Produtividade na panificação: como melhorar ?

Prática • April 17, 2019
produtividade na panificação

A produtividade na panificação depende da capacidade de produzir o volume necessário, dentro do tempo planejado, utilizando adequadamente mão de obra, equipamentos, matérias-primas e espaço disponível.


Por isso, produzir mais unidades nem sempre significa ter uma operação eficiente.


Tempos de espera, movimentações desnecessárias, equipamentos subdimensionados, excesso de atividades manuais, variações entre lotes e perdas de matéria-prima podem limitar o desempenho da padaria mesmo quando a equipe trabalha continuamente.


Para aumentar a produtividade, é necessário observar todo o fluxo, identificar onde estão as limitações e buscar equilíbrio entre as diferentes etapas.


Automação, planejamento, padronização, produção antecipada e dimensionamento adequado dos equipamentos entram nesse processo de acordo com as necessidades de cada negócio.


O que é produtividade na panificação?


Produtividade é a relação entre os recursos utilizados e o resultado obtido durante determinado período.


Em uma padaria, ela pode ser analisada a partir de fatores como quantidade produzida por hora, tempo necessário para cada lote, utilização dos equipamentos, horas de trabalho, rendimento das matérias-primas e índice de perdas.


Essa visão evita associar produtividade somente ao volume.


Uma linha pode fabricar grande quantidade de pães e, ainda assim, apresentar baixa eficiência caso dependa de horas extras frequentes, gere desperdícios ou mantenha equipamentos e funcionários aguardando a liberação de outras etapas.


O primeiro passo, portanto, é conhecer a capacidade real da operação.


Como medir a produtividade de uma padaria?


Os indicadores devem acompanhar o perfil e o mix de cada estabelecimento.


Entre os dados que podem ser monitorados estão:


  • unidades ou quilos produzidos por hora;
  • tempo total de fabricação de cada produto;
  • quantidade produzida por funcionário;
  • tempo de preparação e regulagem dos equipamentos;
  • percentual de ocupação das máquinas;
  • perdas de massas, ingredientes e produtos acabados;
  • quantidade descartada ao final do período de venda;
  • horas extras necessárias para atender à demanda.


A comparação desses dados ao longo do tempo ajuda a localizar limitações e verificar se uma mudança realmente trouxe resultado.


Também é importante acompanhar o lead time, que corresponde ao intervalo entre o início e o término de determinado fluxo.


Quanto maior for o período sem processamento efetivo, maior a necessidade de investigar esperas, deslocamentos ou incompatibilidades de capacidade.


Identifique os gargalos da produção


Um gargalo ocorre quando determinada etapa limita o desempenho das demais.


Imagine uma linha na qual a divisão e a modelagem fornecem massas em ritmo superior ao suportado pela fermentação.


Aumentar ainda mais a velocidade dessas primeiras operações não resolverá o problema. Haverá acúmulo antes da fermentadora.


O mesmo pode ocorrer no forneamento.


Se os processos anteriores conseguem preparar uma quantidade superior à capacidade do forno, a espera passa a acontecer nessa fase.


Para localizar esses pontos, observe:


  • quanto tempo cada operação leva;
  • onde produtos permanecem aguardando;
  • quais tarefas exigem maior número de funcionários;
  • onde existem deslocamentos frequentes;
  • quais máquinas trabalham continuamente;
  • quais permanecem ociosas esperando outra fase;
  • onde ocorrem retrabalhos ou perdas.


Essa análise permite direcionar investimentos para a restrição real, em vez de aumentar isoladamente a capacidade de uma parte da linha.


Planeje a produção conforme a demanda


Uma padaria pode ter necessidades muito diferentes ao longo do dia.


Pão francês, itens de confeitaria, salgados, produtos sazonais e encomendas não apresentam necessariamente os mesmos horários ou volumes de saída.


O planejamento deve considerar histórico de vendas, dias da semana, horários de pico, encomendas e sazonalidade.


Com essas informações, é possível distribuir melhor a carga de trabalho e evitar tanto a falta quanto o excesso de produtos.


A ficha técnica também contribui para esse controle ao estabelecer ingredientes, rendimento, peso, etapas e parâmetros de cada receita.


Com referências definidas, torna-se mais fácil comparar o resultado planejado com o realizado.


Para operações que atendem diferentes unidades ou precisam fabricar volumes elevados, a centralização da produção com ultracongelamento pode ser considerada como outro modelo de organização.


Reduza atividades manuais repetitivas


Atividades manuais não precisam ser eliminadas indiscriminadamente.


O ponto principal é identificar aquelas que consomem tempo, exigem esforço repetitivo e apresentam variações que podem ser reduzidas com equipamentos apropriados.


Na fabricação de pães, amassamento, divisão, modelagem e distribuição são exemplos de fases nas quais a mecanização pode aumentar a capacidade e diminuir a dependência de intervenções sucessivas.


