favorecer a uniformidade entre produtos, desde que temperatura, carga e fluxo de ar sejam compatíveis com a preparação.


Macarons são pequenos e sensíveis às condições de forneamento.


Por isso, alguns fatores merecem atenção:


  • pré-aquecer o equipamento conforme o processo definido;
  • distribuir as unidades com espaçamento regular;
  • evitar sobrecarga da câmara;
  • utilizar assadeiras e superfícies previamente testadas;
  • controlar tempo e temperatura;
  • observar diferenças de resultado entre níveis;
  • registrar os parâmetros aprovados para os próximos lotes.


Para entender melhor a transferência de calor e os cuidados com carregamento, assadeiras e temperatura, veja também como assar produtos no forno de convecção.


Principais problemas na produção de macarons


Defeitos nas cascas nem sempre têm uma única causa.


Antes de alterar vários parâmetros simultaneamente, procure identificar em qual etapa surgiu a variação e faça testes controlados.


Por que os macarons racham?


Rachaduras podem estar relacionadas à superfície ainda úmida antes do forneamento, bolhas de ar, temperatura inadequada ou desequilíbrios na preparação da massa.


Observe o descanso, o ponto do merengue, a macaronage e o comportamento do forno antes de definir a causa.


Por que o macaron não forma o pé?


A ausência ou o baixo desenvolvimento da saia pode estar relacionada à estrutura da massa, ao descanso, às condições ambientais ou aos parâmetros de forneamento.


Como essas variáveis interagem, a avaliação precisa considerar o processo inteiro.


Por que os macarons ficam ocos?


Cavidades internas podem surgir por alterações na estrutura do merengue, incorporação da massa ou forneamento.


Para identificar a origem, compare lotes e modifique uma variável por vez.


Esse procedimento ajuda a evitar correções baseadas apenas na aparência final.


Por que os macarons espalham na assadeira?


Uma massa excessivamente fluida pode perder altura depois da modelagem.


Entre os fatores que devem ser avaliados estão a macaronage, as proporções da formulação e as condições dos ingredientes.


Por que os macarons grudam?


Se a base permanece aderida após o resfriamento, avalie o ponto de forneamento e a superfície utilizada.


Retirar as cascas ainda quentes também pode dificultar a remoção.


Aguarde o resfriamento antes de separá-las da assadeira ou da manta.


Por que a cor muda durante o forneamento?


Temperatura, tempo e características do corante podem alterar a tonalidade das cascas.


Escurecimento excessivo pode indicar necessidade de rever os parâmetros térmicos.


Ao trabalhar com cores específicas, faça testes no equipamento antes de produzir grandes lotes.


Como escolher um forno para produzir macarons?


Na produção profissional, o forno precisa oferecer condições para repetir o padrão estabelecido nos testes.


Entre os aspectos que devem ser avaliados estão:


  • controle de temperatura;
  • uniformidade térmica;
  • circulação de ar;
  • capacidade compatível com o volume produzido;
  • dimensões e quantidade de assadeiras;
  • programação disponível no equipamento;
  • facilidade de operação.


A Prática possui diferentes fornos de panificação destinados a aplicações de padaria e confeitaria.


Para operações que precisam de um equipamento compacto, o Miniconv Plus é um forno de convecção com capacidade para até sete assadeiras de 35 x 35 cm quando utilizado com produtos baixos e leves.


Entre as aplicações informadas pela fabricante estão macarons, suspiros, petit fours e cookies.


O dimensionamento, porém, deve considerar a demanda da operação.


Um equipamento compacto pode atender pequenos lotes e produção no ponto de venda, enquanto volumes maiores exigem avaliar outras capacidades da linha.


Como padronizar a produção profissional?


Padronização começa pelo registro das variáveis que interferem no resultado.


A equipe pode documentar:


  • fornecedores e especificações dos ingredientes;
  • gramatura de cada componente;
  • método e ponto do merengue;
  • características da macaronage;
  • peso ou diâmetro das unidades;
  • condições ambientais relevantes;
  • tempo de descanso;
  • modelo de assadeira ou manta;
  • quantidade por bandeja;
  • carregamento do forno;
  • temperatura e duração do ciclo;
  • resultado obtido após o resfriamento.


Esse histórico facilita a identificação de desvios e reduz a dependência de ajustes feitos apenas pela percepção de cada operador.


Também é importante testar mudanças de matéria-prima, equipamento ou processo antes de incorporá-las ao fluxo normal de produção.


Para operações que trabalham com produtos de maior valor agregado, veja também as características e possibilidades da confeitaria fina.


Como armazenar macarons?


As condições de conservação dependem da formulação das cascas e, principalmente, do recheio utilizado.


Ganaches, cremes, frutas e geleias apresentam características diferentes de umidade, estabilidade e conservação.


Por isso, não é adequado estabelecer uma validade única para todos os produtos.


Em produção comercial, defina condições e prazo de armazenamento com base na formulação, no processo, no recheio, na embalagem e nas temperaturas adotadas.


Identificação dos lotes, controle das condições de conservação e higienização dos utensílios também fazem parte dos procedimentos de segurança dos alimentos.


Testes são essenciais para acertar os macarons


Produzir macarons com regularidade depende do controle das variáveis envolvidas, e não de uma única receita ou temperatura de forno.


Ingredientes bem selecionados, merengue no ponto adequado, macaronage controlada, modelagem uniforme, superfície seca antes do forneamento e parâmetros térmicos testados formam um processo que pode ser documentado e repetido.


Em uma confeitaria profissional, registrar esses dados facilita a análise de falhas, o treinamento das equipes e a manutenção do padrão entre diferentes lotes.


Perguntas frequentes sobre macarons


O que é macaronage?


Macaronage é a incorporação dos ingredientes secos ao merengue até atingir a consistência necessária para modelar as cascas.


Tanto a incorporação insuficiente quanto a excessiva podem alterar formato e estrutura.


Quanto tempo o macaron precisa descansar?


Não há um período universal. O tempo varia principalmente conforme a umidade e as condições do ambiente.


O melhor indicador é a superfície seca ao toque, sem transferência de massa para o dedo.


Qual é a temperatura ideal para assar macarons?


A temperatura precisa ser definida de acordo com receita, tamanho, assadeira e forno utilizados.


Faça testes no equipamento e registre os parâmetros que apresentarem o resultado desejado.


Por que os macarons racham no forno?


Entre as possíveis causas estão superfície insuficientemente seca, bolhas de ar, alterações na massa e parâmetros inadequados de forneamento.


A análise deve considerar todas as etapas antes de alterar a receita.


Qual merengue pode ser usado em macarons?


Existem formulações baseadas em merengue francês, italiano e suíço.


Cada método apresenta um processo diferente, portanto a escolha deve acompanhar a receita e o resultado desejado.




Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.