Restaurante no aplicativo: dicas para se dar bem com esse recurso

Prática • September 17, 2021
Uma caixa de pizza cheia de pizza e batatas fritas sobre uma mesa.

Os aplicativos de delivery fazem parte da rotina de restaurantes, lanchonetes, pizzarias, cafeterias e outros estabelecimentos que recebem pedidos para entrega.


Para o negócio, porém, estar disponível em uma plataforma não significa necessariamente vender com boa margem ou atender com eficiência.


Comissões, taxas, logística, tempo de preparo, cardápio, embalagem e capacidade da cozinha interferem no resultado de cada pedido.


Por isso, a escolha do aplicativo precisa considerar tanto as condições comerciais quanto a estrutura disponível para produzir e expedir os alimentos.


A seguir, veja quais pontos avaliar e como organizar o restaurante para operar nesse canal.


Como funciona um aplicativo de delivery para restaurante?


O aplicativo de delivery conecta o estabelecimento ao consumidor e concentra etapas como apresentação do cardápio, recebimento do pedido, pagamento e acompanhamento da entrega.


Dependendo da plataforma e do plano contratado, a logística pode ser realizada pelo próprio restaurante ou por entregadores vinculados ao serviço.


Para o estabelecimento, o aplicativo funciona como um canal de vendas.


Sua viabilidade depende dos custos envolvidos, do volume recebido, da margem dos produtos e da capacidade de atender à demanda sem comprometer os demais canais.


Como escolher um aplicativo de delivery?


Antes de cadastrar o restaurante, compare as condições oferecidas pelas plataformas disponíveis na sua região.


A decisão não deve considerar somente o número potencial de usuários.


Analise:


  • comissão sobre os pedidos;
  • mensalidade, quando houver;
  • taxas adicionais;
  • condições e prazos de pagamento;
  • área de cobertura;
  • opções de entrega;
  • meios de pagamento disponíveis;
  • recursos para promoções;
  • integração com sistemas utilizados pelo restaurante;
  • ferramentas para acompanhar pedidos e resultados;
  • suporte oferecido ao estabelecimento.


Também é importante verificar quais plataformas são utilizadas pelo público que o negócio pretende atender.


Em alguns casos, operar em vários aplicativos amplia o alcance.


Por outro lado, receber pedidos de diferentes canais exige organização para evitar atrasos, indisponibilidade de itens, erros e dificuldade de acompanhamento.


Entenda os custos antes de definir os preços


Um pedido realizado por aplicativo pode ter custos diferentes de uma venda feita diretamente no salão ou balcão.


Comissão, embalagem, entrega, promoções e outras cobranças precisam entrar no cálculo.


O preço definido sem considerar essas despesas pode gerar vendas sem a margem esperada.


A análise deve incluir custo dos ingredientes, despesas operacionais, embalagem, cobranças da plataforma e margem desejada.


A partir desses dados, o gestor consegue avaliar se o preço adotado é compatível com o canal.


Também é importante acompanhar a margem por item. Um produto muito vendido não é necessariamente aquele que oferece o melhor resultado financeiro.


Para aprofundar esse cálculo, leia também o artigo sobre como precificar produtos para venda por delivery.


Prepare a cozinha para o volume de pedidos


A entrada em um aplicativo pode alterar o fluxo de produção, principalmente nos horários em que pedidos do salão, retirada e entrega chegam simultaneamente.


Antes de ampliar o atendimento, avalie quantos pedidos a cozinha consegue produzir dentro de cada período sem comprometer qualidade e tempo de preparo.


Observe:


  • capacidade dos equipamentos;
  • distribuição das tarefas;
  • armazenamento dos ingredientes;
  • tempo necessário para cada produto;
  • espaço para montagem e embalagem;
  • área destinada à expedição;
  • fluxo entre produção e retirada pelos entregadores.


Os equipamentos precisam ser dimensionados de acordo com o cardápio e o volume esperado.


Fornos combinados podem atender diferentes processos de cocção em cozinhas profissionais.


Speed Ovens são indicados para aplicações que exigem finalização rápida de produtos compatíveis com essa tecnologia.


Operações especializadas em pizza, por sua vez, precisam considerar equipamentos adequados às características desse produto.


Quando o estabelecimento trabalha com produção antecipada, resfriamento e congelamento rápidos também podem fazer parte da organização da cozinha, conforme o tipo de alimento e o processo adotado.


Para operações dedicadas principalmente às entregas, veja também quais cuidados considerar ao montar cozinhas para delivery.


