Pão de queijo na padaria: invista mais nesse produto

Prática • November 11, 2020
Uma pilha de bolinhas de queijo com uma mordida em uma delas.

A produção de pão de queijo na padaria deve acompanhar a demanda de cada período do dia.


Quantidade vendida, horários de maior movimento, gramatura, estoque disponível e capacidade dos equipamentos determinam como organizar o fluxo.


A experiência da Prática com padarias de diferentes portes mostra que o total vendido por dia não revela sozinho a necessidade da operação.


Uma loja com forte movimento no café da manhã exige uma configuração diferente daquela que mantém saída regular durante o expediente ou concentra parte das vendas em encomendas.


Por isso, o planejamento deve considerar quando o produto precisa estar disponível e quanto precisa ser produzido, armazenado e assado em cada etapa.


Como organizar a produção de pão de queijo na padaria?


O histórico de vendas é o ponto de partida.


Quantidade diária, distribuição por horário, gramaturas e pedidos programados ajudam a definir quanto pão de queijo deve estar disponível em cada período.


Quando há fabricação própria, a padaria pode preparar lotes em horários definidos e manter unidades congeladas para utilização posterior.


O forneamento passa a acompanhar a previsão de saída, sem exigir que todo o lote seja assado de uma vez.


Esse modelo separa três etapas:


  • produção;
  • estoque;
  • forneamento.


Cada uma pode ocorrer em horários diferentes, de acordo com a rotina da loja.


O preparo da massa envolve decisões próprias sobre ingredientes, escaldamento, mistura e modelagem.


Essas etapas são abordadas no artigo sobre como fazer pão de queijo.


Como o formato de venda interfere na operação?


O canal de venda altera principalmente a quantidade necessária e o momento em que o produto precisa estar pronto.


Na vitrine, a reposição pode acompanhar a saída por faixa de horário, evitando excesso de unidades prontas.


Em padarias com cafeteria ou área de consumo, um forno de menor capacidade próximo ao ponto de venda pode atender ciclos reduzidos ao longo do dia, aproximando o forneamento do momento de consumo.


As encomendas para festas, reuniões, treinamentos e empresas concentram a demanda em horários definidos.


Mesmo uma padaria com movimento diário moderado pode precisar assar grande quantidade em um intervalo curto.


No delivery, o forneamento deve acompanhar a expedição para reduzir o tempo entre a saída do forno e o envio do pedido.


As possibilidades comerciais e os formatos de venda são tratados com maior profundidade no artigo sobre venda de pão de queijo.


Como produzir antecipadamente e assar conforme a saída?


Produzir antecipadamente permite separar o preparo da massa do abastecimento da loja.


Quando a operação utiliza congelamento, os lotes podem ser preparados em períodos definidos e destinados ao estoque.


A quantidade levada ao forno acompanha a previsão de vendas até o próximo ciclo.


Sobras frequentes indicam que a quantidade assada naquele horário pode ser reduzida.


Faltas antes da reposição mostram que o volume ou o intervalo entre ciclos precisa ser revisto.


Esse acompanhamento aproxima o forneamento do comportamento real das vendas.


Quais equipamentos entram nesse fluxo?


Amassadeira, ultracongelador e forno de convecção cumprem funções diferentes.


A escolha não deve considerar apenas a capacidade nominal, mas também disponibilidade, frequência de uso e relação com as demais etapas.


Amassadeira


A amassadeira participa do preparo quando a padaria produz a própria massa.


Um ponto observado pela Prática em operações de panificação é o compartilhamento da máquina com outros produtos.


Uma única amassadeira pode suportar o volume diário e ainda assim ficar indisponível no momento em que um novo lote de pão de queijo precisa ser preparado.


Nesse caso, a limitação está no uso do equipamento ao longo do expediente, não necessariamente em seu tamanho.


Dependendo do volume e da programação da fábrica, uma segunda amassadeira pode permitir a preparação de outras massas sem interferir no fluxo dos pães da linha convencional.


Para detalhes sobre essa etapa, consulte o artigo sobre produção de pão de queijo.


Ultracongelador


O ultracongelador pode integrar operações que produzem lotes antecipadamente e mantêm unidades congeladas para utilização posterior.


Sua capacidade deve ser definida pelo volume congelado em cada lote e pela frequência dos ciclos, não apenas pela quantidade vendida por dia.


Essa configuração permite concentrar a fabricação em determinados horários e distribuir o uso do produto conforme a programação da padaria.


Forno de convecção


O forno de convecção é utilizado no forneamento do pão de queijo.


O dimensionamento deve considerar quanto precisa ser assado simultaneamente, principalmente nos períodos de maior saída.


