Resfriadores de água: qual sua importância na fabricação de pães?

Prática • August 21, 2019
Uma pessoa está despejando água em uma tigela de farinha com uma colher de pau.

O resfriador de água para panificação fornece água refrigerada para o preparo das massas e auxilia no controle de sua temperatura ao final do amassamento.


Esse cuidado é especialmente importante em ambientes quentes ou em produções contínuas, nas quais pequenas variações térmicas podem alterar o comportamento da fermentação entre os lotes.


A temperatura da massa resulta da combinação de diversos fatores, entre eles as condições do ambiente, da farinha e da água, além do calor gerado durante o amassamento.


Por isso, controlar apenas o tempo de mistura ou de fermentação pode não ser suficiente para manter resultados regulares.


Entenda como a água interfere nesse processo, quando seu resfriamento é necessário e quais critérios considerar na produção profissional de pães.


Para que serve o resfriador de água na panificação?


O resfriador mantém água refrigerada disponível para a formulação das massas.


Sua principal função é ajudar o panificador a alcançar a temperatura desejada da massa após o amassamento.


Isso é importante porque a atividade das leveduras é influenciada pela temperatura.


Uma massa que termina o amassamento acima do previsto pode apresentar desenvolvimento fermentativo acelerado, enquanto temperaturas menores reduzem essa atividade.


O objetivo, portanto, não é simplesmente utilizar água fria em todas as receitas.


A temperatura da água deve ser definida de acordo com a formulação, as condições de produção e a temperatura desejada para a massa.


Esse controle contribui para manter maior regularidade entre os lotes e previsibilidade nas etapas seguintes.


Por que a temperatura da água interfere na massa?


A água exerce diversas funções na fabricação de pães.


Ela hidrata componentes da farinha, participa da formação da massa, interfere em sua consistência e cria condições para diferentes reações que ocorrem durante o processo.


Sua temperatura também influencia o equilíbrio térmico da mistura.


Durante o amassamento, a massa recebe calor do ambiente, dos ingredientes e da energia mecânica gerada pelo equipamento.


Em dias quentes ou após vários ciclos consecutivos, essa combinação pode elevar sua temperatura.


A água refrigerada funciona como uma das variáveis disponíveis para compensar esse aquecimento.


Por isso, o parâmetro mais relevante não é uma temperatura fixa da água, mas a temperatura que a massa precisa atingir ao terminar o amassamento.


O que é a temperatura desejada da massa?


A temperatura desejada da massa, também conhecida pela sigla DTM, é um parâmetro utilizado na panificação profissional para reduzir variações no processo fermentativo.


Ela pode mudar conforme o produto, a formulação, o tipo e a quantidade de fermento, o método de produção e o resultado pretendido.


Entre os fatores que interferem na temperatura final estão:


  • temperatura da farinha;
  • temperatura do ambiente;
  • temperatura da água;
  • condições térmicas dos demais ingredientes;
  • duração e intensidade do amassamento;
  • aquecimento provocado pelo próprio equipamento.


Isso explica por que não existe uma única temperatura de água adequada para todos os pães e todas as padarias.


O controle precisa considerar o processo como um conjunto.


Para compreender como essa variável se relaciona às etapas seguintes, consulte também o artigo sobre fermentação do pão e como controlá-la.


O que acontece quando a massa fica quente demais?


Quando a temperatura final ultrapassa o valor previsto para a receita, a atividade das leveduras pode ocorrer rapidamente antes das etapas programadas.


Isso interfere principalmente no controle do tempo disponível para descanso, divisão, modelagem e fermentação.


Fermentação pode avançar antes do momento previsto


O aumento da temperatura tende a acelerar a atividade fermentativa.


Com isso, a massa pode chegar às etapas seguintes em uma condição diferente daquela prevista na formulação.


Em operações com vários lotes ao longo do dia, essa variação dificulta manter os mesmos tempos de processamento.


Divisão e modelagem podem ficar menos previsíveis


Alterações no desenvolvimento da massa interferem em seu comportamento durante a manipulação.


Quando o processo avança rapidamente, o operador pode encontrar massas com características diferentes entre o início e o final da produção.


Os lotes podem apresentar resultados diferentes


Mudanças de temperatura ao longo do expediente ajudam a explicar por que uma mesma receita nem sempre se comporta da mesma maneira.


Controlar esse parâmetro reduz uma fonte importante de variação e facilita a repetição das condições estabelecidas para cada produto.


Como controlar a temperatura da massa?


O controle começa antes de ligar a amassadeira.


É necessário observar as condições do ambiente e dos ingredientes, principalmente farinha e água.


Depois do amassamento, medir a temperatura da massa permite verificar se o processo atingiu o valor definido para aquela formulação.


A temperatura da água pode então ser ajustada nos lotes seguintes quando necessário.


A própria amassadeira também interfere nesse resultado.


Equipamentos desenvolvidos para reduzir o aquecimento durante a mistura ajudam a manter condições térmicas adequadas enquanto ocorre a hidratação da farinha e o desenvolvimento da massa.


A amassadeira espiral AE80 da Prática, por exemplo, utiliza espiral rente ao tacho e separador para favorecer a absorção da água pela farinha e reduzir o superaquecimento durante o processamento.


O controle térmico, portanto, não depende de um único equipamento.


Ele começa nos ingredientes e continua durante todo o amassamento.


Água refrigerada ou gelo na massa?


Água refrigerada e gelo podem ser utilizados para reduzir a temperatura da mistura, mas não devem ser tratados como soluções equivalentes em qualquer situação.