Organize o fluxo do pedido até a expedição


O tempo informado ao consumidor começa a ser contado assim que o pedido entra no sistema.


Por isso, recebimento, produção, montagem, conferência e expedição precisam funcionar como partes do mesmo fluxo.


Uma sequência bem definida ajuda a reduzir falhas:


  1. recebimento e confirmação do pedido;
  2. envio das informações para produção;
  3. preparo dos itens;
  4. montagem;
  5. embalagem;
  6. conferência;
  7. identificação;
  8. liberação para retirada.


Nos períodos de maior movimento, a organização da expedição ganha importância.


Pedidos prontos devem ser identificados corretamente e permanecer em condições adequadas enquanto aguardam a retirada.


Também é recomendável acompanhar o tempo médio de preparo.


Se atrasos se tornam recorrentes, é necessário identificar se a limitação está na produção, montagem, embalagem ou retirada.


Escolha produtos adequados ao delivery


Nem todo item que funciona bem no salão apresenta o mesmo resultado depois de embalado e transportado.


Tempo de deslocamento, temperatura, umidade, movimentação e características da embalagem podem modificar textura e apresentação.


Por isso, o cardápio destinado aos aplicativos deve considerar o comportamento de cada preparação até o momento do consumo.


Antes de incluir um produto, avalie:


  • tempo de preparo;
  • estabilidade durante o transporte;
  • facilidade de montagem;
  • embalagem necessária;
  • custo total;
  • margem;
  • procura;
  • distância de entrega compatível.


Testar o produto nas mesmas condições enfrentadas em uma entrega ajuda a identificar alterações antes de disponibilizá-lo aos consumidores.


Use a engenharia de cardápio


A engenharia de cardápio permite analisar os itens a partir de dados como popularidade, custos e rentabilidade.


No delivery, essa análise ajuda a identificar quais produtos vendem bem, quais oferecem margem adequada e quais ocupam capacidade produtiva sem gerar o retorno esperado.


O acompanhamento também pode orientar a criação de combinações e a retirada de itens pouco procurados.


O cardápio disponível no aplicativo precisa permanecer atualizado.


Produtos indisponíveis devem ser retirados temporariamente para reduzir cancelamentos e substituições depois da confirmação da compra.


Saiba como avaliar popularidade, custos e resultados no artigo sobre engenharia de cardápio.


Cuide das fotos e descrições do cardápio


No aplicativo, o consumidor não tem contato direto com o produto antes da compra.


Fotos, nomes e descrições ajudam a entender o que será recebido.


As informações devem corresponder ao produto entregue. Informe os principais ingredientes, acompanhamentos, tamanho ou quantidade quando necessário.


Evite descrições extensas que dificultem a leitura no celular.


O objetivo é fornecer as informações necessárias para que o consumidor consiga decidir sem criar expectativas incompatíveis com o pedido real.


Escolha a embalagem conforme o alimento


A embalagem interfere diretamente nas condições em que o pedido chega ao destino.


A escolha depende das características da preparação.


Produtos crocantes podem exigir ventilação para evitar acúmulo de vapor.


Preparações com líquidos precisam de boa vedação. Itens quentes e frios podem exigir acondicionamentos diferentes.


Considere:


  • vedação;
  • ventilação;
  • resistência;
  • tamanho;
  • facilidade de transporte;
  • contato adequado com alimentos;
  • conservação das características do produto;
  • tempo previsto entre expedição e consumo.


Molhos e acompanhamentos que possam alterar a textura do prato durante o percurso podem ser enviados separadamente quando isso beneficiar o produto.


Atenção à segurança dos alimentos


A entrega amplia o intervalo entre a finalização do preparo e o consumo.


Isso exige controle das etapas de manipulação, acondicionamento, espera e transporte.


Os procedimentos adotados precisam seguir os requisitos sanitários aplicáveis ao estabelecimento e ao tipo de alimento comercializado.


A embalagem deve ser apropriada para contato com alimentos e estar íntegra.


A área de expedição também precisa ser organizada para reduzir riscos de contaminação e trocas entre pedidos.


Além da segurança dos alimentos, o controle adequado contribui para preservar características como temperatura, textura e apresentação durante o percurso.


Confira cada pedido antes da saída


Erros de montagem geram reclamações, reembolsos, novas entregas e desperdício.


A conferência deve comparar o pedido registrado no sistema com os itens efetivamente embalados.


Bebidas, molhos, acompanhamentos e adicionais merecem atenção porque podem ficar fora da embalagem principal.