A linha de equipamentos de panificação da Prática inclui amassadeiras, divisoras, modeladoras, grupos automáticos, esteiras, fatiadoras e câmaras de fermentação destinados a diferentes escalas de operação.


A decisão, entretanto, deve considerar o fluxo inteiro.


Automatizar uma fase sem verificar a capacidade das seguintes pode apenas transferir o gargalo para outro ponto.


Reduza o tempo de preparação entre produtos


Padarias com mix amplo podem realizar diversas trocas de produto durante o expediente.


Cada mudança pode exigir regulagens, testes e conferências antes da retomada da fabricação.


Esse intervalo é conhecido como tempo de setup.


Quando ocorre muitas vezes ou depende de ajustes demorados, reduz o período em que a máquina está efetivamente produzindo.


Equipamentos programáveis permitem armazenar parâmetros e recuperá-los quando determinada receita volta à linha.


O tema é aprofundado no artigo sobre receitas digitais e redução de setup nos Grupos Automáticos.


O benefício deve ser avaliado pelo tempo efetivamente economizado e pela capacidade de reproduzir os parâmetros necessários para cada produto.


Organize a fermentação


A fermentação interfere diretamente no planejamento porque depende de tempo, temperatura e umidade.


Quando essas variáveis ficam sujeitas apenas às condições do ambiente, o ritmo pode mudar de acordo com o clima.


O controle dessa fase permite coordená-la melhor com as etapas anteriores e com o horário previsto para o forneamento.


A câmara de fermentação CFCK20, por exemplo, trabalha com controle de temperatura e umidade e permite acelerar ou retardar o processo.


O equipamento também possui programação para início automático da fermentação.


O dimensionamento deve considerar a quantidade que chega à câmara e a capacidade da etapa seguinte.


Dessa maneira, evita-se criar uma diferença excessiva entre o volume fermentado e aquele que pode ser assado.


Avalie a capacidade de forneamento


O forno costuma ocupar uma posição importante no fluxo porque sua capacidade determina quantos produtos podem ser assados por ciclo.


A avaliação não deve considerar somente o tamanho da câmara.


Quantidade e dimensão das assadeiras, duração das receitas, recuperação de temperatura, número de fornadas necessárias e variedade do mix também interferem na capacidade diária.


Fornos programáveis ainda permitem armazenar parâmetros de cocção, reduzindo a necessidade de novos ajustes para produtos recorrentes.


O forno turbo E500 Programável, por exemplo, comporta 12 assadeiras 60 x 80 cm para produtos altos ou 18 para produtos baixos e permite armazenar até 100 receitas.


Para entender as diferenças de aplicação entre tecnologias de cocção, veja também o artigo forno turbo ou lastro: qual escolher?.


Considere a produção antecipada


Concentrar toda a fabricação imediatamente antes da venda pode gerar picos de trabalho, principalmente quando diferentes produtos precisam ficar disponíveis nos mesmos horários.


Dependendo do item e do processo adotado, parte do volume pode ser preparada antecipadamente, ultracongelada, armazenada e finalizada conforme a demanda.


O ultracongelamento reduz rapidamente a temperatura do produto e se diferencia do armazenamento em freezer ou câmara fria.


Essas diferenças e as etapas do processo estão detalhadas no artigo sobre ultracongelamento na panificação.


Esse modelo permite deslocar parte do trabalho dos horários de maior movimento para períodos de melhor disponibilidade da estrutura.


Também possibilita ajustar a quantidade finalizada ao comportamento das vendas, contribuindo para reduzir sobras.


Integre divisão e modelagem quando houver volume


Divisão e modelagem podem exigir tempo e mão de obra consideráveis quando realizadas separadamente ou com elevada intervenção manual.


Em operações compatíveis com esse tipo de automação, grupos automáticos integram diferentes fases em fluxo contínuo.


O GAP 400 e 800 Programável realiza divisão, modelagem e distribuição automática.


As versões permitem armazenar configurações de produtos para recuperá-las nas trocas de receita, reduzindo novas regulagens.


A escolha desse tipo de solução precisa considerar volume, características das massas, gramaturas trabalhadas e capacidade das etapas posteriores.


Capacite a equipe para os processos definidos


Equipamentos e planejamento não substituem a capacitação dos profissionais.


Os operadores precisam conhecer receitas, parâmetros, procedimentos de higienização, critérios de qualidade e formas corretas de utilizar cada máquina.


Quando diferentes pessoas executam a mesma tarefa de maneiras muito distintas, aumenta a possibilidade de variações.


Treinamento também é importante após mudanças no layout, introdução de tecnologias ou alteração do fluxo.


O objetivo é fazer com que o processo definido seja compreendido e executado corretamente por todos os envolvidos.


Analise o layout e as movimentações


Nem toda perda de produtividade está relacionada à velocidade das máquinas.


Um layout que exige deslocamentos frequentes entre amassamento, divisão, modelagem, fermentação e forneamento aumenta o tempo gasto sem transformação do produto.


Observe o caminho percorrido pelas massas, assadeiras, carros e operadores.


