Cardápio: como precificar? Nós te explicamos!

Prática • July 3, 2020
Um homem está sentado no balcão de um restaurante escrevendo em um pedaço de papel.

Precificar um cardápio exige conhecer o custo de cada preparação, o rendimento das receitas, as despesas da operação e o CMV desejado.


Impostos, taxas, canal de venda, concorrência e valor percebido pelo cliente também interferem na formação do preço de venda.


A ficha técnica reúne os dados necessários para calcular quanto custa produzir cada porção e acompanhar alterações nos ingredientes ao longo do tempo.


Resposta rápida: como calcular o preço de um prato?


Uma fórmula inicial para calcular o preço de venda de um prato é:


Preço de venda = custo por porção ÷ percentual de CMV desejado


Se uma porção custa R$ 12 e o CMV-alvo é de 30%:


R$ 12 ÷ 0,30 = R$ 40


O resultado serve como referência inicial.


O valor definitivo ainda precisa ser avaliado diante das demais despesas, dos tributos, das taxas comerciais e das condições de mercado.


Um CMV de 30% não representa lucro de 70%.


A parcela restante da receita ainda precisa cobrir os demais gastos da operação antes de gerar resultado.


Comece pela ficha técnica


A ficha técnica registra ingredientes, quantidades, custos, rendimento e porcionamento.


Esses dados permitem calcular o custo total da receita e o valor correspondente a cada unidade servida.


Considere uma preparação que custa R$ 60 e rende 10 porções:


Custo por porção = R$ 60 ÷ 10 = R$ 6


O cálculo deve utilizar as quantidades efetivamente consumidas, e não apenas o preço da embalagem ou da unidade adquirida.


Considere perdas, rendimento e cocção


O peso comprado nem sempre corresponde à quantidade disponível para uso.


Limpeza, retirada de partes não aproveitáveis e processamento podem alterar o rendimento.


Se 1 kg de um ingrediente custa R$ 20, mas apenas 800 g permanecem disponíveis após a limpeza:


R$ 20 ÷ 0,8 = R$ 25 por kg aproveitável


O fator de correção ajuda a relacionar o peso bruto ao peso líquido do ingrediente.


A cocção também pode modificar o peso. Carnes podem perder líquidos, enquanto determinados alimentos absorvem água durante o preparo.


Conhecer o rendimento após a cocção é necessário para definir corretamente o tamanho e o custo da porção.


Quais gastos entram na formação do preço?


Os ingredientes são apenas uma parte da conta.


A receita obtida com as vendas precisa sustentar toda a estrutura necessária ao funcionamento do restaurante.


Ingredientes


Considere as quantidades previstas na ficha técnica, incluindo perdas inerentes ao processamento e o rendimento obtido.


Despesas fixas


São gastos que não variam diretamente na mesma proporção das vendas, como:


  • aluguel;
  • determinados salários;
  • sistemas;
  • contabilidade;
  • contratos e serviços recorrentes.


Despesas variáveis


Acompanham as vendas ou dependem do canal utilizado e podem incluir:


  • impostos incidentes sobre o faturamento;
  • taxas de cartão;
  • comissões de aplicativos;
  • embalagens;
  • outros gastos associados à comercialização.


A classificação contábil pode variar conforme a empresa e seu regime.


Para a precificação, é necessário identificar quanto da receita ficará disponível depois dos custos e despesas associados às vendas.


O que é CMV?


CMV significa Custo da Mercadoria Vendida e indica o valor das mercadorias consumidas nas vendas durante determinado período.


Para calcular o CMV em reais:


CMV = estoque inicial + compras − estoque final


Para encontrar sua participação sobre o faturamento:


CMV (%) = (CMV ÷ faturamento) × 100


Considere:


  • estoque inicial: R$ 20.000;
  • compras: R$ 15.000;
  • estoque final: R$ 17.000;
  • faturamento: R$ 60.000.


O CMV será:


R$ 20.000 + R$ 15.000 − R$ 17.000 = R$ 18.000


Em percentual:


(R$ 18.000 ÷ R$ 60.000) × 100 = 30%


As mercadorias corresponderam, portanto, a 30% do faturamento do período.


CMV teórico e CMV real


O CMV teórico estima quanto deveria ter sido consumido conforme as fichas técnicas e o volume vendido.


O CMV real considera a movimentação efetiva do estoque.