Identificar cada pacote também reduz o risco de troca quando vários entregadores aguardam simultaneamente.


O processo precisa ser simples o suficiente para funcionar mesmo nos horários de maior movimento.


Entrega própria ou logística do aplicativo?


Os dois modelos podem funcionar. A escolha depende do volume de pedidos, região atendida, custos e estrutura do estabelecimento.


Com entrega própria, o restaurante assume a organização dos entregadores, rotas e demais custos relacionados à operação.


Em contrapartida, tem controle direto sobre essa etapa.


Quando a logística é oferecida pela plataforma, parte desse processo fica sob responsabilidade do serviço contratado.


As condições e cobranças variam conforme o aplicativo e o plano.


Antes de escolher, compare o custo total de cada alternativa e a capacidade do negócio de administrar a entrega.


Acompanhe avaliações e reclamações


As avaliações ajudam a identificar problemas que nem sempre são percebidos dentro da cozinha.


Comentários recorrentes sobre atrasos, temperatura, embalagem, itens ausentes ou divergência entre foto e produto podem indicar pontos específicos do fluxo que precisam ser revistos.


Uma reclamação isolada deve ser analisada, mas a repetição do mesmo problema merece atenção especial.


Responder aos consumidores também permite esclarecer ocorrências e entender melhor o motivo da insatisfação.


Analise os resultados do delivery


Quantidade de pedidos isoladamente não mostra se o canal está funcionando bem para o restaurante.


Alguns indicadores ajudam a compreender o desempenho:


  • faturamento;
  • ticket médio;
  • margem por produto;
  • produtos mais vendidos;
  • tempo médio de preparo;
  • cancelamentos;
  • avaliações;
  • reclamações recorrentes;
  • horários de maior demanda;
  • participação de promoções nas vendas.


Esses dados permitem ajustar preços, cardápio, capacidade produtiva e horários de funcionamento com base no comportamento real dos pedidos.


Aplicativos e dark kitchens


Restaurantes com salão podem utilizar os aplicativos como um canal adicional.


Já as dark kitchens são estruturas voltadas à produção para delivery ou retirada, sem atendimento convencional em salão.


Nesse modelo, layout, equipamentos, produção, montagem e expedição podem ser planejados especificamente para pedidos externos.


A escolha entre incluir delivery em uma operação existente ou criar uma estrutura dedicada depende do volume, do modelo de negócio e da demanda atendida.


Conheça também como funciona uma dark kitchen.


Perguntas frequentes sobre aplicativos de delivery


Qual é o melhor aplicativo de delivery para restaurante?


Não existe uma plataforma que seja a melhor para todos os estabelecimentos.


A escolha depende da região, do perfil dos consumidores, das taxas, da logística disponível, dos recursos oferecidos e das condições comerciais.


Compare o custo total e o potencial de vendas antes de decidir.


Como escolher um aplicativo de delivery?


Compare comissão, mensalidade, cobranças adicionais, alcance na região, meios de pagamento, modalidade de entrega, integração com sistemas e suporte.


Também verifique quais plataformas são utilizadas pelo público do estabelecimento.


Quais custos devem ser considerados?


Além dos ingredientes e demais custos do produto, considere comissão, embalagem, entrega, promoções, taxas previstas no plano contratado e outras despesas operacionais relacionadas ao canal.


Vale a pena ter entrega própria?


Depende do volume, da área atendida e da estrutura disponível.


O restaurante deve comparar o custo de manter a própria logística com as condições oferecidas pelas plataformas.


Como saber se vender por aplicativo é rentável?


Acompanhe faturamento, custos, taxas, margem por item, ticket médio, cancelamentos e despesas de entrega.


Volume elevado de pedidos não significa necessariamente boa rentabilidade.


Faça o aplicativo trabalhar com a operação


O aplicativo é um canal de venda. O resultado depende de tudo o que acontece antes e depois do pedido entrar na tela.


Cardápio compatível com entrega, preços calculados considerando os custos do canal, capacidade produtiva, embalagem adequada, conferência e acompanhamento de indicadores ajudam a tornar o delivery financeiramente e operacionalmente viável.


À medida que o volume aumenta, também é necessário verificar se a cozinha consegue absorver a demanda sem elevar excessivamente os tempos de preparo.


Essa análise pode indicar ajustes de fluxo, cardápio ou equipamentos.



Para continuar o planejamento da operação, leia como conquistar clientes no delivery e melhorar os resultados.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.