Cruzamentos, retornos e transporte excessivo podem indicar oportunidades de reorganização.


A disposição dos equipamentos deve acompanhar a sequência lógica da fabricação sempre que as condições físicas e operacionais permitirem.


Reduza desperdícios sem produzir abaixo da demanda


Produzir grandes quantidades sem considerar o comportamento das vendas pode elevar o número de sobras.


Produzir pouco também traz problemas, pois aumenta o risco de ruptura nos períodos de maior procura.


Por isso, produtividade e desperdício precisam ser avaliados em conjunto.


Registros de vendas por horário, dia e produto ajudam a estabelecer lotes coerentes.


Padronização de peso e receita também facilita calcular quantas unidades podem ser obtidas a partir de determinada quantidade de matéria-prima.


Quando a operação trabalha com produtos adequados à fabricação antecipada, o congelamento rápido pode acrescentar flexibilidade ao planejamento.


Dimensione os equipamentos como uma linha


A compra de uma máquina não deve ser baseada somente em sua capacidade máxima.


Uma amassadeira maior exige que divisão, modelagem, fermentação e cocção consigam absorver o volume produzido.


Da mesma forma, um forno de alta capacidade terá utilização limitada caso as fases anteriores não consigam alimentá-lo adequadamente.


Para conhecer as diferenças entre escalas, níveis de automação e configurações, o artigo sobre padaria industrial explica como capacidade produtiva e tecnologia se relacionam em operações de diferentes portes.


O dimensionamento deve buscar equilíbrio entre as etapas e considerar também projeções realistas de demanda.


Acompanhe os resultados após cada mudança


Toda alteração deve ser comparada com uma referência anterior.


Se uma divisora foi instalada, por exemplo, acompanhe tempo de processamento, quantidade produzida e variação de peso antes e depois da mudança.


Se houve reorganização do layout, observe os deslocamentos e o tempo total do fluxo.


Essa medição evita decisões baseadas somente em percepção.


Indicadores simples, acompanhados continuamente, ajudam a descobrir se o ganho ocorreu onde era esperado ou se surgiu uma nova limitação em outra fase.


Como aumentar a produtividade na panificação?


O aumento da produtividade começa pelo conhecimento da capacidade real da padaria.


A partir desse diagnóstico, é possível localizar gargalos, planejar volumes conforme a demanda, reduzir esperas, organizar o layout, automatizar atividades repetitivas e dimensionar máquinas de forma compatível com o fluxo.


Não existe uma única configuração adequada para todos os estabelecimentos.


Uma pequena padaria, uma operação de supermercado e uma central de produção trabalham com volumes, mixes e necessidades diferentes.


O ponto central é fazer com que pessoas, processos e equipamentos operem de maneira coordenada, com indicadores que permitam acompanhar capacidade, tempo, rendimento e perdas.


Perguntas frequentes sobre produtividade na panificação


Qual é a diferença entre produção e produtividade?


Produção corresponde ao volume fabricado em determinado período.


Produtividade relaciona esse resultado aos recursos necessários para obtê-lo, como tempo, mão de obra, equipamentos e matérias-primas.


Por isso, aumentar o volume sem observar custos, perdas e utilização dos recursos não significa necessariamente melhorar o desempenho.


Como identificar um gargalo em uma padaria?


Observe onde produtos se acumulam, quais operações mantêm outras etapas esperando e quais equipamentos permanecem constantemente no limite da capacidade.


Tempos de processamento, espera e movimentação ajudam a confirmar onde está a restrição.


Quais indicadores ajudam a acompanhar a produtividade?


Volume por hora, tempo por lote, produção por funcionário, horas extras, tempo de setup, ocupação dos equipamentos, rendimento das matérias-primas e percentual de perdas estão entre os indicadores que podem ser utilizados.


A seleção deve considerar as características da operação.


A automação sempre aumenta a produtividade?


Não necessariamente.


A automação tende a gerar melhores resultados quando atua sobre uma limitação real e está dimensionada de acordo com as demais fases.


Uma máquina muito rápida conectada a uma etapa seguinte de baixa capacidade pode criar acúmulo sem aumentar o resultado final.


Como reduzir a dependência de trabalho manual na panificação?


O primeiro passo é identificar atividades repetitivas que consomem muitas horas ou apresentam grande variação entre operadores.


Depois, é possível avaliar equipamentos para amassamento, divisão, modelagem, distribuição, fermentação, cocção e outros processos compatíveis com o volume e o mix da padaria.


Produção antecipada pode ajudar a reduzir desperdícios?


Sim, quando os produtos e o processo são adequados.


A fabricação antecipada combinada ao ultracongelamento permite armazenar produtos e finalizar quantidades de acordo com a demanda.


O resultado depende de planejamento, armazenamento correto e procedimentos definidos para cada item.


Para continuar avaliando a operação, veja também como organizar os equipamentos e o layout de uma padaria para reduzir movimentações e organizar o fluxo entre as etapas de produção.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.