Rosana Morais fala sobre o mercado de food service

Prática • June 19, 2023
Consultora FoodService Rosana Morais

 

Conversamos com Rosana Morais, consultora estratégica na área de food service, para entender melhor os desafios e as oportunidades do mercado de alimentação profissional.

 

Com experiência em hotelaria, cozinhas industriais e grandes redes de alimentação, Rosana compartilha sua visão sobre planejamento, gestão de equipes, padronização de processos, atendimento ao cliente e tecnologias para aumentar a produtividade.

 

Confira a entrevista na íntegra.

 

Prática: Você começou em uma rede de hotéis. Como a cozinha dos hotéis é uma referência para as operações profissionais de excelência?


Rosana Morais:Eu atuei na rede Marriott e no hotel Miramar no Rio de Janeiro, um hotel cinco estrelas. O serviço nesses hotéis compreende grande abrangência, porque além do atendimento ao hóspede, possui ainda eventos e restaurantes que recebem público externo.

 

Dividir equipes por setor de atendimento, investir em treinamento rotineiro, ter padrão de cardápios bem definido e fazer um planejamento detalhado são fundamentais.

 

Atualmente, contamos com planejamento informatizado e ainda com a grande versatilidade de equipamentos modernos, proporcionando a essas redes trabalharem no sistema sous vide, o que melhora muito a produtividade e garante qualidade, padrão e rapidez em todo serviço.

 

Prática: Na sua visão, o que é diferencial em serviço de food service, seja no restaurante ou no room service para o ramo hoteleiro?

 

Rosana Morais: Eu considero fundamental a agilidade na entrega, um cardápio com opções que possam atender a diversos paladares (hoje temos muitas pessoas veganas e em alguns cardápios, não há opção) e finalmente a apresentação.

 

Prática: Você tem uma longa experiência em cozinha industrial. Como é a realidade dessas operações e quais dicas você daria para os empresários do ramo da alimentação?

 

Rosana Morais: O primeiro passo é ter o desenho de uma cozinha de formatação de equipamentos, que podemos chamar de inteligente. A disposição dos equipamentos em módulos mais compactos ajuda muito na produtividade.

 

O colaborador precisa ter uma linha de produção eficiente, de forma a ganhar tempo com menos caminhada pelas áreas. Considero esse o primeiro ponto importante, um projeto inicial bem realizado. Não tendo como mudar o projeto, procure investir em equipamentos mais versáteis e produtivos, substituindo os mais obsoletos.

 

Outras dicas são: ter um planejamento de cardápio padrão realizado com bastante antecedência, respeitando a sazonalidade e trabalhar a logística de compras com o prazo mínimo de 60 dias para entrega posterior, pois isso garante volume e preço.

 

Prática: Nutricionista só faz cardápio e monitora boas práticas? Qual a importância para os profissionais conhecerem mais o alimento e seus processos a fundo?

 

Rosana Morais: A nutricionista tem uma atuação bem abrangente. Hoje temos até mesmo os programas que já permitem agilizar o trabalho por já ter cardápios no sistema e algumas empresas de alimentação já possuem o setor de planejamento que cuida de atualizar o sistema.

 

Desta forma, a nutricionista precisa apenas acessar o sistema e escolher previamente os cardápios, isso já gera pedido de compras automático.

 

Com essa facilidade sobra tempo útil para a profissional ser a grande gestora de sua equipe, treinar pessoas constantemente, monitorar qualidade, acompanhar produção e relacionar-se com seus clientes. O relacionamento é fundamental para uma boa prestação de serviços.

 

Prática: Grandes marcas e padronização de produto e processos. O que elas podem ensinar aos pequenos empreendedores do food service?

 

Rosana Morais: A padronização de produtos e processos é essencial para a eficiência. Nós temos ainda um turnover bem significativo nas grandes cidades na área de alimentação, em torno de 5,2% ao mês, isto significa trocar a equipe em mais de 50% ao ano.

 

Ter todos os processos descritos e manuais por área é fundamental, inclusive é exigência para a obtenção de ISO. O treinamento precisa ser constante, agora temos também a facilidade on-line.

 

Prática: Como conciliar sonho e plano de negócios? Empreendimentos mágicos existem ou é muito planejamento e trabalho?

 

Rosana Morais: Todo empreendimento precisa ser fruto de muito planejamento, estudo, trabalho e expertise no negócio. Analisar a concorrência também é fundamental, podemos estabelecer boas bases, observando como funciona na prática negócios semelhantes, elencando os pontos de melhoria e fortalezas.

 

Prática: O que você acha do forno combinado nos empreendimentos de alimentação? É um bom investimento?

 

Rosana Morais: O forno combinado é um excelente investimento, eu comprei meu primeiro forno combinado em 1989. Os primeiros 22 fornos chegaram para a Auto Latina em 1988 e eu comprei na sequência para a Souza Cruz.

 

As vantagens são inúmeras: aumento de produtividade, ganho de qualidade, melhor planejamento, autonomia de trabalho pela programação, apresentação final do produto e redução drástica do número de acidentes na equipe. A operação do forno combinado é muito mais segura.

 

Prática: Você atuou com grandes marcas e redes de atendimento rápido. O que você pensa sobre os fornos de finalização ultrarrápida, os Speed Ovens?

 

Rosana Morais: Eu não trabalhei ainda com os speed ovens, mas conheço sua eficiência. São fundamentais onde se necessita de agilidade e muita produtividade com qualidade de produto. Participei de uma degustação de pizza e a massa estava perfeita, crocante e o recheio derretido no ponto certo.

 

Prática: Segmentação de público e preço. Você acha que muitos empreendedores pecam com a “gourmetização” e perdem um grande potencial de vendas?

 

Rosana Morais: Eu acredito que a gourmetização tem seu público. Hoje temos pessoas muito mais exigentes em paladar e apresentação de pratos, e que não se importam em pagar por isto. A internet e a própria TV com seus concursos de chefs popularizaram um público mais gourmet e exigente.

 

Prática: O que é mais importante na seleção em food service: pessoas para preencher a vaga ou pessoas apaixonadas pelo ramo?

 

Rosana Morais: Para atuar em food service, você precisa ter paixão pela área. Lidamos com emoção o tempo todo, já foi provado que restaurante é termômetro de emoções e temos a missão de proporcionar uma experiência gratificante.

 

Todos percebem que se o humor não está bom, o paladar fica amargo e isso já influencia no gosto da refeição. Fazer as preparações também com bom humor e alegria traz muito mais resultado no produto final. Eu acredito que energia é tudo!!

 

Sobre Rosana Morais

 

Rosana atuou nas redes Marriott, Souza Cruz, Lojas Americanas, restaurantes La Mole e Outback. Além disso, foi gerente regional na Sodexo por 20 anos e gerente regional na GR por 2 anos. Também lecionou por 3 anos como professora na UERJ.

 

Foi responsável por toda a área de food service do primeiro Open de Tênis no Brasil, em 2001, e pela recepção de 300 executivos da GE nas Olimpíadas de 2016, com eventos diversos.

 

Sobre a RM Consultoria


A RM Consultoria atua na consultoria estratégica de negócios em food service e facilities, abrangendo projetos, treinamentos, varejo e cozinhas industriais.


Seus serviços atendem diferentes segmentos, incluindo empresas, saúde, educação e operações de facilities.


Quer aprofundar seus conhecimentos sobre produtividade, padronização e tecnologia nas cozinhas profissionais?


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Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.