Uma operação pode vender muitas unidades ao longo do expediente e trabalhar com ciclos menores e frequentes.


Outra pode ter venda diária inferior, mas exigir maior quantidade por ciclo devido a um pico ou encomenda.


A quantidade de assadeiras também é decisiva.


Fornos que comportam mais assadeiras por ciclo permitem atender volumes concentrados com menos ciclos consecutivos.


Já em cafeterias, vitrines e áreas próximas ao atendimento, equipamentos menores podem ser utilizados para fornadas reduzidas ao longo do dia.


Temperatura, tempo e demais parâmetros do processo térmico são tratados no artigo sobre como assar pão de queijo.


Como a gramatura interfere na produção?


A gramatura influencia o rendimento do lote, a quantidade distribuída por assadeira e o número de unidades produzidas em cada ciclo.


Mini pães de queijo destinados a eventos apresentam uma dinâmica diferente de produtos maiores vendidos individualmente na loja.


Por isso, duas padarias que comercializam o mesmo número de unidades podem precisar de configurações diferentes de equipamentos.


O dimensionamento deve considerar o produto que efetivamente será vendido, e não apenas uma média genérica de unidades.


Como dimensionar a operação?


O dimensionamento deve relacionar demanda, capacidade por etapa e horários de utilização.


Os principais dados são:


  • média de unidades vendidas por dia;
  • distribuição das vendas por horário;
  • gramaturas utilizadas;
  • quantidade necessária nos períodos de pico;
  • tamanho dos lotes;
  • estoque congelado necessário;
  • volume destinado a encomendas;
  • número de assadeiras por ciclo;
  • disponibilidade dos equipamentos compartilhados.


Essas informações ajudam a localizar limitações antes de ampliar a estrutura.


Uma amassadeira pode atender o volume previsto, mas estar ocupada quando um lote precisa ser preparado.


O estoque pode estar abastecido enquanto o forno não comporta a quantidade necessária naquele intervalo.


Em outro cenário, o forno pode ter espaço disponível, mas faltar produto preparado.


O ponto crítico é identificar qual etapa limita o fluxo.


Como calcular a quantidade por fornada?


A quantidade por fornada deve considerar três dados:


  • demanda prevista até o próximo ciclo;
  • intervalo entre fornadas;
  • capacidade disponível no forno.


Se uma padaria vende 300 unidades durante o dia, isso não significa que precise assar 300 de uma vez.


Se a saída estiver distribuída ao longo de dez horas, diferentes quantidades podem ser programadas para cada período.


A previsão deve ser comparada com os resultados reais.


Sobras recorrentes indicam excesso naquele horário.


Faltas antes do ciclo seguinte mostram necessidade de ajuste.


Com o histórico, a própria loja passa a gerar referências cada vez mais precisas para organizar o forneamento.


Como identificar gargalos no fluxo da padaria?


Um gargalo ocorre quando uma etapa não acompanha a necessidade das demais.


Se existem unidades disponíveis, mas o forno não atende o pico de vendas, a limitação está no forneamento.


Se há espaço no forno, mas faltam produtos preparados, o problema pode estar na fabricação, no congelamento ou no estoque.


Equipamentos compartilhados exigem atenção porque podem apresentar capacidade nominal suficiente e, ainda assim, ficar indisponíveis no horário necessário.


Mapear essas restrições permite direcionar investimentos para a etapa que realmente limita a operação.


Quando aumentar a capacidade dos equipamentos?


O crescimento das vendas não significa que todos os equipamentos precisam ser substituídos por modelos maiores.


Primeiro, é necessário verificar se a limitação está na capacidade instalada ou na organização do fluxo.


Alterar horários de preparação, redistribuir lotes ou ajustar a quantidade por ciclo pode aproveitar melhor a estrutura existente.


Quando essas medidas deixam de atender os períodos críticos, a ampliação deve ocorrer na etapa que restringe o processo.


Essa análise evita aumentar a capacidade de uma área enquanto o gargalo permanece em outra.


Demanda, fluxo e equipamentos precisam estar alinhados


A experiência da Prática com padarias mostra que operações com volumes diários semelhantes podem exigir configurações diferentes.


Horários de pico, gramaturas, encomendas, quantidade de assadeiras, estoque e disponibilidade de máquinas compartilhadas alteram a necessidade de cada estabelecimento.


Ao acompanhar essas variáveis, a padaria consegue identificar gargalos, organizar melhor os ciclos e decidir onde ampliar a capacidade com base em dados da própria operação.



Para conhecer outro aspecto do produto sem repetir os temas abordados aqui, veja também a história do pão de queijo.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.