A água já está disponível em estado líquido e pode ser incorporada diretamente à formulação.


Em operações que utilizam resfriadores, o fornecimento contínuo também reduz a necessidade de comprar, transportar, armazenar e manipular gelo para cada produção.


O gelo exige outros cuidados.


Tipo, tamanho das partículas, quantidade utilizada e compatibilidade com a amassadeira precisam ser considerados.


O gelo em escamas apresenta partículas menores e maior superfície de contato, o que facilita sua incorporação.


O fabricante do equipamento deve ser consultado antes de adicionar gelo diretamente à amassadeira, pois podem existir limites específicos de utilização.


A escolha entre gelo e água refrigerada depende, portanto, da formulação, da temperatura necessária, da capacidade do equipamento e da rotina produtiva.


Quais são as vantagens do resfriador de água?


Em padarias que precisam reduzir frequentemente a temperatura da água, um sistema dedicado pode simplificar o controle térmico da produção.


Entre os principais benefícios estão:


  • disponibilidade de água refrigerada durante os ciclos de produção;
  • menor dependência da compra e do armazenamento de gelo;
  • facilidade para ajustar receitas conforme as condições térmicas do dia;
  • maior previsibilidade da temperatura final da massa;
  • redução de variações entre lotes;
  • organização do fluxo de produção.


O benefício deve ser avaliado conforme o volume produzido e as condições do estabelecimento.


Uma operação pequena em ambiente de temperatura controlada pode apresentar necessidades diferentes de uma padaria com produção contínua e elevada carga térmica.


Como escolher um resfriador de água para padaria?


O dimensionamento deve partir do consumo de água da produção e não apenas da capacidade nominal do reservatório.


É importante avaliar quanto cada receita utiliza, quantos lotes são produzidos consecutivamente e qual volume precisa estar refrigerado nos períodos de maior demanda.


Outros pontos relevantes incluem:


  • capacidade compatível com o consumo;
  • faixa de temperatura oferecida pelo equipamento;
  • velocidade de recuperação da temperatura da água;
  • materiais adequados ao contato com água;
  • facilidade de higienização;
  • dimensões compatíveis com o espaço disponível;
  • facilidade de abastecimento e retirada da água;
  • assistência técnica e disponibilidade de peças.


Também é necessário verificar a infraestrutura elétrica e hidráulica antes da instalação.


Como resfriamento, amassamento e fermentação se relacionam?


Essas etapas fazem parte do mesmo controle de processo.


O resfriamento da água ajuda a determinar a condição térmica inicial da massa.


O amassamento incorpora os ingredientes e desenvolve a rede de glúten, ao mesmo tempo que gera calor por ação mecânica.


Depois, a temperatura alcançada interfere na velocidade da fermentação.


Isso significa que corrigir somente uma etapa nem sempre resolve variações observadas no produto final.


Na produção do pão francês, por exemplo, pesagem, mistura, divisão, modelagem, fermentação e forneamento são etapas interdependentes.


Veja como elas se relacionam no artigo Pão francês: etapas e cuidados da produção.


Quando vale utilizar um resfriador de água?


O equipamento tende a ser especialmente relevante quando a padaria precisa reduzir regularmente a temperatura da água para alcançar o padrão térmico definido para suas massas.


Isso pode ocorrer em ambientes quentes, durante períodos de temperaturas elevadas ou em linhas com vários ciclos consecutivos de amassamento.

O primeiro passo é medir.


Registrar a temperatura da farinha, da água e da massa ao final do processo permite identificar se o calor está realmente causando variações e qual correção é necessária.


Esse acompanhamento também ajuda a separar problemas térmicos de outras causas possíveis, como dosagem dos ingredientes, tempo de mistura, desenvolvimento insuficiente do glúten ou alterações na fermentação.


Para aprofundar a análise de todo o fluxo, veja também como funciona a produção do pão francês.


Perguntas frequentes sobre resfriadores de água


Para que serve o resfriador de água na panificação?


Ele fornece água refrigerada para as formulações e ajuda a controlar a temperatura final da massa após o amassamento.


Isso permite reduzir variações térmicas que podem alterar a velocidade da fermentação.


Qual deve ser a temperatura da água para fazer pão?


Não existe uma única temperatura adequada para todas as receitas.


O valor depende da temperatura desejada da massa, das condições da farinha e do ambiente, do aquecimento durante o amassamento e das características da formulação.


Por que usar água gelada na massa de pão?


A água em temperatura reduzida pode compensar o calor proveniente do ambiente, dos ingredientes e do amassamento.


O objetivo é alcançar a temperatura definida para a massa, e não simplesmente deixá-la fria.


Água refrigerada e gelo produzem o mesmo efeito?


Ambos podem contribuir para reduzir a temperatura da mistura, mas apresentam características operacionais diferentes.


O uso de gelo precisa considerar tipo, quantidade e compatibilidade com a amassadeira.


A água refrigerada pode ser incorporada diretamente à formulação.


Toda padaria precisa de um resfriador de água?


Não necessariamente.


A necessidade depende do clima, das condições internas do estabelecimento, das receitas, do volume de produção e da temperatura atingida pelas massas.


Medir e registrar esses parâmetros ajuda a identificar a necessidade do equipamento.


A temperatura da massa interfere na fermentação?


Sim. A atividade das leveduras responde às condições térmicas.


Temperaturas elevadas tendem a acelerar seu metabolismo, enquanto temperaturas menores reduzem sua atividade.


Para saber como controlar as demais variáveis dessa etapa, leia também sobre fermentação de pães, temperatura e técnicas.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.