Uma diferença persistente entre os dois merece investigação. Entre as possíveis causas estão:


  • desperdícios;
  • porções fora do padrão;
  • perdas não registradas;
  • erros nas fichas técnicas;
  • alterações de rendimento;
  • custos desatualizados;
  • falhas no controle de estoque.


Comparar os indicadores permite verificar se o consumo previsto corresponde ao que efetivamente ocorre na operação.


Existe um CMV ideal para restaurante?


O percentual adequado depende do modelo de negócio.


Tipo de estabelecimento, composição do cardápio, despesas, localização, público, volume de vendas e canais comerciais interferem nessa definição.


Uma referência encontrada no mercado não deve ser aplicada automaticamente a qualquer restaurante.


O CMV precisa ser compatível com a estrutura financeira da empresa e deixar receita suficiente para cobrir os demais gastos e gerar resultado.


CMV, markup e margem de contribuição


Embora estejam relacionados à precificação, os três indicadores respondem a perguntas diferentes.


CMV percentual


Mostra quanto o custo das mercadorias representa em relação ao faturamento.


Markup


É um multiplicador utilizado na formação do preço a partir de um custo.


Se um item custa R$ 10 e recebe markup 3:


R$ 10 × 3 = R$ 30


O multiplicador precisa considerar a estrutura financeira do estabelecimento.


Utilizar um número arbitrário pode produzir valores insuficientes para cobrir despesas ou incompatíveis com o mercado.


Margem de contribuição


Indica quanto da receita permanece depois dos custos e despesas variáveis relacionados à venda.


De forma simplificada:


Margem de contribuição = preço de venda − custos e despesas variáveis


Esse valor é utilizado para cobrir as despesas fixas. Depois que elas são pagas, o excedente contribui para o resultado da empresa.


Como definir o preço de venda


Retomando uma preparação com custo de R$ 12 por porção e CMV-alvo de 30%:


R$ 12 ÷ 0,30 = R$ 40


Antes de colocar R$ 40 no cardápio, verifique:


  • impostos;
  • taxas do meio de pagamento;
  • despesas da operação;
  • margem de contribuição;
  • preços de itens comparáveis;
  • posicionamento do estabelecimento;
  • aceitação pelo público;
  • volume esperado de vendas.


O cálculo baseado no CMV fornece um ponto de partida.


A viabilidade depende do resultado financeiro gerado pela venda e das condições comerciais do negócio.


Salão, retirada e delivery podem ter custos diferentes


Uma mesma preparação pode apresentar estruturas financeiras distintas conforme o canal de venda.


Pedidos por aplicativo, por exemplo, podem envolver comissão da plataforma, embalagem, materiais descartáveis e outras cobranças que não existem na mesma proporção no atendimento presencial.


Compare a margem de contribuição obtida em cada canal antes de definir os valores.


Um crescimento no número de pedidos não garante melhora no resultado quando os gastos associados a cada venda aumentam na mesma direção.


Acompanhe a variação dos insumos


Carnes, hortifruti, laticínios e produtos sazonais podem sofrer alterações relevantes de preço.


Quando um ingrediente muda de valor, seu novo custo deve ser incorporado à ficha técnica.


O acompanhamento mostra se a preparação continua dentro dos parâmetros financeiros definidos pelo restaurante.


Dependendo do impacto, podem ser revistos:


  • fornecedor;
  • rendimento;
  • tamanho da porção;
  • composição da receita;
  • preço de venda;
  • permanência do item no menu.


Dessa forma, o reajuste cobrado do cliente deixa de ser a única resposta possível ao aumento de custos.


Analise concorrência e valor percebido


Os custos mostram as necessidades financeiras do estabelecimento.


A análise de mercado acrescenta informações sobre os preços encontrados pelo consumidor e o posicionamento dos concorrentes.


Copiar valores de outro restaurante, porém, ignora diferenças de aluguel, folha, fornecedores, volume de vendas, estrutura e canais comerciais.


A percepção do cliente também depende de fatores como qualidade dos ingredientes, tamanho da porção, apresentação, conveniência, atendimento e proposta do estabelecimento.


O preço precisa ser financeiramente viável para a empresa e coerente com aquilo que o público reconhece na oferta.


Avalie rentabilidade e popularidade dos pratos


A engenharia de cardápio relaciona duas dimensões importantes: popularidade e rentabilidade.


Um item com grande volume de vendas pode apresentar baixa contribuição financeira.


Outro pode gerar bom retorno por unidade, mas ter pouca procura.


