Segurança dos alimentos: como a tecnologia pode ajudar

Prática • October 28, 2020
Um homem com chapéu de chef está abrindo um forno

A segurança dos alimentos exige cuidados desde o recebimento dos ingredientes até o serviço.


Em cozinhas profissionais, recursos de automação e monitoramento ajudam a acompanhar tempo, temperatura, resfriamento, conservação, higienização e validade.


Fornos combinados, ultracongeladores, sistemas de refrigeração e softwares podem reduzir variações em etapas específicas.


Seu uso deve estar associado às Boas Práticas, aos procedimentos do estabelecimento e à capacitação das equipes.


O que é segurança dos alimentos?


Segurança dos alimentos reúne condições e procedimentos destinados a prevenir perigos que possam tornar um alimento inadequado para consumo.


Os riscos podem ser biológicos, como os relacionados a micro-organismos; químicos, associados a substâncias que contaminem o produto; ou físicos, decorrentes da presença de materiais estranhos.


Nos serviços de alimentação, a prevenção envolve instalações, matérias-primas, manipuladores, utensílios, armazenamento, preparo, conservação e distribuição.


A tecnologia auxilia principalmente nas etapas em que parâmetros precisam ser acompanhados e repetidos.


Como a tecnologia ajuda na segurança dos alimentos?


Recursos digitais e automatizados permitem programar, acompanhar ou registrar variáveis importantes da produção.


Entre as aplicações estão:


  • programação de tempo e temperatura;
  • monitoramento da cocção;
  • resfriamento e congelamento rápidos;
  • conservação sob refrigeração ou congelamento;
  • ciclos automáticos de higienização;
  • avisos de validade e gestão de estoque;
  • registros de etapas produtivas.


A aplicação adequada depende do cardápio, volume, método de produção e requisitos sanitários relacionados à atividade.


Temperatura durante a cocção


Tempo e temperatura estão entre os parâmetros que precisam ser acompanhados no preparo dos alimentos.


A combinação necessária varia conforme o produto, o método utilizado e os critérios sanitários aplicáveis.


Em cozinhas profissionais, fornos combinados permitem programar ciclos com temperatura, tempo e umidade de acordo com cada preparação.


Dependendo do modelo e da configuração, também é possível acompanhar a temperatura no núcleo do alimento por meio de sonda.


A programação favorece a repetibilidade dos ciclos e reduz ajustes manuais durante o preparo.


Os parâmetros utilizados devem ser definidos conforme o produto e os procedimentos adotados pelo estabelecimento.


Resfriamento rápido após a cocção


Alimentos preparados que não serão consumidos imediatamente exigem atenção após o cozimento.


O resfriamento lento em condições inadequadas pode favorecer a multiplicação de micro-organismos.


O ultracongelador retira calor dos produtos por meio da circulação intensa de ar frio, permitindo reduzir rapidamente sua temperatura.


O objetivo é diminuir o período em condições favoráveis ao desenvolvimento microbiano e preparar o produto para a etapa seguinte de conservação.


Esse recurso pode integrar sistemas de produção antecipada, como o Cook and Chill, nos quais as etapas são planejadas de acordo com procedimentos previamente estabelecidos.


O ultracongelamento não esteriliza o alimento nem corrige falhas anteriores de manipulação ou cocção.


Armazenamento e cadeia fria


Produtos refrigerados ou congelados precisam permanecer nas condições previstas para sua conservação.


Alterações inadequadas de temperatura podem comprometer sua qualidade e favorecer riscos microbiológicos, dependendo do alimento e do tempo de exposição.


Além da temperatura dos sistemas de refrigeração, é necessário observar organização, identificação, validade, acondicionamento e separação dos produtos.


A sobrecarga de câmaras, refrigeradores ou freezers também deve ser evitada quando interfere na circulação do ar e no desempenho do sistema.


Em produções antecipadas, a cadeia fria precisa ser mantida conforme os procedimentos definidos até a etapa seguinte.


Higienização dos equipamentos


Resíduos em superfícies, utensílios e componentes podem comprometer as condições higiênicas da cozinha.


A limpeza deve seguir procedimentos e frequências adequados a cada área e recurso utilizado.


Alguns fornos combinados possuem sistemas automáticos de higienização.


Ciclos programados ajudam a padronizar a limpeza da câmara e reduzem intervenções manuais.


É necessário seguir as orientações do fabricante quanto aos produtos indicados, ciclos, inspeções e manutenção.


Bancadas, recipientes, utensílios e demais áreas de manipulação também precisam fazer parte da rotina de higienização.


Como evitar contaminação cruzada?


A contaminação cruzada ocorre quando micro-organismos ou outros contaminantes são transferidos entre alimentos, superfícies, utensílios, manipuladores ou áreas da cozinha.


Separar alimentos crus daqueles prontos para consumo ajuda a reduzir esse risco.


Utensílios, recipientes e superfícies também devem seguir os procedimentos definidos para cada etapa.


O layout e a organização do trabalho merecem atenção.


Cruzamentos inadequados entre matérias-primas, produtos preparados, resíduos e utensílios usados podem criar pontos de contaminação.


Por isso, separação de atividades, higienização e capacitação das equipes devem ser consideradas em conjunto.


Softwares para validade, estoque e rastreabilidade


Sistemas de gestão podem registrar recebimentos, lotes e datas de validade, além de emitir alertas para itens próximos do vencimento.


Dependendo da solução adotada, essas ferramentas auxiliam na rastreabilidade dos insumos e permitem consultar movimentações ao longo da produção.


Também diminuem a dependência de registros exclusivamente manuais.


A qualidade dessas informações depende do preenchimento correto.


Conferência no recebimento, identificação e armazenamento adequado dos produtos continuam necessários.


Registros ajudam a identificar desvios


Informações documentadas permitem verificar o cumprimento dos parâmetros estabelecidos e investigar ocorrências.


Temperaturas, horários, lotes, ciclos e higienizações estão entre os dados que podem ser registrados conforme as necessidades do estabelecimento e as exigências aplicáveis.


Soluções digitais facilitam o armazenamento e a consulta desses dados, especialmente em cozinhas com grande volume de produção ou várias unidades.


Tecnologia não substitui Boas Práticas


Automação e monitoramento atuam sobre determinadas variáveis, mas não substituem os cuidados necessários na manipulação dos alimentos.


Entre eles estão:


  • adquirir matérias-primas de procedência conhecida;
  • conferir integridade, validade e condições dos produtos no recebimento;
  • utilizar água potável;
  • armazenar os alimentos nas condições indicadas;
  • prevenir contaminação cruzada;
  • higienizar instalações, utensílios e superfícies;
  • acompanhar tempo e temperatura quando necessário;
  • manter cuidados de higiene pessoal;
  • capacitar as equipes;
  • cumprir os procedimentos definidos e as exigências sanitárias aplicáveis.


A RDC nº 216/2004 da Anvisa estabelece Boas Práticas para serviços de alimentação.


O estabelecimento também deve observar normas estaduais e municipais pertinentes à atividade e à sua localização.


Como planejar o fluxo de produção?


A escolha dos recursos deve partir do caminho percorrido pelos alimentos na cozinha:


recebimento → armazenamento → pré-preparo → cocção → resfriamento → conservação → regeneração → distribuição


Nem todos os estabelecimentos utilizam todas essas etapas. O fluxo varia conforme cardápio, modelo de produção e forma de serviço.


Mapear esse percurso permite identificar onde existem riscos, quais parâmetros precisam ser acompanhados e em quais pontos a automação pode contribuir.


Cada recurso deve ter uma função definida dentro da rotina produtiva, sem substituir os procedimentos sanitários correspondentes.


Perguntas frequentes sobre segurança dos alimentos


Por que controlar a temperatura dos alimentos?


A temperatura interfere na multiplicação de micro-organismos e precisa ser acompanhada nas etapas em que representa um parâmetro relevante.


Os valores e tempos aplicáveis variam conforme o alimento, o método utilizado, a etapa produtiva e os requisitos sanitários correspondentes.


O ultracongelamento elimina micro-organismos?


Não. O ultracongelamento reduz rapidamente a temperatura do produto, mas não é um método de esterilização.


As condições da matéria-prima, manipulação, cocção, resfriamento, armazenamento e etapas posteriores continuam relevantes para a segurança dos alimentos.


Tecnologia aplicada ao fluxo de produção


Recursos de cocção, resfriamento, conservação, higienização e monitoramento permitem acompanhar parâmetros importantes em cozinhas profissionais.


A definição dos equipamentos deve considerar o fluxo produtivo, os riscos identificados e os procedimentos estabelecidos.


Para operações que trabalham com produção antecipada, conheça também o ultracongelamento de alimentos e o sistema Cook and Chill.


Entrevistada


Juliana de Castro Pereira – Coordenadora de Gastronomia Prática Klimaquip S/A


Nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo, com MBA em Gestão de Negócios pela Anhembi Morumbi.



Possui experiência em consultoria e docência em foodservice e atua na Coordenação de Gastronomia da Prática.


Entenda também a diferença entre segurança dos alimentos e segurança alimentar e saiba quando utilizar cada conceito.

Conteúdo revisado pela equipe técnica da Prática, formada por chefs de cozinha, técnicos em panificação, engenheiros e consultores comerciais, com a expertise de mais de 35 anos da empresa no mercado de alimentação.