Observar essas duas dimensões auxilia decisões relacionadas a:


  • preço;
  • porcionamento;
  • composição;
  • posição no menu;
  • divulgação;
  • retirada de itens com desempenho insatisfatório.


A análise deve considerar o comportamento real das vendas, e não somente o custo ou o valor cobrado por cada preparação.


Considere o ticket médio


Bebidas, acompanhamentos, sobremesas, adicionais e combos podem elevar o valor médio gasto por cliente.


Cada item adicional também precisa ter seus próprios custos e retorno avaliados.


Aumentar o valor total do pedido não significa necessariamente melhorar sua rentabilidade.


O ticket médio deve ser analisado junto à margem de contribuição para mostrar quanto a composição da compra efetivamente acrescenta ao resultado.


Psicologia de preços depende do contexto


A apresentação dos valores e a organização visual do cardápio podem interferir na percepção do consumidor, mas seus efeitos variam conforme público, categoria, ocasião de consumo e posicionamento do restaurante.


Formatos de preço que funcionam em operações orientadas a volume podem ter resultados diferentes em estabelecimentos de tíquete elevado.


Dados históricos de vendas e testes controlados oferecem uma base melhor para essas decisões do que regras universais sobre terminações de preço ou apresentação de símbolos monetários.


Calcule o ponto de equilíbrio


O ponto de equilíbrio indica o faturamento necessário para cobrir custos e despesas sem gerar lucro ou prejuízo.


Uma forma de estimá-lo utiliza as despesas fixas e o índice de margem de contribuição:


Ponto de equilíbrio = despesas fixas ÷ índice de margem de contribuição


Com despesas fixas mensais de R$ 30.000 e índice de margem de contribuição de 40%:


R$ 30.000 ÷ 0,40 = R$ 75.000

Nesse cenário simplificado, o estabelecimento precisa faturar R$ 75.000 para atingir o ponto de equilíbrio.


Esse indicador permite verificar se a combinação entre preços, margens e volume de vendas é suficiente para sustentar a estrutura do negócio.


Erros que prejudicam a precificação


Algumas falhas distorcem o custo calculado ou a rentabilidade esperada:


  • trabalhar sem ficha técnica;
  • desconsiderar perdas e rendimento;
  • manter custos de ingredientes desatualizados;
  • confundir CMV com lucro;
  • utilizar markup arbitrário;
  • copiar preços de concorrentes;
  • ignorar impostos e taxas;
  • desconsiderar diferenças entre canais;
  • não acompanhar a margem de contribuição;
  • manter itens de baixo desempenho sem reavaliação.


A precificação deve ser acompanhada por dados de estoque, vendas e custos.


Mudanças relevantes nesses indicadores são sinais para revisar os valores e a composição do cardápio.


Como manter o cardápio rentável


O preço calculado antes do lançamento de um prato parte de estimativas.


Depois que ele começa a ser vendido, os resultados da operação mostram o que realmente acontece.


Ficha técnica e CMV indicam o comportamento dos custos.


A margem de contribuição mostra quanto cada venda deixa para a estrutura do negócio.


A engenharia de cardápio relaciona esse retorno à procura, enquanto o ponto de equilíbrio permite avaliar o desempenho necessário para cobrir as despesas.


O acompanhamento conjunto desses dados oferece uma base objetiva para decidir quando alterar porções, receitas, fornecedores, preços ou itens do menu.


FAQ sobre precificação de cardápio


Como incluir os custos fixos no preço dos pratos?


Os custos fixos precisam ser cobertos pela margem de contribuição gerada pelo conjunto das vendas.


O preço de cada item deve deixar contribuição suficiente para que o volume comercializado cubra a estrutura fixa e permita resultado positivo.


Qual a diferença entre CMV teórico e CMV real?


O CMV teórico estima o consumo a partir das fichas técnicas e das vendas registradas.


O CMV real considera a movimentação efetiva do estoque.


A comparação entre eles ajuda a identificar desvios de consumo, perdas e problemas de controle.


Como saber se um prato é rentável?


Avalie o custo da preparação, as despesas variáveis associadas à venda, o preço cobrado, a margem de contribuição e o volume comercializado.


Um item precisa ser analisado pelo retorno que gera e por sua participação nas vendas do cardápio.


Quer melhorar a gestão financeira do negócio? Veja como calcular o CMV e acompanhar os custos do seu estabelecimento.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.